Desde a origem da humanidade até hoje, a África se destaca pelo grande número de povos com práticas, costumes, hábitos e crenças distintos. Essa riqueza fica muito clara quando observamos a atual diversidade religiosa do continente.
Muitas religiões africanas se organizaram em torno de crenças politeístas, cultuando deuses que representavam aspectos variados da natureza, espíritos, outras entidades e os ancestrais da comunidade. Nessas religiões, existia a crença de que alguns indivíduos tinham poderes especiais para entrar em contato com deuses e outras entidades, a fim de solicitar o apoio desses seres para a proteção da comunidade e de seus membros.
Também existiram povos que criaram religiões politeístas associadas à organização política da sociedade, como as religiões do Antigo Egito e do Reino de Cuxe. Nessas religiões, o governante era visto como um deus, motivo pelo qual deveria ser respeitado por todos. Por sua vez, os sacerdotes tinham grande poder, podendo auxiliar o governante a comandar a sociedade.
Além das religiões criadas pelos povos africanos, muitas sociedades foram influenciadas por religiões de outras partes do mundo. Os maiores exemplos são as religiões monoteístas, como o cristianismo e o islamismo, que se disse minaram pela África ao longo do tempo e atualmente são as religiões com mais fiéis no continente.
A religião banta
A base da religiosidade dos povos bantos era a
crença na existência de dois mundos diferentes: o visível (no qual estavam todos os seres vivos, os minerais e os fenômenos naturais) e o invisível (formado
por espíritos da natureza e divindades).
A organização desses dois mundos ocorria por um
sistema de hierarquias. Primeiramente apareciam os
seres do mundo invisível, cujo mais alto posto pertencia a uma divindade suprema – responsável pela criação de tudo que existe –, que era seguida por outros
deuses, espíritos, antepassados e entidades. Logo de
pois vinham os seres do mundo visível, com as autoridades políticas das comunidades bantas, seguidos de
tudo o que existia em ordem de importância.
O deus criador de todas as coisas recebia diferentes nomes, como Kalunga, Lessa ou Nzambi, e ele
não intervinha na vida e no mundo visível. Os bantos
acreditavam que essa divindade ordenou aos filhos
divinizados que se responsabilizassem pela manutenção da ordem do mundo visível. Foi a ação desses
deuses que teria dado origem às primeiras linhagens
dos povos bantos.
De acordo com as crenças bantas, existiam também os espíritos dos ancestrais (espíritos de pessoas
que, em um passado longínquo, contribuíram para o
desenvolvimento das comunidades) e dos antepassa
dos (espíritos de parentes que, depois de mortos, continuavam protegendo as comunidades). Além deles,
havia os espíritos da natureza, considerados importantes porque podiam ser convocados para solicitar o
auxílio das divindades.
Um aspecto essencial das crenças religiosas dos
bantos é que o mundo invisível estava em permanente contato com o mundo visível; ou seja, os poderes
fornecidos pelos espíritos e divindades serviam para
proteger os membros da comunidade e garantir sua
continuidade. Por essa razão, as pessoas considera
das capazes de se comunicar com o mundo invisível
tinham grande importância.
Esses intermediários entre os dois mundos recebiam diversos nomes, como
nganga ou ndoki, e por meio de rituais podiam realizar
curas de doenças ou problemas físicos, solicitar sorte
favorável em combates e outras ações benéficas.
A religião iorubá
A cultura iorubá surgiu em regiões que correspondem ao atual território
da Nigéria. De lá, seus praticantes se espalharam para diversas áreas da África
Ocidental, construindo uma importante civilização. Não existiu um Estado que
unisse todos os povos iorubás: formaram-se diversas sociedades independentes, que muitas vezes não estabeleciam contato entre si. Ainda assim, havia
elementos culturais comuns que possibilitaram aproximar essas diversas sociedades, como a religião iorubá.
A base da religião iorubá, de forma semelhante ao que vimos na religião
banta, é a crença de que existem dois mundos. No caso iorubá, o mundo chamado de Orum consiste em um plano espiritual. Já o Aiyê é o plano material,
onde estão os seres vivos.
No início de tudo, os dois mundos estavam unidos e o deus criador de todas as
coisas, chamado Olorum ou Olodumaré, permitia que os seres humanos vives
sem em contato direto com as divindades iorubás, os orixás. Todavia, quando os
humanos se tornaram desobedientes, Olorum decidiu separar os dois mundos.
A partir de então, os deuses foram separados dos seres humanos e o contato direto foi impossibilitado. A única forma de os seres humanos entrarem em
contato com o mundo espiritual era por meio de rituais, nos quais as entidades
utilizavam o corpo dos seres humanos para atuar no mundo físico.
O sacerdote responsável pela comunicação com o mundo espiritual recebe
o nome de babalaô. Por meio dele, seria possível solicitar a proteção e a realização de ações mágicas para auxiliar nos problemas.
As crenças dos povos iorubás não eram baseadas na noção de bem e mal,
mas sim na existência de uma força vital presente em tudo o que existe. A religião era politeísta, e os iorubás cultuavam muitas divindades que representavam aspectos da natureza, dos conhecimentos técnicos e de outras dimensões
da vida, como o deus do ferro (chamado Ogum), o deus da justiça (Xangô) e o
deus da chuva (Oxumarê).
Além disso, os iorubás cultuavam seus ancestrais e acreditavam que aqueles
que morriam passavam a fazer parte do mundo espiritual, ajudando a proteger
os membros da comunidade.
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