domingo, 11 de outubro de 2026

A VIDA COTIDIANA EM ROMA

As pessoas levantavam cedo nas cidades romanas e faziam a primeira refeição à base de carnes e pães. Por volta das oito horas, eram abertas lojas, repartições públicas e outros estabelecimentos. Em seguida, a praça central e o fórum se enchiam de gente.
O período da manhã era também dedicado aos estudos. As crianças pobres eram alfabetizadas na escola, enquanto as ricas tinham preceptores, uma espécie de professor particular.
Costumava-se trabalhar até o meio-dia, horário em que os estabelecimentos fechavam para o almoço. 
A refeição era leve: pão, queijo, nozes, figos secos e azeitonas. Aqueles que não podiam comer em casa levavam consigo um recipiente com alimentos para almoçar na rua ou no anfiteatro, enquanto assistiam a uma luta de gladiadores, por exemplo.
Terminado o almoço, o trabalho recomeçava até o meio da tarde, quando se encerrava o expediente e todos voltavam para casa.
A maioria da população vivia no campo, em aldeias ou em fazendas que produziam alimentos e bens para as cidades e para o exército. Os territórios dominados por Roma abasteciam o império com diversos produtos.

O cotidiano dos trabalhadores livres 


As cidades do Império Romano eram agitadas. Desde cedo, muitos trabalhadores já estavam nas ruas realizando diversas atividades. Para muitos deles, restava pouco tempo para o lazer e a vida social. 
Os moradores das cidades costumavam tomar banho gratuitamente nas termas públicas. Eles também frequentavam circos e anfiteatros para assistir aos espetáculos públicos.

A educação das crianças 


Para os romanos, os filhos eram sempre vistos como garantia importante para a continuidade da família. A educação das crianças variava conforme o grupo social e o sexo.
Os filhos das famílias mais pobres em Roma geralmente cresciam analfabetos, ou seja, sem conhecimentos sobre leitura e escrita. Alguns desses jovens conseguiam adquirir noções de leitura e escrita, especialmente para trabalhar. 
Os meninos e meninas de Roma entravam na escola por volta dos 7 anos de idade. Nela, eles aprendiam a ler, a escrever e também recebiam noções de cálculo. 
Por volta dos 12 anos, as meninas deixavam a escola e passavam a ser educadas unicamente pelas suas mães. O objetivo era que se tornassem boas donas de casa, es posas e mães. 
A partir dos 12 anos, somente os meninos de famílias influentes continuavam a estudar. Aprendiam literatura, história e o idioma grego. Também eram preparados para a vida militar.
Já as meninas das camadas sociais mais altas recebiam lições de cálculo, escrita e leitura até a adolescência. Entre 12 e 13 anos de idade, elas paravam de estudar e podiam se casar. Com o tempo, elas aprendiam com outras mulheres da família a cozinhar, a fiar e a tear lã, além de ajudar suas mães a cuidar dos irmãos. 
Por sua vez, os rapazes de famílias ricas em Roma deviam, geralmente, prosseguir nos estudos, iniciados já na infância. Com o auxílio de um professor de gramática ou de literatura, eles estudavam as obras e as heranças culturais dos grandes autores gregos e romanos. Estudavam também noções de agricultura, astronomia, religião, matemática, arquitetura, geografia, história e retórica.
Além desses conteúdos, as aulas eram voltadas ao ensino da oratória, a fim de que aprendessem como discursar e como defender uma ideia em público. Nessa etapa, muitas aulas eram realizadas nos espaços públicos para que os alunos entrassem em contato com o dia a dia da política.
Os meninos romanos, além de serem educados no ambiente familiar e nas instituições escolares, recebiam uma formação militar. Nos treinamentos, eles aprendiam noções de disciplina e técnicas de utilização de armamentos e também passavam por uma rigorosa preparação física. A formação militar era bastante valorizada e foi muito importante para a expansão e a manutenção do Império.

