domingo, 20 de setembro de 2026

América indígena

Ao longo do tempo, os povos originários que viviam no continente americano receberam diversos nomes por parte dos estudiosos. Vejamos alguns deles:
• pré-colombianos – termo que tem como referência a chegada do navegador e explorador genovês Cristóvão Colombo à América;
• nativos – termo que designa aqueles que nascem e vivem em um local;
• índios – termo que se popularizou por conta de um equívoco de Colombo, que não sabia que havia encontrado um novo continente, acreditando ter chegado às Índias.

Todos esses nomes são convenções criadas para se referir a mais de 3 mil povos diferentes que viviam na América antes da chegada dos europeus no século XV. Apesar dessa diversidade, atualmente esses povos preferem termos como povos originários ou indígenas para se auto identificar, lutar por seus direitos e valorizar suas culturas.
O povoamento da América ocorreu há cerca de 11 mil a 50 mil anos. Desde então, diversos povos habitaram o território ao longo do tempo. Eles se organizaram de diferentes maneiras: de pequenos grupos até sociedades bastante complexas que chegaram a formar reinos e impérios. 
Há muito tempo, o continente americano é habitado por diversos povos. Entre eles, podemos destacar os olmecas, os maias, os astecas, os incas e os tupis-guaranis.
Atualmente, estudiosos analisam a possível trajetória e o modo de vida desses povos. De acordo com pesquisas, por volta de 5 mil anos atrás, grupos humanos já desenvolviam a agricultura na região da Mesoamérica, por exemplo, com o cultivo de espécies como o milho.
O desenvolvimento da agricultura favoreceu a criação de aldeias sedentárias e o aumento populacional na Mesoamérica e na região dos Andes, por volta de 1500 a.C. Milho, feijão, abóbora, pimenta e algodão foram algumas das espécies cultivadas mais importantes dessa época. Esses primeiros aldeões também fabricavam tecidos e produziam objetos de cerâmica, entre outras atividades.

Os primeiros povos ameríndios


Os primeiros grupos que se estabeleceram na América, chamados de paleoíndios, são os ancestrais dos povos indígenas americanos. Eles deram origem a diversas etnias, com língua, costumes e organização social diferentes. Os instrumentos utilizados pelos habitantes do Alasca, como o arpão ou as agulhas de marfim, eram muito diferentes dos usados pelos grupos que viviam na região da Patagônia. Havia, porém, semelhanças nos modos de vida desses primeiros habitantes da América, principalmente entre comunidades que mantinham contato umas com as outras. De modo geral, elas eram formadas por pequenos grupos nômades que praticavam a caça, a pesca e a coleta de vegetais e frutos.
Ao se deslocar, esses grupos transmitiram conhecimentos de certas práticas para outros que viviam na América. Um desses conhecimentos envolvia a técnica para fazer artefatos de pedra, como pontas de lanças e flechas. Além da pedra, esses povos empregavam outros materiais, como ossos e pele de animais, madeira e fibras vegetais, para construir abrigos e instrumentos de trabalho.
Alguns povos deixaram de ser nômades e, com o tempo, deram origem a sociedades complexas. O processo de sedentarização desses povos apresentou variações locais, mas esteve relacionado à domesticação de animais e ao início da agricultura, que ocorreram por volta de 7 mil anos atrás. 
Os primeiros vegetais cultivados na América foram o feijão, a abóbora, o tomate, o algodão e especialmente o milho, que se tornou a base alimentar de muitos povos. Em diversas partes do continente, também teve destaque o cultivo da batata e da mandioca.
Os geoglifos são vestígios da ocupação humana em determinada região. Na fronteira entre Brasil e Bolívia, há mais de duzentos deles, espalhados por 248 quilômetros, for mando uma rede de avenidas e valas que datam de 200 a.C. até o século XIII. Estima-se que a área tenha abrigado até 60 mil pessoas.

