Na Antiguidade, a prática da escravidão era amplamente difundida. Em Roma, assim como na Grécia, os escravizados e seus filhos podiam ser vendidos, comprados ou alugados. A condição de cativo era hereditária, ou seja, passava de pai para filho.
A sociedade romana baseava-se no trabalho escravo. Durante o período de conquistas territoriais e de expansão do Império, houve um aumento no número de
pessoas escravizadas, pois grande parte dos prisioneiros de guerra era escravizada
pelos romanos.
No período da fundação de Roma, havia poucos escravizados, que trabalhavam principalmente em atividades agrícolas e na criação de animais. Eles eram prisioneiros de guerra ou pessoas que não tinham como quitar suas dívidas. A escravidão por dívidas foi suspensa a partir do século IV a.C.
A maioria dos escravizados trabalhava em grandes propriedades rurais e muitas
vezes não conhecia seu senhor. O trabalho nessas propriedades era árduo e havia
pouco tempo para descansar.
Além dos trabalhos no campo, os escravizados executavam outras tarefas, como
trabalho nas minas ou na construção de estradas e edifícios. Nos centros urbanos,
havia muitos escravizados domésticos.
Detalhe de réplica da Coluna de
Trajano, construída no século II,
representando pessoas escravizadas
abastecendo uma embarcação com
diversos produtos
Com a expansão romana, o número de escravizados aumentou. Eles foram utilizados nos mais variados tipos de trabalho: na mineração, na agricultura, nos trabalhos domésticos, no comércio etc.
Mosaico do século III que representa um escravizado trabalhando em uma cidade no Império Romano.
Escravizados também atuavam como gladiadores, músicos, pedagogos, poetas e filósofos. Nas atividades em que era necessário estabelecer laços de confiança com o senhor, os cativos podiam receber uma comissão e até comprar a liberdade. Um escravizado liberto por um cidadão romano podia tornar-se cidadão.
Com o desenrolar das conquistas, Roma passou a basear grande parte
de sua economia no trabalho escravo. Os escravos eram fundamentalmente
prisioneiros de guerra, o que obrigava os governantes a se empenharem,
constantemente, na conquista de novos territórios. Os escravos podiam pertencer ao Estado ou a particulares. Trabalhavam nas grandes obras públicas, oficinas, agricultura, minas, pedreiras e também como criados, músicos,
professores, secretários, podiam também ser gladiadores [...].
Com o sucesso das conquistas, aumentou significativamente o número de es
cravos advindos das capturas de prisioneiros de guerra. Até o século III a.C. havia em Roma apenas alguns poucos escravos. Porém, após o sucesso romano nas
guerras púnicas, a partir do século III a.C., o número de escravos multiplicou-se
muito. Os cidadãos ricos passaram a possuir centenas e por vezes milhares de
escravos. Os grandes proprietários exploravam o trabalho escravo em seus do
mínios, enquanto os comerciantes
e administradores o utilizavam em
suas lojas, oficinas e escritórios.
Devido aos maus-tratos, houve tanto em Roma como na Itália inúmeras revoltas de escravos nos séculos II e I a.C. [...].
FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma.
São Paulo: Contexto, 2007. p. 95-96.
(Coleção Repensando a História)
A revolta de Espártaco
Espártaco nasceu na Trácia, região ao norte da Grécia, por volta de 113 a.C., onde trabalhou
como pastor e soldado. Por deixar o exército, foi escravizado e vendido a uma escola de gladia
dores. Em 73 a.C., liderou a última grande revolta escrava do mundo romano, reunindo cerca de
90 mil escravizados sob seu comando. As autoridades romanas precisaram mobilizar 10 legiões
para derrotar os rebeldes.
Milhares de escravizados e homens livres pobres aderiram à rebelião. À frente de um exército de ex-escravizados, que chegou a ter cerca de 100 mil combatentes, Espártaco venceu tropas romanas por diversas vezes e dominou boa parte do sul da Itália.
Em 71 a.C., os exércitos romanos se uniram e conseguiram vencer os rebeldes. Como castigo exemplar, Espártaco e cerca de 6 mil seguidores foram presos, crucificados e expostos ao longo da via Ápia, estrada que ligava Roma a Cápua.
[...] Um romano de classe alta tem em casa dezenas de [escravizados]; um
romano da classe média (evidentemente bastante rico para viver sem fazer
nada) tem um, dois ou três. [...] A condição dos escravos varia consideravelmente, desde a doméstica encarregada dos trabalhos mais duros até o todo--poderoso administrador que [...] gere todos os negócios do amo e recebe os
cuidados dos maiores médicos quando adoece. [...]
VEYNE, Paul (org.). História da vida privada: do Império Romano ao ano mil.
São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 67.



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