As mulheres romanas 


As mulheres romanas podiam participar da vida pública. Muitas delas frequentavam banquetes e reuniões sociais, discutiam questões políticas e eram proprietárias de estabelecimentos comerciais.
As mulheres ricas tinham acesso à educação e mais tempo para se instruir. Algumas se tornavam poetisas. Entretanto, elas não podiam votar, não tinham direitos políticos e não podiam exercer cargos públicos.
As mulheres plebeias e patrícias tinham cotidianos bem diferentes. As patrícias casavam-se por volta dos 14 anos com casamentos arranjados pelos pais. Como não precisavam trabalhar, elas tinham mais tempo livre para realizar diversas atividades, como ler, escrever, tocar instrumentos musicais e pintar. Embora fossem responsáveis pelos cuidados dos filhos, contavam com o trabalho de mulheres escravizadas para essa e outras atividades cotidianas.

Mosaico romano do século V representando duas escravizadas ajudando uma patrícia a se arrumar.

As mulheres plebeias tinham mais autonomia em relação ao casamento. Elas podiam se casar com quem quisessem, mas muitas vezes os casamentos entre os plebeus eram realizados para o casal dividir as despesas. Além disso, as plebeias tinham mais liberdade, pois trabalhavam fora de casa e as sim conheciam mais outros ambientes. Em casa, as plebeias tinham como responsabilidade as tarefas domésticas, os cuidados dos filhos e a produção artesanal de tecidos de lã.

Mosaico romano do século IV que representa uma mulher plebeia trabalhando na colheita de uvas.

Mosaico do século IV que representa, no canto esquerdo, uma mulher escravizada ajudando a dar banho no filho da senhora.

A alimentação 


Os hábitos alimentares dos romanos eram determinados de acordo com sua condição econômica.
A alimentação das pessoas pobres não era muito variada. Para os mais pobres, a disponibilidade de alimentos era determinada pela distribuição mensal de grãos.
Elas costumavam fazer três refeições por dia. Na primeira, que ocorria pela manhã, costumavam comer pães e azeitonas e beber vinho diluído em água.
A segunda refeição era realizada próximo do meio-dia. Nela, eram consumidos, principalmente, pães, frutas e legumes. A terceira refeição ocorria no início da noite e costumava ter o mesmo cardápio do almoço.
Para muitos cidadãos, a principal refeição do dia era feita entre as quatro e as seis horas da tarde. O café da manhã e o almoço eram servidos com lanches leves ou apenas pão. Como não havia geladeira, as compras eram feitas diariamente em charretes ou lojas nas ruas.

Detalhe de relevo romano do século I que representa alimentos sobre uma mesa.

Os cidadãos mais ricos usavam especiarias importadas em suas refeições e tinham trabalhadores escravizados para servi-los. Os alimentos consumidos diariamente incluíam grãos, pães, vegetais e azeite.

Relevo romano de cerca de 300 d.C. representando o momento de uma refeição em família.

A carne era muito cara e, por isso, pouco consumida entre os pobres. Já a alimentação das pessoas ricas costumava ser mais diversificada. Além de pães, azeitonas, queijos e vinhos, o cardápio dos ricos incluía diversas frutas e legumes, ovos, ostras e diferentes tipos de carnes.

Namoro e casamento


Os romanos também namoravam, se apaixonavam; mas,  quanto ao casamento, as diferenças entre nós e eles são grandes. Nas famílias ricas, um dia antes de se casar, a noiva depositava seus brinquedos no altar onde ficavam os deuses protetores de sua família; ela ainda tinha brinquedos porque se casava muito jovem, com 12 a 15 anos de idade. Já o noivo, era geralmente um homem com mais de 35 anos.
A menina, porém, não tinha liberdade de escolha; era seu pai que escolhia com quem ela deveria se casar. Para o pai, o amor não tinha importância; o que contava era a posição social do noivo e a riqueza de sua família.
Já entre os pobres, as diferenças de idade entre homens e mulheres não eram tão grandes; o casal se unia com o objetivo de se ajudar na luta pela sobrevivência. Os escravizados, por sua vez, eram proibidos de casar-se, então namoravam e, por vezes, moravam juntos; isso ocorria com mais frequência quando eles pertenciam ao mesmo dono.
Sem a interferência do fator econômico, os casamentos entre os pobres eram, geralmente, movidos pelo sentimento.

