sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Povos da região andina

A região andina estende-se ao sul do continente americano, pela cadeia de montanhas conhecida como cordilheira dos Andes. Nessa região, desenvolve ram-se duas das mais antigas civilizações da América: a chavín e a mochica.

Os chavines


A partir de cerca de 1000 a.C., se desenvolveu um conjunto de tradições e de cultos religiosos que os estudiosos chamaram de cultura chavín. Muitos vestí gios da cultura chavín foram encontrados pelos pesquisadores no sítio arqueoló gico de Chavín de Huántar, no Peru. Atualmente esse local é considerado patrimônio mundial pela Unesco.
Aspectos da natureza estavam presentes em grande parte do imaginário dessa população. Suas esculturas apresentavam a aparência de felinos, falcões, águias, serpentes, jaguares e outros animais, geralmente entalhados em rochas.
Além de construir templos religiosos e conhecer a metalurgia, os chavines do minavam técnicas de desviar a água dos rios para empregá-la em seu uso cotidiano. As tradições chavines foram muito importantes na formação de diversos po vos da região andina.

Ruínas das pirâmides do Sol e da Lua em Trujillo, Peru, 2021.

Os mochicas


Os mochicas foram um povo que habitou a região andina entre os séculos I e VIII. Eles dominavam técnicas de irrigação e de adubação do solo e construíram diversos aquedutos e diques. Os mochicas praticavam a agricultura e a pesca, e também construíam pirâmides, como as pirâmides do Sol e da Lua. 
Eles fabricavam instrumentos musicais com ossos, cerâmica e conchas, e dominavam técnicas de cerâmica e metalurgia de cobre, ouro e prata. A cultura mochica influenciou a formação de outras civilizações andinas, entre elas a civilização inca. 

Povos da Mesoamérica 


A Mesoamérica é a região que compreende territórios do sul do México e parte da América Central. É um local com grande diversidade ecológica e geográfica. Nessa região, desenvolveu-se a civilização olmeca por volta de 1300 a.C.

Os olmecas 


A civilização olmeca é uma das mais antigas da Mesoamérica. Vestígios arqueológicos indicam que eles já construíam centros cerimoniais e edifícios em formato de pirâmide muito tempo antes dos maias e astecas, povos herdeiros da cultura olmeca. Por isso, alguns pesquisadores consideram a civilização olmeca como a “cultura-mãe” de outros povos mesoamericanos. 
Os olmecas desenvolveram técnicas de uso de argila para a produção de estatuetas e de utensílios de cerâmica. 

Escultura olmeca, em uma exposição na Cidade do México, 2019.

Alguns estudos apontam que eles também teriam desenvolvido símbolos como forma de escrita, porém os vestígios dessa prática de registro são bastante escassos. Os olmecas construíram grandes templos e pirâmides, além de dominarem técnicas de escultura em pedra. Entre seus vestígios arqueológicos mais conhecidos estão as enormes cabeças esculpidas em basalto.

Altar cerimonial olmeca esculpido em basalto, cerca de 1000 a.C.

A América entre os séculos X e XV 


No século XV, a América tinha cerca de 50 milhões de habitantes, divididos em centenas de civilizações.

Os maias 


Os maias formaram uma civilização entre os séculos III e X, principalmente na região da península de Yucatán e em seus entornos. Atualmente, nessas regiões localizam-se os países da Guatemala, Belize, Honduras, El Salvador e parte do México. Os maias construíram grandes estruturas urbanas, que continham centros cerimoniais e edifícios diversos, en tre eles as pirâmides maias.
A base econômica dos maias era a agricultura. Entre os principais produtos cultivados estavam milho, feijão, tomate, batata e mandioca. Sua organização política era feita a partir de cidades independentes, que tinham o próprio governo.

O calendário maia 


Os maias desenvolveram técnicas para a observação do céu e dos astros. Desse modo, para a contagem do tempo, eles criaram um calendário preciso conhecido como haab, no qual o ano era composto de 365 dias. Dividido em 18 meses, cada mês tinha 20 dias, e havia mais cinco dias livres para completar o ciclo. Os maias utilizavam o calendário para se organizarem nas colheitas, no momento das semeaduras e nos períodos de equinócio e de solstício.

As formas de registro dos maias 


Os maias também desenvolveram um sistema de escrita e um sistema de numeração. Ambos eram utilizados para facilitar a organização de trocas comerciais, as questões relacionadas a tributos e a estoques, além de contribuir para melhorias na administração das cidades.
O sistema de numeração dos maias é considerado um dos mais completos do mundo, pois contém inclusive um símbolo para representar o zero. Com esse sistema, eles conseguiram desenvolver estudos avançados em áreas como a engenharia, a matemática e a astronomia. 
Já o sistema de escrita era composto de símbolos que representavam ideias (hieróglifos). Embora muitos estudos tenham tentado desvendar a escrita maia, ainda hoje seus hieróglifos não foram totalmente decifrados e continuam sendo analisados pelos pesquisadores. 

