A sociedade romana era patriarcal, ou seja, um tipo de sociedade em que o homem exerce autoridade preponderante. O homem tinha direito de vida e morte sobre a esposa e os filhos.
Durante a Roma antiga, os principais papéis atribuídos às mulheres eram os
de mãe, esposa e guardiã do lar. No entanto, saindo do ambiente doméstico,
o que predominou na sociedade romana foi uma situação desfavorável às
mulheres.
O acesso à educação era um privilégio de poucos. Meninas e meninos podiam aprender a ler, a escrever e a calcular. No entanto, o caminho dos estudos
terminava mais cedo para as meninas.
Na infância, as meninas das famílias patrícias recebiam aulas de arte, música e dança. Depois aprendiam a fiar, a tecer e a cuidar do orçamento doméstico.
Nas famílias mais ricas, os casamentos davam-se, em geral, por meio de um acordo entre os pais dos noivos. As mulheres costumavam se casar entre 12 e 18 anos, geralmente com homens mais velhos, de 30 ou 40 anos. Esses acordos familiares não costumavam acontecer nas famílias mais pobres e, ali, a diferença de idade entre os noivos não era tão grande.
Ao contrário das mulheres atenienses, as romanas tinham maior autonomia e não levavam uma vida isolada; interagiam mais com os homens e podiam participar de banquetes e reuniões. Também tinham direito à propriedade e a exercer atividades comerciais.
A participação feminina na vida pública da cidade era admitida em certas festas e atividades. Algumas chegavam a adquirir propriedades rurais. As senhoras casadas saíam pouco
de casa e, quando apareciam em público, vestiam roupas que encobriam o corpo.
Uma das maiores desigualdades ocorria na política, pois as mulheres não tinham o direito de participar das decisões do governo. Todos os cargos políticos
do Estado eram exercidos por homens.
Embora impedidas de participar da política de Roma, as mulheres não ficavam distantes dos eventos nessa esfera da sociedade. Faziam campanha para candidatos e até chegavam a organizar protestos. Um dos mais conhecidos aconteceu em 195 a.C., quando um grupo de mulheres invadiu o centro de Roma exigindo dos magistrados a abolição de uma lei que as proibia de exibir adornos luxuosos.
Relevo que representa uma mulher romana e seu filho em um
banquete, com criada trazendo um cesto de comida, século II.
Entre as famílias mais ricas, o pai exercia autoridade sobre a esposa, os filhos, os clientes e os escravos. Assim, tradicionalmente, era o pai quem decidia sobre o casamento de seus filhos. Os principais objetivos do casamento eram aumentar o patrimônio e gerar descendentes.
Apesar dessa tradição, a partir do século I, aumentaram os casos de mulheres
que participavam da escolha de seus futuros maridos e que administravam seus
próprios bens.
Na vida cotidiana, atividades como cozinhar, tecer e cuidar de crianças eram
desempenhadas sobretudo por mulheres. Além dessas atividades, elas realizavam outros trabalhos, que variavam de acordo com sua condição social.
Assim, havia muitas mulheres que trabalhavam na agricultura, no comércio
e no artesanato. Também houve mulheres que se dedicaram às atividades religiosas e se tornaram importantes sacerdotisas.
As mulheres participavam de vários eventos públicos, assistindo, por exemplo,
às lutas de gladiadores, às apresentações teatrais e aos jogos. De modo geral, alguns historiadores indicam que, em comparação com as mulheres gregas, as romanas tinham mais liberdade e não ficavam tão limitadas ao ambiente doméstico.
As mulheres romanas costumavam tingir os cabelos de loiro e
maquiar os olhos com grafite ou açafrão. As tinturas eram feitas
com sebo de carneiro e cinzas. No caso de cabelos muito escuros, era comum o uso de perucas, feitas com cabelos de mulheres germânicas ou gaulesas.
As romanas também apreciavam os perfumes, que podiam ser
feitos de rosas, flores da manjerona ou açafrão. As mais ricas preferiam aromas obtidos da mistura de vários ingredientes, como a
mirra, a canela, a amêndoa e o bálsamo, alguns deles importados
do Oriente.
Mosaico do século V que
retrata senhora rica sendo
auxiliada por funcionárias de
casa termal (terma).
Essa peça foi encontrada na
atual Tunísia, região que fazia
parte do Império Romano
na época. Museu Nacional
de Barbo, Tunísia.
Ainda conforme essas fontes, esperava-se que as mulheres ricas se casassem com homens da mesma camada social e cuidassem de seu domus (sua casa), dedicando-se a atividades domésticas ou relacionadas a elas, como a tecelagem.
A última esposa de Augusto, Lívia Drusa, era o modelo de
comportamento para as mulheres da elite: uma figura maternal e piedosa, que sempre buscava a paz. Em 16 a.C., ela foi a
primeira mulher a ter sua imagem gravada em moedas provinciais. Assim, seus trajes e penteados ditaram moda em
todo o império.
Depois de sua morte, Lívia foi divinizada e se tornou referência para as imperatrizes seguintes. Assim, outras formas de
existência feminina entre os membros da elite foram silenciadas
no Império Romano.


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