Relevo em mármore em um sarcófago romano do século II, representando a celebração de um casamento. Entre o casal está a deusa Vesta, abençoando o matrimônio.


Circo romano 


Os circos eram muito apreciados pelos romanos e ofereciam diversos espetáculos, como apresentações de malabaristas, acrobatas e ilusionistas. 
Uma das principais atrações desses circos eram as corridas de carros puxados por quatro cavalos (quadriga). Essas corridas eram realizadas por quatro equipes de cores diferentes: azul, branca, vermelha e verde.

Luta de gladiadores 


A luta de gladiadores era o espetáculo mais violento e popular do Império Romano. Elas ocorriam em anfiteatros ou em circos. Geralmente, os gladiadores eram pessoas escravizadas que recebiam um treinamento para realizar os combates. Além de lutarem entre si, os gladiadores também podiam lutar com animais ferozes, como leões e ursos.

Os mosaicos romanos


Os mosaicos são uma das várias formas de expressão artística romana. Geralmente, representam temas da mitologia, religião, cenas de gladiadores e cenas da vida cotidiana. Essas obras, em sua maioria, serviam para decorar prédios públicos e residências da elite romana.

Nesse mosaico, é possível perceber a pessoa do lado esquerdo tocando um instrumento de sopro. Esses instrumentos eram utilizados em diversas ocasiões, como celebrações festivas, funerais ou durante os conflitos militares, para dar sinalizações aos soldados.

Esse mosaico representa uma cena de caçada. Essa prática era comum entre membros da elite romana e fazia parte de suas atividades de lazer. 
Nessa cena, dois homens, acompanhados de um cachorro, carregam um javali recém-capturado. O cachorro era usado como animal de guarda e frequentemente participava das caçadas com seus donos.

Os afrescos romanos 


Os romanos costumavam pintar cenas do cotidiano em paredes, conforme indicam os registros arqueológicos datados do século I a.C. em diante. Uma das principais técnicas que eles utilizavam era a dos afrescos. 
Na maioria das vezes, essas pinturas eram bem planejadas, levando em consideração a posição da parede e a luminosidade do ambiente. O tema da pintura, geralmente, era escolhido pela pessoa que encomendava a obra.

Detalhe de afresco do século I a.C. representando pescadores romanos em uma embarcação.

Detalhe de afresco do século I representando romanos realizando atividades de lazer, como um jogo de bola.

Cultura e entretenimento 


A produção literária foi uma importante expressão cultural da civilização romana. Inspirados nas técnicas e nos temas da literatura grega, os romanos produziram grandes obras escritas, como Eneida, de Virgílio, e História de Roma, de Tito Lívio. 
Em Roma, havia uma variedade de espetáculos de entretenimento, como os teatrais, que mostravam ao público cenas baseadas nos costumes romanos da época. Havia também as corridas de quadrigas (carros puxados por animais), o circo e as lutas de gladiadores (geralmente escravos). 
As lutas eram uma paixão coletiva, e esses eventos eram financiados pelos patrícios. Muitos plebeus e escravos preenchiam as plateias dos anfiteatros para torcer pelos lutadores. 

As condições de vida na metrópole


Por volta de 27 a.C., quando o imperador Augusto subiu ao poder, vivia em Roma quase um milhão de pessoas em situação extremamente precária, em moradias pequenas e aglomeradas.
A cidade cresceu tanto e tão rápido que as consequências não demoraram a aparecer. Havia falta de habitações, os aluguéis eram caros, trânsito caótico, criminalidade, alto custo de vida e impostos elevados que incidiam sobre quase tudo. O desemprego era um dos maiores problemas, pois a cidade não suportava a demanda dos camponeses que chegavam em busca de trabalho.
As condições de saúde e higiene eram tão precárias que a cidade exalava um terrível mau cheiro. Plínio, o Jovem, escritor e orador, para disfarçar esse fedor, sugeriu que fossem queimados pães. [...]

ANDE, Edna; LEMOS, Sueli. Roma: arte na idade antiga. São Paulo: Callis, 2011. p. 43.

Gravura do século XIX da cidade de Roma no auge do Império Romano.


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