domingo, 20 de setembro de 2026

Sociedade e poder no Antigo Egito

Os grupos sociais do Egito antigo dividiam-se principalmente de acordo com o trabalho ou função social que cada um desempenhava. A maioria da população egípcia era composta de camponeses, seguidos pelos diferentes artesãos. 
No Antigo Egito as chances de ascensão social eram mínimas. Quase sempre o indivíduo nascia e morria pertencendo ao mesmo grupo social.
Alguns historiadores consideram que também havia escravos. Porém, eles não eram numerosos e não constituíam a principal mão de obra dessa sociedade.
No topo da hierarquia social encontravam-se o faraó e membros de sua família. Logo abaixo, vinham sacerdotes, chefes militares e funcionários do governo. Vamos conhecer alguns aspectos da sociedade egípcia.
 

O faraó


O ponto mais alto da escala social era ocupado pelo faraó. Além de rei, ele era considerado um deus vivo que tinha poderes para controlar as forças da natureza e proteger a sociedade.
Os egípcios acreditavam, por exemplo, que as cheias do Nilo e as boas colheitas dependiam do poder do faraó. A crença de que ele era uma divindade sofreu variações no decorrer da história do Egito antigo, sendo às vezes fortalecida e, em outras, enfraquecida.
O faraó exercia controle de boa parte das terras e das atividades econômicas no Egito antigo, auxiliado por nobres, sacerdotes e funcionários do governo.
No Egito, desde o mais humilde camponês até o poderoso faraó acreditavam na existência de uma vida após a morte. Por isso, vários faraós ordenaram a construção de imensos túmulos, as pirâmides. Para o faraó, mandar erguer uma pirâmide era uma forma de garantir sua “casa da eternidade”, local onde esperava continuar desfrutando dos prazeres terrenos.
Para os egípcios, o faraó era mais do que um ser de origem divina:  era o próprio deus. Ele era o governante máximo, o comandante militar e o juiz supremo do Egito. Além disso, era considerado o dono de todas as terras egípcias; por isso, recebia impostos (pagos em produto), acumulando assim enorme riqueza.

Representação do faraó Ramsés II (1290 a.C.-1224 a.C.) em sua carruagem durante uma batalha.

Os faraós construíam para si túmulos  magníficos, como as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos, edificadas por faraós do Antigo Império que tinham esses nomes e eram parentes entre si.

Os altos funcionários e os sacerdotes


Entre os altos funcionários do governo egípcio, estavam o vizir e o escriba.
O vizir (tjati) também era um importante funcionário do governo. Ele era o chefe da administração e da justiça, comandando uma enorme quantidade de funcionários, como administradores locais, juízes e supervisores das obras públicas.
O vizir era a maior autoridade do Egito depois do faraó; ele comandava a polícia, a justiça e a arrecadação de impostos em todo o Império.

  Relevo da tumba do vizir egípcio Ramose (1364 a.C.-1347 a.C.).

Os escribas eram funcionários do governo que sabiam ler, escrever e contar. Eles geralmente trabalhavam nos palácios e nos templos copiando decretos do governo, contabilizando a saída e a entrada de mercadorias, anotando o pagamento das taxas e escrevendo obras literárias e religiosas.

Representação de um escriba em relevo egípcio. Museu do Louvre, Paris.

Os escribas, por sua vez, também ocupavam posição de destaque; eles trabalhavam para o Estado, para os templos religiosos e para o Exército. Para exercer a profissão de escriba, a pessoa precisava estudar desde a idade de cinco anos em uma escola especial, onde aprendia cálculo, leitura e escrita. De posse desses conhecimentos, os escribas faziam o controle de toda a vida econômica do Egito: as áreas cultivadas, os rebanhos, o volume da colheita, os impostos arrecadados etc.

Escriba principal dos arquivos reais de Saqqara. Antigo Império, 6a dinastia (2345 a.C.-2181 a.C.). 

Já os sacerdotes executavam os serviços religiosos e administravam os templos, que geralmente eram muito ricos por causa da população, que fazia oferendas e pagava impostos para esses templos.
Os sacerdotes conduziam as cerimônias religiosas, administravam os templos e recebiam as oferendas dos fiéis. Por isso, detinham muitas riquezas e exerciam forte influência política.
Escultura em granito representando um sacerdote. 26a dinastia (664 a.C.-525 a.C.).


Artesãos, comerciantes e militares


No Egito antigo, havia diferentes tipos de artesãos, como barqueiros, tecelões, padeiros e cervejeiros. Havia também artesãos que se especializavam em atividades como mumificar corpos e decorar túmulos, pintando ou esculpindo.
Os artesãos que produziam artigos considerados de luxo trabalhavam, quase sempre, em oficinas de templos ou de palácios das cidades. Eles produziam esculturas em pedra e em madeira, peças de ourivesaria, vasos de alabastro ou faiança, tecidos finos, etc.
Além dos artesãos urbanos, existiam aqueles que trabalhavam em oficinas nos campos, produzindo tecidos, artigos de couro, vasilhas de cerâmica, entre outros objetos.

