domingo, 20 de setembro de 2026

A ÁFRICA ANTIGA

A África é o berço da humanidade. Nossos ancestrais mais remotos nasceram no continente africano e lá deram seus primeiros passos. Ali, desenvolveu-se ainda a civilização egípcia, uma das mais antigas do mundo.
Também é africano o país mais recente do mundo: em 2011, foi oficializada a criação do Sudão do Sul.
Nessa região floresceu no passado um importante reino africano conhecido como Reino de Cuxe. Esse reino surgiu por volta do século IX a.C. e existiu por mais de 1 200 anos. Cortado por rotas de mercadores, o Reino de Cuxe foi um grande centro comercial da África na Antiguidade.

O SAARA VERDE


O Saara é um deserto que divide o continente africano em duas grandes áreas: ao norte fica a chamada África setentrional e ao sul, a África subsaariana. Mas nem sempre essa região foi desértica como nos dias de hoje.
Há cerca de 5 mil anos, parte do atual deserto era verde e com recursos hídricos permanentes. Recentemente, cientistas encontraram nesse local fósseis de animais como crocodilos, elefantes e hipopótamos. Na região onde hoje é a Líbia, por exemplo, existem pinturas rupestres representando girafas. Essas evidências indicam que o Saara teve uma fauna bastante diversificada. Além disso, pesquisadores descobriram anzóis milenares, vestígios que sugerem que os grupos humanos da região praticavam a pesca.
De acordo com os estudos, o processo de desertificação do Saara iniciou-se em algum momento entre 5000 a.C. e 2000 a.C., por causa de diversas mudanças climáticas. Pouco a pouco, as espécies animais foram desaparecendo, os rios e lagos secaram e os grupos humanos que ali viviam migraram em busca de terras para a pastagem do gado.
Muitos migraram para o norte, em direção à chamada África setentrional, enquanto outros permaneceram na região, como os ancestrais dos berberes.

 Pintura rupestre com representação de girafa na caverna Tadrart Acacus, na Líbia, 2016.

Povos do deserto 


Os povos nômades que habitavam o deserto foram os responsáveis por promover o intercâmbio entre o norte e o sul do continente africano. Povos como os tuaregues e os azenegues fizeram essa interligação por meio da prática do comércio.
Ao se locomoverem com mulas e camelos, os comerciantes conheciam profundamente a região. Sabiam como enfrentar a aridez e dominavam as rotas que levavam aos oásis do Saara. No primeiro milênio antes de Cristo, duas rotas principais cortavam o deserto: uma ligava a atual região do Marrocos ao Mali, enquanto outra interligava a atual região da Tunísia ao Chade. Com o passar do tempo, diversas outras rotas transaarianas foram criadas.
A atividade comercial do Saara começou a entrar em declínio no século XIX. No entanto, o papel dos povos nômades foi além do intercâmbio comercial. Enquanto cruzavam as rotas transaarianas, eles difundiam informações, hábitos e costumes, promovendo o intercâmbio cultural entre os diversos locais percorridos. Algumas sociedades africanas antigas e suas diferentes formas de organização política e social. Algumas delas eram de pequenos agrupamentos, organizados em torno de uma aldeia; outras se estabeleceram em torno de uma cidade, como nas cidades-Estado dos sumérios. 
Havia também grandes reinos e impérios com amplos domínios territoriais. De modo geral, grande parte das sociedades africanas era hierarquizada, havendo nobres, plebeus, estrangeiros e pessoas escravizadas. Conhecer o passado dessas sociedades contribui para desmitificar ideias equivocadas a respeito da África que subsistem até os dias de hoje.




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