A expansão territorial romana favoreceu o intercâmbio entre sua cultura e as culturas dos povos conquistados.
Influenciados pelos gregos, os romanos valorizavam a criatividade, a sabedoria e outras qualidades humanas. Assim, representaram o humanismo nas artes, sobretudo na pintura e na escultura.
Os deuses gregos foram adotados pelos romanos, que deram a eles nomes latinos. O deus grego Zeus passou à mitologia romana como Júpiter; Afrodite, deusa grega do amor, tornou-se Vênus; Poseidon, que os gregos consideravam o deus dos mares, ficou conhecido pelos romanos como Netuno; Ártemis, a deusa da caça, foi chamada Diana.
Com a formação do Império, os romanos divulgaram o latim por várias regiões, e ele deu origem a outros idiomas falados atualmente, como italiano, português, espanhol, francês, romeno, entre outros.
O Direito Romano, código de leis vigente em Roma, foi usado como modelo para leis posteriores. Ainda hoje, ele é estudado para ajudar a compreender as ideias nas quais se baseiam algumas leis.
Os romanos também criaram formas de utilizar o espaço público e o privado. A engenharia e a arquitetura foram muito desenvolvidas nas cidades do Império, como demonstram as construções erguidas com diversas finalidades: teatros, templos, arcos, fóruns, moradias, jardins, fontes, termas, aquedutos, estradas, entre outras.
Produções artísticas
A arquitetura romana destacou-se como a arte capaz de combinar o útil com
o belo. Os romanos construíram, por exemplo, anfiteatros, termas, aquedutos,
templos, palácios e monumentos.
Com as conquistas militares, as construções foram se tornando mais elaboradas, demonstrando a riqueza da sociedade romana. A arquitetura adquiriu
um aspecto grandioso com a introdução de elementos como as abóbadas, as
cúpulas e as colunas de origens gregas. Além disso, as construções eram decoradas com esculturas.
Os romanos tornaram-se grandes construtores. Ergueram aquedutos para
levar água encanada para as cidades e abriram estradas de enorme qualidade,
que ligavam a capital às terras conquistadas.
A água encanada, no entanto, era
um privilégio das confortáveis casas das famílias ricas romanas.
Nas moradias da população pobre, que eram edifícios de pequenos cômodos denominados insulae, a água não chegava aos andares superiores. A maio
ria das cidades era dotada de banheiros públicos, termas (onde era possível
tomar banho), teatros, arenas e hipódromos.
Religião
No período monárquico, os romanos eram politeístas e cultuavam vários
deuses em altares nos seus domicílios. Ofereciam leite, mel e vinho para os
antepassados e espíritos ligados à família, chamados por eles de lares. Os romanos, inspirados nos gregos, passaram a cultuar também os deuses do panteão
olímpico, embora adotassem nomes latinos para as divindades.
Com o estabelecimento da República, a religiosidade romana passou a se
expandir gradualmente dos ambientes privados para cerimônias religiosas públicas. As festividades e cerimônias públicas contribuíram para o sentimento de pertencimento a uma mesma comunidade, com crenças, rituais e costumes comuns.
Teatros e anfiteatros
Durante o Império Romano, foram construídos muitos teatros. Eles tinham
a forma semicircular. Os romanos tinham admiração pelas comédias e pelas
tragédias teatrais, inspiradas na tradição grega.
Nas cidades mais importantes havia também
os anfiteatros (arenas ovais ou circulares) ao
ar livre. As arenas eram rodeadas de degraus
que serviam de assentos para os espectadores,
onde os romanos gostavam de assistir às lutas
de gladiadores.
Cena de dois gladiadores
lutando no Coliseu de Roma
no filme
Gladiador
(Estados
Unidos, 2000), dirigido por
Ridley Scott. Essa ficção conta a
história de um general romano
da época de Marco Aurélio que,
depois de lutar para conter a
invasão dos germanos, é traído
pelo filho do imperador.
Os combates dos gladiadores, entre si ou
contra animais ferozes, eram espetáculos populares. Na cidade de Roma, um dos lugares
onde aconteciam os espetáculos era a arena
conhecida como Coliseu, onde cabiam quase
90 mil pessoas.
Termas e aquedutos
Aqueduto é uma construção que conduz água de uma fonte até um reservatório na cidade. Os aquedutos começaram a ser construídos nos domínios
romanos a partir do século IV a.C. Os romanos achavam tão importante ter
acesso à água fresca que, só em Roma, havia mais de 400 quilômetros de
aquedutos, fornecendo cerca de 300 milhões de litros de água por dia aos
moradores da cidade.
As termas eram lugares para banhos, práticas esportivas e culturais. Elas eram
encontradas em todas as grandes cidades romanas. Só na Roma do século IV a.C.
havia cerca de mil termas.
As termas contavam com fornos para fornecimento de água quente, morna
e fria, salas de massagem e de ginástica, além de quadras de esportes. Nesses
locais, havia também bibliotecas, salas de música e salões para conversar.
Escultura e arcos do triunfo
Na escultura romana, foram importantes as influências culturais etrusca e
grega. No entanto, ao contrário dos gregos, que idealizavam seus modelos, os
escultores romanos procuravam criar obras mais fiéis e realistas.
Havia diferentes tipos de esculturas, estátuas equestres (cavaleiro montado
em seu cavalo), retratos de pessoas e relevos históricos. Nesses relevos, era
comum a representação de vitórias militares e de políticos importantes para
decorar fachadas de palácios, templos e arcos do triunfo.