Mesoamericanos e andinos 


Os olmecas, os maias e os astecas viviam em uma região chamada Mesoamérica, que corresponde à parte sul do México e a países como Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Costa Rica, Nicarágua e Panamá. Já os incas viviam nas regiões andinas da América do Sul, entre a Cordilheira dos Andes e o litoral do Oceano Pacífico. 

SOCIEDADES DA MESOAMÉRICA 


Os primeiros centros cerimoniais da Mesoamérica surgiram nas áreas próximas à costa do Golfo do México por volta do ano 1200 a.C. Seus fundadores foram os olmecas. Os centros olmecas exerceram sua influência na região até por volta de 400 a.C. Nesses centros, artesãos olmecas produziam estatuetas e cerâmicas de uso cerimonial que foram encontradas ou copiadas em muitas outras regiões da Mesoamérica.
Quando o domínio olmeca e de seu principal centro político, La Venta, entrou em colapso na Mesoamérica, os zapotecas, culturalmente próximos dos olmecas, começaram a construir seus centros político-cerimoniais. O principal deles foi Monte Albán. O sítio arqueológico em que estão os seus vestígios, situado no Vale de Oaxaca, no México, é considerado patrimônio mundial pela Unesco. 
Monte Albán, além das construções típicas dos centros cerimoniais, como praças, templos e pirâmides, contava também com áreas de residência permanente das elites dirigentes e com bairros onde eram realizados trabalhos especializados, como a fabricação de certos produtos.
Em Monte Albán foram encontrados alguns dos mais antigos vestígios de escrita das Américas. São grafismos inscritos em monumentos de pedra, relacionados possivelmente a rituais religiosos, que datam de aproximadamente 500 a.C. 
Contudo, os pesquisadores acreditam que a escrita zapoteca pode ser ainda mais antiga, pois provavelmente também foram usados outros suportes para ela, como madeira ou peles de animal, que não foram preservados pelo tempo. De acordo com hipóteses arqueológicas, essa escrita seria usada para diferentes fins religiosos e administrativos, e poucos privilegiados daquela sociedade a dominariam.

O mundo dos maias 


A sociedade maia desenvolveu-se na área que corresponde hoje ao sul do atual México, à Guatemala, a Belize, a Honduras e à parte leste de El Salvador. O auge dessa civilização estendeu-se de 250 até o ano 900 da era cristã. 
Os maias viviam em cidades governadas por chefes com poder hereditário. O chefe de cada cidade exercia funções políticas e religiosas, e era auxiliado por um conselho composto de líderes tribais, nobres guerreiros e sacerdotes. Esse grupo formava a elite maia e detinha a posse das terras. Quem cultivava essas terras eram os camponeses, que viviam em moradias rústicas, e tinham direito apenas a uma parte do que produziam.
Essa sociedade hierarquizada pode ter sido, segundo muitos estudiosos, resultado da influência do povo olmeca, que se relacionou com os maias principalmente por meio de trocas comerciais. As relações comerciais também ocorriam entre as várias cidades maias. O principal produto comercializado era o tecido. 
Embora o comércio fosse uma atividade econômica bastante importante, a agricultura constituía a base da economia maia. O principal produto cultivado era o milho, tão relevante que, segundo os mitos maias, foi utilizado pelos deuses como matéria-prima para criar o homem. Os maias também produziam cacau, algodão, feijão, pimenta, abóbora, mamão e abacate. Além disso, criavam cães (para a caça e a alimentação), perus e abelhas, e praticavam a pesca. 
O conjunto arquitetônico maia é bastante exuberante e revela a relação entre arte, astronomia e religião. Além disso, grandes templos e palácios eram construí dos para inspirar respeito e admiração.

