Durante o período imperial, surgiu na Palestina, região dominada pelos romanos, uma nova religião que se baseava nos ensinamentos de Jesus Cristo: o cristianismo.
Hebreu nascido na
cidade de Belém durante o governo do imperador Augusto, foi o fundador dessa nova crença. Seus seguidores, os cristãos, acreditavam que Jesus era o filho de Deus e que tinha sido enviado à Terra para redimir a humanidade de seus pecados, pregar o amor ao próximo – sem distinção entre ricos e pobres – e garantir a salvação eterna.
Com cerca de 30 anos, Jesus começou a pregar pela Judeia e pela Galileia. Afirmava que as pessoas deveriam amar a Deus e a seu semelhante. Para ele, todas as pessoas eram iguais entre si, e
as que aceitassem sua mensagem seriam salvas e viveriam ao lado de Deus quando morressem.
A doutrina de Jesus, de caráter monoteísta, era oposta à das autoridades romanas, que acreditavam que os imperadores tinham caráter divino. Ao mesmo tempo, irritou os sacerdotes judeus, que não reconheciam Jesus como o Messias enviado por Deus.
Jesus pregava que Deus era seu Pai. Dizia também que era o messias tão aguardado pelo povo hebreu. Seus seguidores, então, espalharam-se pelo império para divulgar seus ensinamentos.
As ideias cristãs criticavam o abuso de poder por parte dos governantes,
mas foram atraindo muitos seguidores espalhados pelo Império, sobretudo es
cravos, plebeus desempregados, pessoas pobres dos campos e das cidades.
Os sacerdotes do templo de Jerusalém, entretanto, condenaram suas pregações, considerando
que elas desafiavam as leis judaicas. Assim, mandaram prendê-lo e o julgaram em um tribunal religioso chamado Sinédrio.
Em seguida, por considerá-lo culpado, os sacerdotes
hebreus enviaram-no ao governador da província da Judeia, Pôncio Pilatos
(século I d.C.), alegando, entre outras acusações, que ele provocava desordens, condenava o pagamento de tributos e planejava uma revolta contra
Roma.
O resultado foi a morte de Jesus, pregado em uma cruz, ao lado de
dois ladrões, no monte Calvário, nos arredores de Jerusalém. De acordo com
a crença cristã, Jesus Cristo ressuscitou e, em seguida, voltou para Deus.
Detalhe de painel em relevo, do século IV, que representa Jesus sendo levado por legionário
romano à presença do governador Pôncio Pilatos.
Depois da morte de Jesus, seus seguidores mais próximos, chamados
de apóstolos, continuaram pregando seus ensinamentos. A nova crença entrou em choque com a crença dos romanos e de outros povos, que
eram politeístas.
Os primeiros cristãos foram duramente perseguidos pelas autoridades e tiveram de se reunir secretamente. Descobertos, muitos foram crucificados e mortos. Vários também foram condenados a enfrentar gladiadores e leões nos circos romanos.
Mesmo com as perseguições, as comunidades cristãs se organizavam nas grandes cidades do Império Romano. O estímulo ao amor e à
igualdade entre as pessoas, a insistência na paz e a crença em uma vida
após a morte junto de Deus atraíam multidões, a maioria agricultores e
trabalhadores urbanos pobres, mulheres, escravos e demais marginalizados pela sociedade romana.
O CRISTIANISMO PRIMITIVO
Os seguidores de Jesus difundiam seus ensinamentos pelos
lugares que visitavam. Alguns deles chegaram a escrever sobre
a vida e o pensamento de Jesus em livros que, posteriormente,
foram chamados de evangelhos (palavra de origem grega que
significa boa-nova). A pregação dos seguidores de Cristo atraía,
em especial, os pobres e os escravizados.
À medida que o cristianismo se propagava, as autoridades
romanas mostravam-se intolerantes. A rejeição dos seguido
res de Cristo à escravidão e a recusa em aceitar a divindade do
imperador eram atitudes vistas como desobediência a Roma.
