Ao longo do tempo, os povos originários que viviam no continente americano receberam diversos nomes por parte dos estudiosos. Vejamos alguns deles:
• pré-colombianos – termo que tem como referência a chegada do navegador e explorador genovês Cristóvão Colombo à América;
• nativos – termo que designa aqueles que nascem e vivem em um local;
• índios – termo que se popularizou por conta de um equívoco de Colombo, que não sabia que havia encontrado um novo continente, acreditando ter chegado às Índias.
Todos esses nomes são convenções criadas para se referir a mais de 3 mil povos diferentes que viviam na América antes da chegada dos europeus no século XV. Apesar dessa diversidade, atualmente esses povos preferem termos como povos originários ou indígenas para se auto identificar, lutar por seus direitos e valorizar suas culturas.
O povoamento da América ocorreu há cerca de 11 mil a 50 mil anos. Desde então,
diversos povos habitaram o território ao longo do tempo. Eles se organizaram de
diferentes maneiras: de pequenos grupos até sociedades bastante complexas que
chegaram a formar reinos e impérios.
Há muito tempo, o continente americano é habitado por diversos povos. Entre eles, podemos destacar os olmecas,
os maias, os astecas, os incas e os tupis-guaranis.
Atualmente, estudiosos analisam a possível trajetória e o modo de vida desses
povos. De acordo com pesquisas, por volta de 5 mil anos atrás, grupos humanos já
desenvolviam a agricultura na região da Mesoamérica, por exemplo, com o cultivo
de espécies como o milho.
O desenvolvimento da agricultura favoreceu a criação de aldeias sedentárias e o
aumento populacional na Mesoamérica e na região dos Andes, por volta de 1500 a.C.
Milho, feijão, abóbora, pimenta e algodão foram algumas das espécies cultivadas
mais importantes dessa época. Esses primeiros aldeões também fabricavam tecidos
e produziam objetos de cerâmica, entre outras atividades.
Os primeiros povos ameríndios
Os primeiros grupos que se estabeleceram na América, chamados de paleoíndios,
são os ancestrais dos povos indígenas americanos. Eles deram origem a diversas etnias,
com língua, costumes e organização social diferentes. Os instrumentos utilizados pelos
habitantes do Alasca, como o arpão ou as agulhas de marfim, eram muito diferentes dos
usados pelos grupos que viviam na região da Patagônia.
Havia, porém, semelhanças nos modos de vida desses primeiros habitantes da América,
principalmente entre comunidades que mantinham contato umas com as outras. De modo
geral, elas eram formadas por pequenos grupos nômades que praticavam a caça, a pesca
e a coleta de vegetais e frutos.
Ao se deslocar, esses grupos transmitiram conhecimentos de certas práticas para
outros que viviam na América. Um desses conhecimentos envolvia a técnica para fazer
artefatos de pedra, como pontas de lanças e flechas. Além da pedra, esses povos empregavam outros materiais, como ossos e pele de animais, madeira e fibras vegetais, para
construir abrigos e instrumentos de trabalho.
Alguns povos deixaram de ser nômades e, com o tempo, deram origem a sociedades
complexas. O processo de sedentarização desses povos apresentou variações locais, mas
esteve relacionado à domesticação de animais e ao início da agricultura, que ocorreram
por volta de 7 mil anos atrás.
Os primeiros vegetais cultivados na América foram o feijão, a abóbora, o tomate, o algodão
e especialmente o milho, que se tornou a base alimentar de muitos povos. Em diversas partes
do continente, também teve destaque o cultivo da batata e da mandioca.
Os geoglifos são vestígios da ocupação
humana em determinada região. Na fronteira
entre Brasil e Bolívia,
há mais de duzentos
deles, espalhados por
248 quilômetros, for
mando uma rede de avenidas e valas que datam
de 200 a.C. até o século
XIII. Estima-se que a
área tenha abrigado até
60 mil pessoas.
Mesoamericanos e andinos
Os olmecas, os maias e os astecas viviam em uma região chamada Mesoamérica,
que corresponde à parte sul do México e a países como Guatemala, Belize, El Salvador,
Honduras, Costa Rica, Nicarágua e Panamá. Já os incas viviam nas regiões andinas da
América do Sul, entre a Cordilheira dos Andes e o litoral do Oceano Pacífico.
SOCIEDADES DA MESOAMÉRICA
Os primeiros centros cerimoniais da Mesoamérica surgiram nas áreas próximas à
costa do Golfo do México por volta do ano 1200 a.C. Seus fundadores foram os olmecas. Os centros olmecas exerceram sua influência na região até por volta de 400 a.C.
