Sabemos que os povos da Antiguidade tinham diferentes crenças e imaginaram muitas lendas,
e a fundação de Roma também foi cercada por uma história lendária. Os romanos acreditavam
que sua história havia começado com o nascimento de dois meninos gêmeos, filhos de Reia Silvia,
uma mulher mortal, e de Marte, o deus da guerra.
De acordo com o mito sobre a origem de Roma, havia na região um pequeno reino, Alba Longa, governado pelo rei Numitor. Ele tinha um irmão, Amúlio, que o prendeu e tomou seu lugar. Temendo que sua sobrinha, Rea Silvia, tivesse um filho que herdasse o trono, mandou prendê-la também. Todavia, o deus Marte apaixonou-se por ela e deu-lhe dois filhos gêmeos: Rômulo e Remo. Ao saber disso, Amúlio mandou que os bebês fossem atirados no Rio Tibre para que morressem.
A correnteza acabou levando o cesto com os gêmeos para as margens do rio, em uma região
próxima ao monte Palatino. Os meninos foram encontrados por uma loba, que os amamentou e
cuidou deles como se fossem seus filhotes.
Escultura em bronze feita no século XV d.C. Ela representa a Loba
Capitolina amamentando os gêmeos Rômulo e Remo.
Certo dia, eles foram encontrados por Fáustulo, um pastor, que lhes deu os nomes de Rômulo e Remo. Quando jovens, ao conhecerem toda a história de seu nascimento, os
irmãos retornaram a Alba Longa e expulsaram Amúlio do
reino, devolvendo o trono ao avô. Numitor recompensou os
netos permitindo que eles fundassem uma cidade.
Eles então retornaram às margens do Rio Tibre, onde haviam crescido, e fundaram Roma. Na disputa pelo poder sobre a cidade, Rômulo matou Remo, tornando-se o primeiro governante de Roma.
Os mitos que descrevem a origem de um local ou de uma instituição são
conhecidos como mitos fundadores ou mitos de fundação. No caso do mito
de Rômulo e Remo, por exemplo, a origem de Roma é atribuída à ação de
filhos de um deus; logo, a própria cidade é elevada a uma condição divina.
Os mitos de fundação são comuns em diversas culturas pelo mundo e,
geralmente, buscam associar o elemento que fundamentam à ideia de uma
grandeza que vai além da realidade humana.
Relevo em altar dedicado aos deuses Marte e Vênus feito no século I d.C. Representações do mito de Rômulo e Remo apareciam em mosaicos, relevos, moedas, medalhas e joias romanas, especialmente durante o Império. A águia, por exemplo, era símbolo da Roma antiga.
Portanto, o mito expressa o modo como os romanos compreendiam a si mesmos, interpretavam suas origens e buscavam diferenciar-se de outros povos.
A narrativa de superação seria também uma espécie de previsão sobre o futuro de Roma, destinada à grandiosidade. A disputa entre os irmãos e a morte de Remo simbolizavam as guerras e a violência que definiram a história romana.



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