domingo, 11 de outubro de 2026

Nascimento do cristianismo

Durante o período imperial, surgiu na Palestina, região dominada pelos romanos, uma nova religião que se baseava nos ensinamentos de Jesus Cristo: o cristianismo. 
Hebreu nascido na cidade de Belém durante o governo do imperador Augusto, foi o fundador dessa nova crença. Seus seguidores, os cristãos, acreditavam que Jesus era o filho de Deus e que tinha sido enviado à Terra para redimir a humanidade de seus pecados, pregar o amor ao próximo – sem distinção entre ricos e pobres – e garantir a salvação eterna. 
Com cerca de 30 anos, Jesus começou a pregar pela Judeia e pela Galileia. Afirmava que as pessoas deveriam amar a Deus e a seu semelhante. Para ele, todas as pessoas eram iguais entre si, e as que aceitassem sua mensagem seriam salvas e viveriam ao lado de Deus quando morressem.
A doutrina de Jesus, de caráter monoteísta, era oposta à das autoridades romanas, que acreditavam que os imperadores tinham caráter divino. Ao mesmo tempo, irritou os sacerdotes judeus, que não reconheciam Jesus como o Messias enviado por Deus. 
Jesus pregava que Deus era seu Pai. Dizia também que era o messias tão aguardado pelo povo hebreu. Seus seguidores, então, espalharam-se pelo império para divulgar seus ensinamentos. 
As ideias cristãs criticavam o abuso de poder por parte dos governantes, mas foram atraindo muitos seguidores espalhados pelo Império, sobretudo es cravos, plebeus desempregados, pessoas pobres dos campos e das cidades.
Os sacerdotes do templo de Jerusalém, entretanto, condenaram suas pregações, considerando que elas desafiavam as leis judaicas. Assim, mandaram prendê-lo e o julgaram em um tribunal religioso chamado Sinédrio. 
Em seguida, por considerá-lo culpado, os sacerdotes hebreus enviaram-no ao governador da província da Judeia, Pôncio Pilatos (século I d.C.), alegando, entre outras acusações, que ele provocava desordens, condenava o pagamento de tributos e planejava uma revolta contra Roma.
O resultado foi a morte de Jesus, pregado em uma cruz, ao lado de dois ladrões, no monte Calvário, nos arredores de Jerusalém. De acordo com a crença cristã, Jesus Cristo ressuscitou e, em seguida, voltou para Deus.


Detalhe de painel em relevo, do século IV, que representa Jesus sendo levado por legionário romano à presença do governador Pôncio Pilatos.

Depois da morte de Jesus, seus seguidores mais próximos, chamados de apóstolos, continuaram pregando seus ensinamentos. A nova crença entrou em choque com a crença dos romanos e de outros povos, que eram politeístas. 
Os primeiros cristãos foram duramente perseguidos pelas autoridades e tiveram de se reunir secretamente. Descobertos, muitos foram crucificados e mortos. Vários também foram condenados a enfrentar gladiadores e leões nos circos romanos.
Mesmo com as perseguições, as comunidades cristãs se organizavam nas grandes cidades do Império Romano. O estímulo ao amor e à igualdade entre as pessoas, a insistência na paz e a crença em uma vida após a morte junto de Deus atraíam multidões, a maioria agricultores e trabalhadores urbanos pobres, mulheres, escravos e demais marginalizados pela sociedade romana.