Os arcos do triunfo são um tipo de monumento decorativo em formato de arco, construído em locais públicos. Geralmente, tinham como objetivo homenagear governantes ou militares que se sobressaíam em guerras.
Os arcos do triunfo são um tipo de monumento decorativo em formato de arco, construído em locais públicos. Geralmente, tinham como objetivo homenagear governantes ou militares que se sobressaíam em guerras.
Esses homens
e seus comandados costumavam desfilar pelas ruas de Roma e passar sob o
arco, exibindo as riquezas e os escravos (os prisioneiros de guerra) obtidos nas
regiões conquistadas.
Esse entalhe em pedra é uma parte do Arco de Tito (81 d.C.), construído em Roma para celebrar a conquista de Jerusalém. Durante a
conquista, o exército romano saqueou e destruiu o templo de Jerusalém, como mostra a representação.
O Direito Romano
Os romanos nos deixaram uma vasta
herança cultural, artística e linguística. O
legado jurídico, representado pelo Direito
Romano, por exemplo, exerceu influência
profunda em muitos países.
O desenvolvimento do Direito foi uma das principais características culturais
da Roma antiga. Os romanos criaram um conjunto de leis que foram aplicadas
em seus vastos domínios e se referiam a muitos aspectos da vida social.
O primeiro passo dado pelos romanos
na formulação de leis escritas que dariam
origem ao Direto Romano aconteceu em
450 a.C., com a criação da Lei das Doze Tábuas, ou Lex Duodecimim Tabularum.
Desde o primeiro código escrito (a Lei das Doze Tábuas, do século V a.C.), as
leis se ampliaram e passaram por muitas modificações.
Os princípios legais das Doze Tábuas,
mesmo sofrendo algumas modificações
ao longo do tempo, foram seguidos em
quase todo o império por cerca de mil
anos.
Mesmo com a queda do Império
Romano do Ocidente, muitos princípios
da Lei das Doze Tábuas continuaram vigorando no Império Romano do Oriente.
Com a ascensão do imperador Justiniano,
em 527, esses princípios foram reinterpretados e compilados.
Mas nem tudo o que estava escrito nas leis era devidamente cumprido na
prática social. Existia muita desigualdade na vida cotidiana e isso se refletia na
aplicação das leis. Por exemplo, se um cidadão pobre processasse um cidadão
romano poderoso, seria quase impossível ganhar o processo.
O Corpo do Direito Civil
Esse trabalho de reinterpretação e compilação das
leis romanas deu origem ao Corpo do Direito Civil
(Corpus Juris Civilis), base do sistema jurídico de vários
países, como Alemanha, França, Japão, Indonésia,
México e Brasil.
Conheça a seguir alguns dos princípios de Direito
Romano presentes em nossa sociedade.
• Cuique suum: princípio básico da justiça, significa
que a cada um pertence aquilo que é seu.
• Dura Lex, sed lex: a lei é dura, mas é a lei.
• Nullum crimen, nulla poena sine lege: não há crime
nem pena sem que a lei decida.
Língua e literatura
Roma foi fundada em uma região chamada Lácio (ou Latium) e seus habitantes falavam latim. Essa era a língua oficial do Império Romano.
A literatura da Roma antiga, escrita em latim, produziu obras de diversos
gêneros, como poesia, prosa, comédia, tragédia, sátira, história e biografia.
Muitas dessas obras, por sua beleza, elegância e profundidade, marcaram a
história da literatura ocidental.
Alguns dos principais autores latinos foram:
• os poetas Virgílio (70 a.C.-19 a.C.), autor de poemas como Eneida, inspirado nas obras gregas Ilíada e Odisseia; Horácio (65 a.C.-8 a.C.) e Ovídio
(43 a.C.-17 d.C.);
• o filósofo e político Cícero (106 a.C.-43 a.C.);
• o historiador Tito Lívio (59 a.C.-17 d.C.).
Latim: a língua dos romanos
Várias línguas antigas influenciaram na formação do latim, entre elas o osco, o
umbro e o grego. Com a expansão do Império Romano, o latim foi levado a diferentes regiões e passou a ser falado por um grande número de pessoas. A escrita
latina era registrada de diferentes maneiras.
As línguas neolatinas
Com a expansão do Império Romano, o latim foi bastante difundido e, aos
poucos, misturou-se com as línguas faladas nas províncias conquistadas. Dessa
mistura, originaram-se várias línguas, como o italiano, o espanhol, o francês,
o romeno e o português. Em função de sua origem comum, essas línguas são
chamadas de românicas ou neolatinas.
O latim se tornou a língua oficial do império por volta do século II, mas os registros
escritos encontrados nas diferentes regiões do Império Romano não foram feitos só
nessa língua. O grego também foi muito utilizado, principalmente pelas pessoas mais
instruídas. Outras línguas, como o púnico e o aramaico, também eram faladas.
Apesar dessa variedade linguística, o latim foi a língua mais difundida no século V, mesmo após a desagregação do império. No entanto, por causa da diversidade de culturas no império, essa língua se fundiu com outras e deu origem ao
que chamamos de línguas neolatinas, entre elas estão italiano, espanhol, francês e português.
As línguas neolatinas guardam semelhanças entre si. A seguir, observe essas
semelhanças nas traduções da frase “Ars longa, vita brevis”, do médico grego
Hipócrates:
• português: “A arte é longa, a vida é curta”;
• espanhol: “El arte es largo, la vida es corta”;
• francês: “L’art est long, la vie est courte”;
• italiano: “L’arte è lunga, la vita è corta”;
• romeno: “Arta este lunga, viata este scurtã”.




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