De tempos em tempos, os cristãos despertavam ondas de repressão do Estado romano. Essas perseguições se intensificaram principalmente entre os séculos II e III.
O cristianismo era considerado uma ameaça à autoridade dos imperadores e, por quase três séculos, o governo
romano não permitiu que fosse praticado no Império.
Nesse período, as cerimônias religiosas cristãs eram realizadas
em segredo, nos subterrâneos de Roma, conhecidos como
catacumbas. Quem fosse descoberto naqueles esconderijos
era condenado à morte, geralmente enfrentando leões nos
espetáculos públicos.
AS GRANDES PERSEGUIÇÕES
Com medo da repressão, os cristãos praticavam seus rituais
em segredo, reunindo-se às escondidas em cemitérios subterrâneos, as catacumbas. Nesses locais, além dos ritos funerários e
da comemoração do aniversário dos mártires – os que morreram
por não negar a fé cristã –, os cristãos realizavam seus cultos.
Detalhe de pintura do século
III d.C., em catacumba romana.
Proibidos de professar sua fé, os
primeiros cristãos reuniam-se
nas catacumbas. Imagens como
essa podem ser encontradas em
diversas catacumbas romanas e
são importantes documentos sobre
a história dos primeiros cristãos.
Contudo, as cerimônias subterrâneas levantaram ainda mais
suspeitas. Como consequência, em época de crise política, os
governantes apontavam os cristãos como responsáveis pelos
problemas que ocorriam no império, ordenando perseguições
em massa e punições públicas, como o açoite, a decapitação e
a crucificação.
Detalhe de mosaico romano do
século III d.C., encontrado na Líbia
atual, uma região dominada pelos
romanos na Antiguidade.
O mosaico retrata um prisioneiro
(ao centro), possivelmente cristão,
condenado à morte na arena. Essa
forma de condenação era bastante
frequente nos primeiros séculos do
cristianismo.
A primeira grande perseguição aconteceu durante o governo
do imperador Nero, em 64 d.C., e a última – e mais violenta –
deu-se em 305 d.C., sob o governo do imperador Diocleciano.
ROMA SE TORNA CRISTÃ
A perseguição aos cristãos não desestimulou a dis
seminação da nova fé. Ao contrário, o número de adeptos
só aumentou, como se pode
observar neste mapa.
Contudo, o cristianismo só
pôde ser praticado livremente
após o imperador Constantino
(272 d.C.-337 d.C.) se converter
a essa religião e instituir, em
313 d.C., a liberdade de culto no
império com o Édito de Milão.
Ele também proibiu o trabalho aos domingos, pois esse
dia era considerado sagrado
para os cristãos. Com essas
mudanças, a disseminação do
cristianismo pelo império se acelerou e restrições à antiga religião romana foram impostas. Em 353, o imperador Constâncio II,
filho de Constantino, determinou o fechamento dos templos pagãos e o fim de sacrifícios aos deuses.
Em 391, o imperador Teodósio tornou o cristianismo a religião oficial do império e aboliu os cultos aos antigos deuses.
A partir de então, os cristãos começaram a perseguir os pagãos
com a mesma violência com que foram perseguidos em Roma,
no início da era cristã.
AS MULHERES NA ROMA CRISTÃ
Em Roma, as mulheres
não exerciam cargos públicos
porque não eram considera
das cidadãs. Para os romanos
antigos, o principal papel social das mulheres era cuidar
da família e do lar. Com a oficialização do cristianismo, a
situação não se alterou muito:
esperava-se que as mulheres,
a quem os cristãos consideravam responsáveis pelo pecado
original, fossem obedientes e
submissas aos homens, como
forma de alcançar a salvação
e o perdão de seus pecados.
Estudos científicos realizados a partir de esqueletos de judeus que viveram no século I indicam que, nessa época, um homem comum desse povo tinha em média 1,55 m de altura, cerca de 50 quilos e pele morena.
Portanto, de acordo com os cientistas, o rosto de Jesus seria parecido com o dessa imagem criada digitalmente.




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