Matemática e astronomia 


Desde o início da história maia, os sacerdotes procuravam entender os movimentos dos corpos celestes como uma forma de explicar os desígnios dos deuses. Por isso, os sacerdotes maias também eram matemáticos e astrônomos.
Em relação ao desenvolvimento dos conhecimentos matemáticos, os maias criaram um símbolo para representar o zero e o utilizavam em cálculos matemáticos. Além disso, eles conheciam o movimento do Sol, da Lua e de Vênus e os eclipses solares e lunares; e criaram dois calendários, que utilizavam simultaneamente: um sagrado, de 260 dias (astrológico), e outro não religioso, de 365 dias (solar). Graças a esses calendários, os sacerdotes conseguiam indicar as épocas propícias para o preparo do campo, a semeadura e a colheita.
O declínio das cidades maias Os maias construíram e mantiveram suas cidades até aproximadamente o ano 900, quando começaram a entrar em declínio. Não se sabe ao certo o motivo desse processo, mas há algumas hipóteses, como o surgimento de epidemias, guerras internas, invasões de outros povos, entre outras.
Estudos recentes sugerem, ainda, que esse declínio pode estar relacionado a causas ambientais. O uso de técnicas agrícolas rudimentares teria levado ao esgotamento do solo, o que diminuiu a produtividade das lavouras e, consequentemente, a oferta de alimentos. 
Outro estudo aponta uma prolongada estiagem como a causa do declínio dessas cidades. Muitas delas, como Tikal, foram planejadas para armazenar água da chuva para uma população de até 10 mil habitantes por um período de 18 meses.
O longo período de seca restringiu o acesso da população à água e, assim, teria contribuído para diminuir a autoridade dos governantes das cidades, já que o controle dos reservatórios e o fornecimento de água para a população eram atribuições importantes desses líderes.

POVOS ANDINOS 


Os mais antigos centros políticos e cerimoniais dos Andes com edifícios monumentais em pedra foram construídos na costa desértica do centro e do norte do atual Peru. Nesses centros, havia pirâmides, plataformas, praças e conjuntos residenciais habitados pelas elites dirigentes.
A antiguidade desses locais tem surpreendido os estudiosos, especialmente Caral, centro político urbano datado de aproximadamente 2500 a.C. O sítio arqueológico de Caral abriga seis pirâmides, um anfiteatro circular e um setor residencial, além de canais de irrigação. As escavações no local indicaram que havia plantações de goiaba, ají (um tipo de pimenta), abóbora, feijão e abacate. Foi possível concluir, também, que seus habitantes consumiam peixes e mariscos, vindos do litoral.
Um dado que intriga os arqueólogos é o fato de não terem sido encontrados no sítio de Caral objetos de cerâmica para armazenamento ou cozimento de ali mentos. Para eles, isso indica que, naquela sociedade, a produção e o armazenamento de alimentos não era feito em grande escala, e que a coleta e as trocas comer ciais feitas com cidades próximas eram tão importantes para a economia como a atividade agrícola.

ASTECAS E INCAS 


Até o século XV, as diferentes sociedades americanas desenvolveram-se sem contato com sociedades de outros continentes. A partir de 1492, contudo, essa realidade mudou. Naquela data, navegantes europeus, em busca de terras e riquezas, aportaram em uma ilha do Caribe. Logo, novas expedições, patrocinadas pelo governo da Espanha, atingiram as regiões da Mesoamérica e dos Andes. 
Àquela época, na Mesoamérica havia uma sociedade que dominava muitos dos povos da região: o Império Asteca. Sua formação havia começado no início do século XIV, quando os mexicas (povo asteca) se instalaram em terras próximas ao lago salgado Texcoco, no atual Vale do México. 
Guerreiros e conquistadores, os astecas dominaram cidades e povos vizinhos, o que resultou na formação de um grande império que reunia ao todo mais de 25 milhões de pessoas. Em 1521, sua capital, Tenochtitlán, foi tomada pelos espanhóis, o que simbolizou o fim do Império asteca. Posteriormente, não só os astecas, mas diversos povos da Mesoamérica seriam dizimados ou submetidos aos espanhóis.
Na região dos Andes, os espanhóis encontraram outro império. O Império Inca havia se consolidado no século XIII, por meio das conquistas militares, e integrava uma imensa área que compreendia os atuais territórios do Equador, do Peru e da Bolívia, ao norte, e do Chile e da Argentina, ao sul. Estimativas indicam que os incas dominavam uma população de 7 milhões de pessoas, pertencentes a mais de 100 grupos étnicos distintos. 
Em 1532, os espanhóis chegaram à região e aproveitaram-se da insatisfação de vários desses povos contra a dominação inca e das disputas políticas locais para conquistar o território e submeter toda a população que ali vivia.

