domingo, 11 de outubro de 2026

Legado cultural romano

A expansão territorial romana favoreceu o intercâmbio entre sua cultura e as culturas dos povos conquistados.
Influenciados pelos gregos, os romanos valorizavam a criatividade, a sabedoria e outras qualidades humanas. Assim, representaram o humanismo nas artes, sobretudo na pintura e na escultura.
Os deuses gregos foram adotados pelos romanos, que deram a eles nomes latinos. O deus grego Zeus passou à mitologia romana como Júpiter; Afrodite, deusa grega do amor, tornou-se Vênus; Poseidon, que os gregos consideravam o deus dos mares, ficou conhecido pelos romanos como Netuno; Ártemis, a deusa da caça, foi chamada Diana.
Com a formação do Império, os romanos divulgaram o latim por várias regiões, e ele deu origem a outros idiomas falados atualmente, como italiano, português, espanhol, francês, romeno, entre outros.
O Direito Romano, código de leis vigente em Roma, foi usado como modelo para leis posteriores. Ainda hoje, ele é estudado para ajudar a compreender as ideias nas quais se baseiam algumas leis.
Os romanos também criaram formas de utilizar o espaço público e o privado. A engenharia e a arquitetura foram muito desenvolvidas nas cidades do Império, como demonstram as construções erguidas com diversas finalidades: teatros, templos, arcos, fóruns, moradias, jardins, fontes, termas, aquedutos, estradas, entre outras.

Produções artísticas 


A arquitetura romana destacou-se como a arte capaz de combinar o útil com o belo. Os romanos construíram, por exemplo, anfiteatros, termas, aquedutos, templos, palácios e monumentos. 
Com as conquistas militares, as construções foram se tornando mais elaboradas, demonstrando a riqueza da sociedade romana. A arquitetura adquiriu um aspecto grandioso com a introdução de elementos como as abóbadas, as cúpulas e as colunas de origens gregas. Além disso, as construções eram decoradas com esculturas.
Os romanos tornaram-se grandes construtores. Ergueram aquedutos para levar água encanada para as cidades e abriram estradas de enorme qualidade, que ligavam a capital às terras conquistadas. 
A água encanada, no entanto, era um privilégio das confortáveis casas das famílias ricas romanas. Nas moradias da população pobre, que eram edifícios de pequenos cômodos denominados insulae, a água não chegava aos andares superiores. A maio ria das cidades era dotada de banheiros públicos, termas (onde era possível tomar banho), teatros, arenas e hipódromos.

Religião 


No período monárquico, os romanos eram politeístas e cultuavam vários deuses em altares nos seus domicílios. Ofereciam leite, mel e vinho para os antepassados e espíritos ligados à família, chamados por eles de lares. Os romanos, inspirados nos gregos, passaram a cultuar também os deuses do panteão olímpico, embora adotassem nomes latinos para as divindades. 
Com o estabelecimento da República, a religiosidade romana passou a se expandir gradualmente dos ambientes privados para cerimônias religiosas públicas. As festividades e cerimônias públicas contribuíram para o sentimento de pertencimento a uma mesma comunidade, com crenças, rituais e costumes comuns.

Teatros e anfiteatros 


Durante o Império Romano, foram construídos muitos teatros. Eles tinham a forma semicircular. Os romanos tinham admiração pelas comédias e pelas tragédias teatrais, inspiradas na tradição grega. Nas cidades mais importantes havia também os anfiteatros (arenas ovais ou circulares) ao ar livre. As arenas eram rodeadas de degraus que serviam de assentos para os espectadores, onde os romanos gostavam de assistir às lutas de gladiadores.

Cena de dois gladiadores lutando no Coliseu de Roma no filme Gladiador (Estados Unidos, 2000), dirigido por Ridley Scott. Essa ficção conta a história de um general romano da época de Marco Aurélio que, depois de lutar para conter a invasão dos germanos, é traído pelo filho do imperador.

Os combates dos gladiadores, entre si ou contra animais ferozes, eram espetáculos populares. Na cidade de Roma, um dos lugares onde aconteciam os espetáculos era a arena conhecida como Coliseu, onde cabiam quase 90 mil pessoas.

Termas e aquedutos 


Aqueduto é uma construção que conduz água de uma fonte até um reservatório na cidade. Os aquedutos começaram a ser construídos nos domínios romanos a partir do século IV a.C. Os romanos achavam tão importante ter acesso à água fresca que, só em Roma, havia mais de 400 quilômetros de aquedutos, fornecendo cerca de 300 milhões de litros de água por dia aos moradores da cidade. 
As termas eram lugares para banhos, práticas esportivas e culturais. Elas eram encontradas em todas as grandes cidades romanas. Só na Roma do século IV a.C. havia cerca de mil termas. 
As termas contavam com fornos para fornecimento de água quente, morna e fria, salas de massagem e de ginástica, além de quadras de esportes. Nesses locais, havia também bibliotecas, salas de música e salões para conversar.

Escultura e arcos do triunfo 


Na escultura romana, foram importantes as influências culturais etrusca e grega. No entanto, ao contrário dos gregos, que idealizavam seus modelos, os escultores romanos procuravam criar obras mais fiéis e realistas. 
Havia diferentes tipos de esculturas, estátuas equestres (cavaleiro montado em seu cavalo), retratos de pessoas e relevos históricos. Nesses relevos, era comum a representação de vitórias militares e de políticos importantes para decorar fachadas de palácios, templos e arcos do triunfo.
Os arcos do triunfo são um tipo de monumento decorativo em formato de arco, construído em locais públicos. Geralmente, tinham como objetivo homenagear governantes ou militares que se sobressaíam em guerras. 
Esses homens e seus comandados costumavam desfilar pelas ruas de Roma e passar sob o arco, exibindo as riquezas e os escravos (os prisioneiros de guerra) obtidos nas regiões conquistadas.