Os astecas


Em 1325, vindos do norte da América, os astecas se fixaram na região central do continente, onde atualmente é o México. Marcados por uma tradição guerreira, eles costumavam conquistar outros povos, dos quais cobravam tributos. Os astecas construíram muitas cidades na Mesoamérica, sendo a principal delas Tenochtitlán, fundada no lago Texcoco.

A religião asteca Os astecas eram politeístas. Co nheça alguns de seus deuses. 
• Atlacoya: deusa da seca. 
• Cinteteo: deus do milho. • Huitzilopochtli: deus do Sol e da guerra. 
• Malinalxochitl: deusa das ser pentes e dos insetos. 
• Metztli: deusa da Lua. 
• Nappa Tecutli: deus da fabrica ção de tapetes. 
• Opochtli: deus da pesca. 
• Quetzalcoatl: deus da sabedoria. 
• Xipe Totec: deus da fertilidade. 
• Xiuhtecuhtli: deus do fogo. 
• Yacatecuhtli: deus do comércio.

Muitos aspectos da vida dos as tecas giravam em torno da crença religiosa. Frequentemente, realizavam oferendas e cerimônias aos deuses, solicitando boas colheitas. Em alguns casos, seus rituais envolviam também sacrifícios humanos.
Assim como outros povos da América, os astecas construíam pirâmides em homenagem aos deuses, pois acreditavam que essas construções favoreciam o contato com as divindades. Com base em estudos de astronomia, as pirâmides eram construídas de maneira que se alinhassem com as posições das estrelas, da Lua e do Sol.

Representação dos deuses Opochtli, Yacatecuhtli, Xipe Totec e Nappa Tecutli no Códice Florentino, século XVI.

As práticas comerciais e os registros astecas 


As atividades comerciais eram essenciais para os astecas. As pessoas costumavam se reunir nos mercados das cidades para trocar produtos, como tecidos, ali mentos e objetos de cerâmica. Era comum, por exemplo, utilizar grãos de cacau como moeda de troca, uma vez que não existia dinheiro naquela época.
Os códices significavam uma importante forma de registro para os astecas, também em relação às práticas comerciais. Eles registravam dados econômicos e as trocas, como a quantidade de produção agrícola e os tributos pagos pelas cidades conquistadas. Observe um exemplo desse tipo de registro.

 Página do Códice Mendoza, século XVI.

Na imagem, vemos a representação de alguns objetos como roupas de guerreiro feitas de pena e couro, escudos e símbolos que se referem aos produtos agrícolas (como feijão e cereais).

A tradição oral asteca 


Na tradição oral asteca, foi difundida uma versão de como teria ocorrido a chegada do povo à região da cidade de Tenochtitlán. De acordo com essa tradição, os astecas foram conduzidos pelo deus Huitzilopochtli até a região do lago Texcoco, onde encontraram uma ilha. Nesse local, avistaram uma cena considerada sagrada: uma águia pousada em um cacto, alimentando-se de uma serpente. Nesse local idealizado pela divindade, eles te riam de construir sua civilização.

Os incas


Os incas viveram na região andina, mais especificamente no vale do Cuzco. A partir de meados do século XIII, eles se fixaram na região e, ao longo dos anos, formaram um poderoso império, que chegou a ter cerca de 12 milhões de habitantes e uma extensão de mais de 3000 quilômetros.

O Império Inca 


O Império Inca, governado de modo centralizado, tinha um governante com poderes soberanos, o chamado Sapa Inca (imperador). O império era formado por diferentes povos, que foram sendo incorporados ao seu domínio. Esses povos podiam manter a maioria de suas tradições culturais, uma vez que realizassem acordos com o imperador inca, pagando-lhe tributos. 
A sociedade inca se organizava em grupos, que exerciam diferentes papéis. O imperador, que agia como líder e soberano, costumava receber tributos e homenagens. Algumas pessoas também tinham privilégios e não pagavam impostos. Eram os chefes militares e os funcionários da administração do império. Outro grupo era composto de trabalhadores, que formavam a maioria da população do Império Inca. Homens e mulheres praticavam a agricultura, trabalhavam em obras públicas, além de serviços militares no caso dos homens e práticas de artesanato no caso das mulheres.
Os incas construíram estradas, edifícios e templos. Essas construções são conhecidas atualmente por sua grandiosidade. Nessas obras, eles costumavam uti lizar blocos de rocha encaixados sem nenhuma substância de liga, como o cimento, o que demonstra seu excelente desenvolvimento técnico.

Construções incas nas ruínas de Machu Picchu, no Peru, 2019.

O dia a dia no império inca


Para auxiliar no controle de diversas atividades cotidianas, como o comércio, a produção agrícola e a cobrança de tributos, os incas desenvolveram um instrumento conhecido como quipo. Formado por cordas e nós, usava-se o quipo para registrar informações. Cada nó simbolizava um valor ou uma quantidade. Como formaram um extenso império, os incas precisaram se organizar em relação à comunicação nas diversas regiões que ocuparam. Desse modo, construíram uma rede de estradas interligando as cidades e facilitando o transporte de pessoas e produtos. Além disso, organizaram um eficiente sistema de comunicação, envolvendo o trabalho dos chasquis. 



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