Depois que as tentativas de reformas dos irmãos Graco fracassaram, a crise
política piorou em Roma. Os plebeus lutavam para melhorar suas condições de
vida, mas os patrícios lutavam para manter seus privilégios, e isso agravou o quadro de agitações sociais e de crise nas instituições políticas.
Nessa época, muitos generais desfrutavam de grande popularidade, graças às
vitórias obtidas nas guerras de conquista. Alguns desses generais chegaram ao
poder, passando a desrespeitar as normas legais e a não aceitar as determinações do Senado.
Entre eles, estava Caio Mário (157-86 a.C.), que em 107 a.C. foi eleito cônsul
com o apoio da plebe. Ele reduziu os poderes do Senado e realizou reformas no
exército com profundas consequências para a República romana.
As reformas de Caio Mário
Caio Mário aboliu a exigência
de possuir bens para ingressar
no exército e, como forma de
remuneração, estabeleceu a
participação dos soldados nos
resultados das pilhagens dos
povos conquistados. Desse
modo, a carreira militar tornou-se uma boa opção profissional, principalmente para
os plebeus. Os soldados pro
fissionais passaram a ser mais
fiéis ao seu general do que ao
Estado republicano.
As reformas de Caio Mário agravaram a crise da República, pois contribuíram para a formação de exércitos
particulares e abriram caminho para
que generais ditadores chegassem
ao poder.
Na tentativa de solucionar a crise do governo, o Senado aumentou de dois para três o número de cônsules, escolhidos entre os chefes militares, o que representava a implantação de uma nova forma de governo, o Triunvirato (palavra latina que significa “três em um”).
Instituído no ano 60 a.C., o Primeiro Triunvirato era formado pelos generais Júlio César, Pompeu e Crasso. No entanto, a morte de Crasso em combate na Ásia, em 53 a.C., precipitou a disputa de poder entre Pompeu e Júlio César.
Nessa disputa, o Senado apoiou Pompeu e o nomeou como líder máximo de Roma, pois temia o grande prestígio de Júlio César perante a plebe e o exército romano por ter vencido os habitantes da Gália (atual França).
Além disso, Júlio César envolveu-se com uma mulher estrangeira, Cleópatra, a rainha dos egípcios, que haviam se tornado um povo protegido por Roma. Ignorando a decisão do Senado, Júlio César invadiu Roma com suas tropas, forçando a fuga de Pompeu para a Grécia, e de lá para o Egito, onde mandou assassiná-lo.
Com essas manobras políticas e militares, ele conseguiu que os senadores o nomeassem ditador vitalício. Júlio César promoveu diversas reformas, com as quais ampliou ainda mais o apoio da população romana:
- dividiu as terras e criou colônias para atrair às áreas rurais os plebeus que estavam sem trabalho nas cidades;
- concedeu cidadania aos povos conquistados;
- determinou que os grandes proprietários de terra empregassem pelo me nos um terço de trabalhadores livres;
- anulou o poder do Senado;
- limitou os poderes dos tribunos e das assembleias;
fez diversas obras públicas;
- reformou o calendário romano e criou o mês de julho em sua própria homenagem.
Agravaram-se as divergências entre Júlio César e os senadores, que o acusavam de querer o fim da república e o retorno da monarquia. Tais disputas políticas pareciam pôr em risco a continuidade da república romana.
Outro general que chegou ao poder com o apoio de suas tropas foi Otávio, filho
adotivo de Júlio César. Em 27 a.C., Otávio derrotou seus concorrentes e assumiu
sozinho o poder, adotando o nome de Augusto, ou seja, “o venerado”. Otávio
Augusto tornou-se, assim, o primeiro imperador de Roma.
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