Esse entalhe em pedra é uma parte do Arco de Tito (81 d.C.), construído em Roma para celebrar a conquista de Jerusalém. Durante a conquista, o exército romano saqueou e destruiu o templo de Jerusalém, como mostra a representação. 


O Direito Romano


Os romanos nos deixaram uma vasta herança cultural, artística e linguística. O legado jurídico, representado pelo Direito Romano, por exemplo, exerceu influência profunda em muitos países. 
O desenvolvimento do Direito foi uma das principais características culturais da Roma antiga. Os romanos criaram um conjunto de leis que foram aplicadas em seus vastos domínios e se referiam a muitos aspectos da vida social.
O primeiro passo dado pelos romanos na formulação de leis escritas que dariam origem ao Direto Romano aconteceu em 450 a.C., com a criação da Lei das Doze Tábuas, ou Lex Duodecimim Tabularum.
Desde o primeiro código escrito (a Lei das Doze Tábuas, do século V a.C.), as leis se ampliaram e passaram por muitas modificações.
Os princípios legais das Doze Tábuas, mesmo sofrendo algumas modificações ao longo do tempo, foram seguidos em quase todo o império por cerca de mil anos. 
Mesmo com a queda do Império Romano do Ocidente, muitos princípios da Lei das Doze Tábuas continuaram vigorando no Império Romano do Oriente. Com a ascensão do imperador Justiniano, em 527, esses princípios foram reinterpretados e compilados.
Mas nem tudo o que estava escrito nas leis era devidamente cumprido na prática social. Existia muita desigualdade na vida cotidiana e isso se refletia na aplicação das leis. Por exemplo, se um cidadão pobre processasse um cidadão romano poderoso, seria quase impossível ganhar o processo.

Monumento em homenagem ao imperador Justiniano. Escópia, Macedônia do Norte, 2020

O Corpo do Direito Civil 


Esse trabalho de reinterpretação e compilação das leis romanas deu origem ao Corpo do Direito Civil (Corpus Juris Civilis), base do sistema jurídico de vários países, como Alemanha, França, Japão, Indonésia, México e Brasil. Conheça a seguir alguns dos princípios de Direito Romano presentes em nossa sociedade. 
• Cuique suum: princípio básico da justiça, significa que a cada um pertence aquilo que é seu. 
• Dura Lex, sed lex: a lei é dura, mas é a lei. 
• Nullum crimen, nulla poena sine lege: não há crime nem pena sem que a lei decida.

Língua e literatura 


Roma foi fundada em uma região chamada Lácio (ou Latium) e seus habitantes falavam latim. Essa era a língua oficial do Império Romano. A literatura da Roma antiga, escrita em latim, produziu obras de diversos gêneros, como poesia, prosa, comédia, tragédia, sátira, história e biografia. Muitas dessas obras, por sua beleza, elegância e profundidade, marcaram a história da literatura ocidental.

Alguns dos principais autores latinos foram: 

• os poetas Virgílio (70 a.C.-19 a.C.), autor de poemas como Eneida, inspirado nas obras gregas Ilíada e Odisseia; Horácio (65 a.C.-8 a.C.) e Ovídio (43 a.C.-17 d.C.); 
• o filósofo e político Cícero (106 a.C.-43 a.C.); 
• o historiador Tito Lívio (59 a.C.-17 d.C.).

Latim: a língua dos romanos 


Várias línguas antigas influenciaram na formação do latim, entre elas o osco, o umbro e o grego. Com a expansão do Império Romano, o latim foi levado a diferentes regiões e passou a ser falado por um grande número de pessoas. A escrita latina era registrada de diferentes maneiras.

As línguas neolatinas 


Com a expansão do Império Romano, o latim foi bastante difundido e, aos poucos, misturou-se com as línguas faladas nas províncias conquistadas. Dessa mistura, originaram-se várias línguas, como o italiano, o espanhol, o francês, o romeno e o português. Em função de sua origem comum, essas línguas são chamadas de românicas ou neolatinas.
O latim se tornou a língua oficial do império por volta do século II, mas os registros escritos encontrados nas diferentes regiões do Império Romano não foram feitos só nessa língua. O grego também foi muito utilizado, principalmente pelas pessoas mais instruídas. Outras línguas, como o púnico e o aramaico, também eram faladas. 

Inscrição em latim feita no século II.

Apesar dessa variedade linguística, o latim foi a língua mais difundida no século V, mesmo após a desagregação do império. No entanto, por causa da diversidade de culturas no império, essa língua se fundiu com outras e deu origem ao que chamamos de línguas neolatinas, entre elas estão italiano, espanhol, francês e português.

As línguas neolatinas guardam semelhanças entre si.  A seguir, observe essas semelhanças nas traduções da frase “Ars longa, vita brevis”, do médico grego Hipócrates: 

• português: “A arte é longa, a vida é curta”; 

• espanhol: “El arte es largo, la vida es corta”; 

• francês: “L’art est long, la vie est courte”; 

• italiano: “L’arte è lunga, la vita è corta”; 

• romeno: “Arta este lunga, viata este scurtã”.

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