Os Tupi-guarani 


Até o começo do século XVI, ninguém chamava de Brasil as terras que hoje formam nosso país. Essas terras eram habitadas há milhares de anos por povos indígenas que tinham uma rica cultura e desenvolviam atividades como a caça, a pesca, a coleta de alimentos, a agricultura e o artesanato.
Entre os povos que viviam no território do atual Brasil, estão os Tupi-guarani. Há indícios de que esses povos iniciaram um movimento de migração do sul da Floresta Amazônica em direção ao litoral por volta de 500 d.C. Eles buscavam a mitológica “Terra sem Mal”, um lugar onde havia fartura e não se morria. 
Como vários povos em diferentes espaços e tempos históricos, os Tupi-guarani buscavam um mundo imaginário onde a existência seria mais feliz e plena para todos.

Localização dos povos indígenas 


Apesar de terem certa unidade linguística e cultural, os Tupi-guarani não formavam um único povo. Eles se subdividiam em grupos que falavam línguas diferentes, mas parecidas entre si, como Carijó, Tupiniquim, Tupinambá, Potiguar, Guarani etc.
Segundo alguns pesquisadores, havia uma população de aproximadamente 1 milhão de Tupi-guarani antes do contato com os europeus. Essa população ocupava longos trechos do litoral e do interior, acompanhando o vale dos rios. 
Havia também outros povos no território brasileiro. Os Tupi-guarani chamavam esses povos de tapuias, os “inimigos” que falavam outras línguas. Eram Cariri, Aimoré, Tremembé etc.

Sociedades Tupi-guarani


Os Tupi-guarani estavam divididos em diversos grupos. Cada um desses grupos abrangia um conjunto de aldeias que, em geral, reuniam entre 500 e 2 mil pessoas. Eles moravam em casas coletivas feitas de madeira e cobertas com palha. Essas aldeias eram lideradas por chefes e conselheiros, como os pajés e os caraíbas, que tinham funções religiosas.
Os Tupi-guarani podiam deslocar suas aldeias para novos locais quando havia desgaste do solo, diminuição de animais de caça, disputas internas entre grupos rivais ou quando ocorria a morte de um líder.
A guerra era um aspecto fundamental das culturas Tupi-guarani, sendo praticada pelos homens. Eles guerreavam com outros povos e também entre eles. Entre os objetivos da guerra, estava o domínio dos locais mais apropriados à lavoura, caça e pesca. Havia também o objetivo de capturar inimigos para praticar a antropofagia ritual. Entre os Tupi-guarani não havia a prática de escravizar os vencidos ou exigir deles o pagamento de tributos.
Para realizar os rituais antropofágicos, eles cuidavam bem de seus prisioneiros por dias ou meses. Depois, o prisioneiro era executado, geralmente na época da colheita. Nessa ocasião, pessoas de outras aldeias eram convidadas a participar do ritual. 
Ao praticar a antropofagia, os indígenas acreditavam que assumiriam as qualidades do guerreiro sacrificado. Faziam o mesmo com a onça, animal que admiravam e te miam. Isso explica por que eles não comiam animais como o bicho-preguiça, que era considerado lento e indefeso, algo que ninguém desejava ser.


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