Sarcófagos egípcios que se encontram atualmente no Museu Britânico em Londres.

Os artesãos egípcios (carpinteiros, ferreiros, joalheiros) eram conhecidos no mundo antigo. Com a madeira, faziam brinquedos, móveis, barcos etc.; com adobe, areia e pedra, construíam casas e os palácios; com o ferro, confeccionavam
armas, instrumentos de trabalho e carros de guerra; com o papiro, produziam o papel e uma variedade de outros objetos; com os metais, faziam joias e ornamentos.
Nos períodos de maior prosperidade, como no Novo Império, o comércio interno e externo cresceu, possibilitando o aumento da riqueza dos comerciantes. 
Com as guerras de conquista durante o Novo Império, os militares do Egito antigo também conseguiram riqueza e prestígio; muitos deles lutavam por concessões de terra ou por parte dos saques realizados durante essas guerras.

Os camponeses e os escravizados


Os camponeses, chamados no Egito antigo de felás, constituíam a maioria da população e tinham uma vida muito difícil; nas propriedades agrícolas eles faziam todo tipo de serviço (arar, plantar, colher, abrir canais, construir e consertar) e, em troca, recebiam apenas uma pequena parte do que plantavam. E ainda tinham de pagar um imposto em produto (cereais), que era recolhido aos armazéns do faraó. Além disso, eram obrigados a trabalhar em obras do governo, como abertura de estradas, limpeza de canais e transporte de pedras usadas na construção de túmulos, templos e palácios.
Cultivavam principalmente trigo (usado para fazer pães), cevada (para o preparo da cerveja), linho (para fazer tecidos), legumes, verduras e uvas (para fazer vinho). Também criavam bois, carneiros, cabras, porcos e, posteriormente, cavalos.
Além dessas atividades, eles também caçavam e pescavam. No entanto, a carne era um alimento de luxo para a maior parte da população. Os mais pobres só comiam carne em ocasiões especiais.
No final do período das cheias do rio Nilo, os camponeses aravam e semeavam a terra, trabalhando em duplas. Enquanto um revolvia a terra usando ara dos e enxadas, o outro lançava as sementes.
Para colher os cereais, eles utilizavam instrumentos de madeira, pedra ou metal. Depois de separar as cascas, armazenavam os grãos em celeiros.
De acordo com alguns historiadores, os camponeses egípcios viviam em regime de servidão coletiva. Isso porque provavelmente a maioria deles estava ligada à terra que cultivava e era obrigada a entregar parte dos cereais, do linho e dos rebanhos como imposto ao governo. Além disso, era frequentemente convocada para trabalhar em obras públicas, como a construção de palácios, templos e pirâmides.

Cena agrícola em pintura mural egípcia, 18a dinastia (c.1567 a.C.-1320 a.C.). 

A prática de escravizar pessoas é antiga e existiu em diversas sociedades. De modo geral, chamamos de escravo aquele que está sob o domínio de um senhor. Este senhor pode utilizar o trabalho do escravo sem remunerá-lo, pode vendê-lo ou alugá-lo.
Os escravizados constituíam a minoria da população e eram, geralmente, prisioneiros de guerra. Eles faziam os trabalhos mais pesados e perigosos em minas, pedreiras e nas grandes obras públicas.
Na Mesopotâmia e no Egito antigo, havia pequena quantidade de escravos que, por isso, não representavam a principal fonte de mão de obra. Esses escravos tinham uma vida bem diferente da dos escravos da Grécia e de Roma.
Alguns historiadores afirmam que os escravos da Mesopotâmia e do Egito podiam, em certas condições, ter alguns bens, casar-se com pessoas livres e até prestar testemunhos em tribunais.
No Egito antigo, os escravos eram, sobretudo, prisioneiros de guerra que realizavam desde tarefas domésticas até trabalhos em construções públicas, minas e pedreiras.

Mulheres no Egito antigo 


Segundo o historiador e escritor francês Christian Jacq, as mulheres desempenhavam importantes papéis sociais e políticos no Egito antigo. Nessa sociedade, o sistema jurídico garantia igualdade de condições ao homem e à mulher.
Assim, no Egito antigo, houve mulheres faraós, sacerdotisas, funcionárias do governo, artesãs, camponesas. É certo que os faraós egípcios, na grande maioria, foram homens, mas algumas mulheres também governaram com esse título. 
Uma delas foi Hatshepsut, que reinou durante cerca de duas décadas no século XV a.C. Sob o governo dessa faraó, foram construídas e restauradas edificações em várias partes do Egito. 
Seu reinado foi considerado pacífico e próspero. Além de Hatshepsut, outra faraó famosa foi Cleópatra, que governou entre 51 a.C. e 30 a.C., época em que o Egito era dominado pelos romanos. 

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