O CRISTIANISMO PRIMITIVO 


Os seguidores de Jesus difundiam seus ensinamentos pelos lugares que visitavam. Alguns deles chegaram a escrever sobre a vida e o pensamento de Jesus em livros que, posteriormente, foram chamados de evangelhos (palavra de origem grega que significa boa-nova). A pregação dos seguidores de Cristo atraía, em especial, os pobres e os escravizados. 
À medida que o cristianismo se propagava, as autoridades romanas mostravam-se intolerantes. A rejeição dos seguido res de Cristo à escravidão e a recusa em aceitar a divindade do imperador eram atitudes vistas como desobediência a Roma. De tempos em tempos, os cristãos despertavam ondas de repressão do Estado romano. Essas perseguições se intensificaram principalmente entre os séculos II e III.
O cristianismo era considerado uma ameaça à autoridade dos imperadores e, por quase três séculos, o governo romano não permitiu que fosse praticado no Império. 
Nesse período, as cerimônias religiosas cristãs eram realizadas em segredo, nos subterrâneos de Roma, conhecidos como catacumbas. Quem fosse descoberto naqueles esconderijos era condenado à morte, geralmente enfrentando leões nos espetáculos públicos.

AS GRANDES PERSEGUIÇÕES 


Com medo da repressão, os cristãos praticavam seus rituais em segredo, reunindo-se às escondidas em cemitérios subterrâneos, as catacumbas. Nesses locais, além dos ritos funerários e da comemoração do aniversário dos mártires – os que morreram por não negar a fé cristã –, os cristãos realizavam seus cultos. 

Detalhe de pintura do século III d.C., em catacumba romana. Proibidos de professar sua fé, os primeiros cristãos reuniam-se nas catacumbas. Imagens como essa podem ser encontradas em diversas catacumbas romanas e são importantes documentos sobre a história dos primeiros cristãos.

Contudo, as cerimônias subterrâneas levantaram ainda mais suspeitas. Como consequência, em época de crise política, os governantes apontavam os cristãos como responsáveis pelos problemas que ocorriam no império, ordenando perseguições em massa e punições públicas, como o açoite, a decapitação e a crucificação. 

Detalhe de mosaico romano do século III d.C., encontrado na Líbia atual, uma região dominada pelos romanos na Antiguidade. O mosaico retrata um prisioneiro (ao centro), possivelmente cristão, condenado à morte na arena. Essa forma de condenação era bastante frequente nos primeiros séculos do cristianismo. 

A primeira grande perseguição aconteceu durante o governo do imperador Nero, em 64 d.C., e a última – e mais violenta – deu-se em 305 d.C., sob o governo do imperador Diocleciano.

ROMA SE TORNA CRISTà


A perseguição aos cristãos não desestimulou a dis seminação da nova fé. Ao contrário, o número de adeptos só aumentou, como se pode observar neste mapa. Contudo, o cristianismo só pôde ser praticado livremente após o imperador Constantino (272 d.C.-337 d.C.) se converter a essa religião e instituir, em 313 d.C., a liberdade de culto no império com o Édito de Milão.
Ele também proibiu o trabalho aos domingos, pois esse dia era considerado sagrado para os cristãos. Com essas mudanças, a disseminação do cristianismo pelo império se acelerou e restrições à antiga religião romana foram impostas. Em 353, o imperador Constâncio II, filho de Constantino, determinou o fechamento dos templos pagãos e o fim de sacrifícios aos deuses. 
Em 391, o imperador Teodósio tornou o cristianismo a religião oficial do império e aboliu os cultos aos antigos deuses. A partir de então, os cristãos começaram a perseguir os pagãos com a mesma violência com que foram perseguidos em Roma, no início da era cristã.

AS MULHERES NA ROMA CRISTà

Em Roma, as mulheres não exerciam cargos públicos porque não eram considera das cidadãs. Para os romanos antigos, o principal papel social das mulheres era cuidar da família e do lar. Com a oficialização do cristianismo, a situação não se alterou muito: esperava-se que as mulheres, a quem os cristãos consideravam responsáveis pelo pecado original, fossem obedientes e submissas aos homens, como forma de alcançar a salvação e o perdão de seus pecados.

Estudos científicos realizados a partir de esqueletos de judeus que viveram no século I indicam que, nessa época, um homem comum desse povo tinha em média 1,55 m de altura, cerca de 50 quilos e pele morena.
Portanto, de acordo com os cientistas, o rosto de Jesus seria parecido com o dessa imagem criada digitalmente.




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