A civilização romana se desenvolveu na Península Itálica, região localizada no sul da Europa, banhada pelo Mar Mediterrâneo. A existência de recursos hídricos e de terras relativamente férteis favoreceu a prática da agricultura, atraindo diferentes povos para lá ao longo do tempo.
Na área central da península (denominada Lácio ou Latium, em latim), viviam, por exemplo, os povos latinos – responsáveis pela criação do núcleo que deu origem à cidade de Roma. Ao longo do tempo, eles mantiveram diferentes formas de contato com seus vizinhos – às vezes amistosas, outras não. Tais contatos definiram diversos aspectos da civilização romana. Dois dos povos que viveram nessa região merecem destaque por sua influência na formação romana: os gregos, ao sul, e os etruscos, ao norte.
A partir do século VIII a.C., nas proximidades do Mar Mediterrâneo, os gregos fundaram colônias como Neapolis (hoje chamada Nápoles) e Heracleia, no sul da Península Itálica, e Agrigento, Siracusa e Panormos (hoje Palermo), na Sicília. Eles chamavam essa região de Magna Grécia. Lá encontraram os cartagineses (descendentes dos fenícios) e os demais povos itálicos. Tais povos impediram o avanço dos gregos para outras áreas.
Os romanos, portanto, tiveram contato próximo com as colônias gregas. Por essa razão, adotaram vários elementos da religião, da arte e da cultura gregas. Por exemplo, o consumo de produtos derivados de uvas e de azeitonas, como vinho e azeite produzidos pelos gregos, era comum entre os povos do Mediterrâneo, incluindo os romanos.
Os povos etruscos
Os povos etruscos foram fundamentais na formação de Roma. Como você estudará a seguir, eles exerceram influência, por exemplo, na arte, na arquitetura, nas estratégias de guerra, na forma de escrever e na organização social dos romanos.
Os etruscos viviam em cidades-Estado. Por volta do século VIII a.C., eles formavam uma das principais potências da região. Apesar de não terem constituído uma civilização unificada, os povos que habitavam a Etrúria compartilhavam a língua, a escrita, os deuses e os costumes. Eles estabeleceram amplas redes comerciais, negociando com os gregos e os fenícios.
A fundação da cidade de Roma
Assim como outros povos da Antiguidade, os romanos criaram histórias para explicar sua origem. O mais conhecido mito de fundação de Roma é a lenda dos irmãos gêmeos Rômulo e Remo, contada pelo poeta latino Virgílio em uma obra do século I a.C., chamada Eneida.
A Eneida conta a história do troiano Eneias, herói que fugiu de Troia em direção ao Lácio depois de ser derrotado pelos gregos. Segundo a tradição, o filho de Eneias fundou o reino de Alba Longa, inaugurando uma dinastia de reis. Uma das descendentes dessa dinastia era Rea Sílvia, que engravidou de Marte, o deus romano da guerra, e deu à luz os gêmeos Rômulo e Remo. Depois de um desentendimento, Remo teria sido morto pelo irmão, Rômulo, que teria fundado Roma em 753 a.C.
Do mito à história
Apesar de intrigante, a narrativa mitológica da fundação da cidade de Roma não é confirmada pelas informações reveladas pelos vestígios arqueológicos. Os romanos criaram o mito séculos depois da fundação da cidade, quando já haviam se tornado uma potência. Assim, provavelmente eles queriam associar sua cidade a uma família de reis com sangue divino e guerreiro. Afinal, os gêmeos eram filhos do deus da guerra com uma princesa
A narrativa lendária funcionou como forma de engrandecer a cidade, que, como muitas outras da época, resultou de assentamentos. Formados em uma área pantanosa nas proximidades do Rio Tibre, por volta de 1000 a.C., eles foram iniciados, provavelmente, por comunidades de pastores e agricultores que viviam nas colinas da região, em cabanas de madeira e de ramos entrelaçados.
Por volta de 700 a.C., Roma passou por mudanças sociais e econômicas. O contato dos latinos com os etruscos e suas caravanas comerciais aumentou. Por influência dos etruscos, os latinos drenaram os pântanos. Assim, puderam construir casas de tijolos e telhas, fora das colinas.
A divisão da sociedade romana entre nobres e seus dependentes também foi incorporada dos etruscos. No século VII a.C., Roma já havia se tornado um centro comercial que atraía populações de outras regiões.
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