Nesses centros, artesãos olmecas produziam estatuetas e cerâmicas de uso cerimonial que foram encontradas ou copiadas em muitas outras regiões da Mesoamérica.
Quando o domínio olmeca e de seu principal centro político, La Venta, entrou
em colapso na Mesoamérica, os zapotecas, culturalmente próximos dos olmecas,
começaram a construir seus centros político-cerimoniais. O principal deles foi
Monte Albán. O sítio arqueológico em que estão os seus vestígios, situado no Vale
de Oaxaca, no México, é considerado patrimônio mundial pela Unesco.
Monte Albán, além das construções típicas dos centros cerimoniais, como praças, templos e pirâmides, contava também com áreas de residência permanente
das elites dirigentes e com bairros onde eram realizados trabalhos especializados,
como a fabricação de certos produtos.
Em Monte Albán foram encontrados alguns dos mais antigos vestígios de escrita
das Américas. São grafismos inscritos em monumentos de pedra, relacionados
possivelmente a rituais religiosos, que datam de aproximadamente 500 a.C.
Contudo, os pesquisadores acreditam que a escrita zapoteca pode ser ainda mais
antiga, pois provavelmente também foram usados outros suportes para ela, como
madeira ou peles de animal, que não foram preservados pelo tempo. De acordo
com hipóteses arqueológicas, essa escrita seria usada para diferentes fins religiosos
e administrativos, e poucos privilegiados daquela sociedade a dominariam.
O mundo dos maias
A sociedade maia desenvolveu-se na área que corresponde hoje ao sul do atual
México, à Guatemala, a Belize, a Honduras e à parte leste de El Salvador. O auge
dessa civilização estendeu-se de 250 até o ano 900 da era cristã.
Os maias viviam em cidades governadas por chefes com poder hereditário. O
chefe de cada cidade exercia funções políticas e religiosas, e era auxiliado por um
conselho composto de líderes tribais, nobres guerreiros e sacerdotes. Esse grupo
formava a elite maia e detinha a posse das terras. Quem cultivava essas terras eram
os camponeses, que viviam em moradias rústicas, e tinham direito apenas a uma
parte do que produziam.
Essa sociedade hierarquizada pode ter sido, segundo muitos estudiosos, resultado da influência do povo olmeca, que se relacionou com os maias principalmente
por meio de trocas comerciais. As relações comerciais também ocorriam entre as
várias cidades maias. O principal produto comercializado era o tecido.
Embora o comércio fosse uma atividade econômica bastante importante, a
agricultura constituía a base da economia maia. O principal produto cultivado era o
milho, tão relevante que, segundo os mitos maias, foi utilizado pelos deuses como
matéria-prima para criar o homem. Os maias também produziam cacau, algodão,
feijão, pimenta, abóbora, mamão e abacate. Além disso, criavam cães (para a caça
e a alimentação), perus e abelhas, e praticavam a pesca.
O conjunto arquitetônico maia é bastante exuberante e revela a relação entre
arte, astronomia e religião. Além disso, grandes templos e palácios eram construí
dos para inspirar respeito e admiração.
Matemática e astronomia
Desde o início da história maia, os sacerdotes procuravam entender os movimentos dos corpos celestes como
uma forma de explicar os desígnios dos deuses. Por
isso, os sacerdotes maias também eram matemáticos
e astrônomos.
Em relação ao desenvolvimento dos conhecimentos
matemáticos, os maias criaram um símbolo para representar o zero e o utilizavam em cálculos matemáticos.
Além disso, eles conheciam o movimento do Sol, da
Lua e de Vênus e os eclipses solares e lunares; e criaram
dois calendários, que utilizavam simultaneamente: um
sagrado, de 260 dias (astrológico), e outro não religioso,
de 365 dias (solar). Graças a esses calendários, os sacerdotes conseguiam indicar as épocas propícias para o preparo do campo, a semeadura e a colheita.
O declínio das cidades maias
Os maias construíram e mantiveram suas cidades
até aproximadamente o ano 900, quando começaram
a entrar em declínio. Não se sabe ao certo o motivo
desse processo, mas há algumas hipóteses, como o
surgimento de epidemias, guerras internas, invasões de
outros povos, entre outras.
Estudos recentes sugerem, ainda, que esse declínio
pode estar relacionado a causas ambientais. O uso de técnicas agrícolas rudimentares teria levado ao esgotamento
do solo, o que diminuiu a produtividade das lavouras e,
consequentemente, a oferta de alimentos.
Outro estudo aponta uma prolongada estiagem como
a causa do declínio dessas cidades. Muitas delas, como
Tikal, foram planejadas para armazenar água da chuva
para uma população de até 10 mil habitantes por um
período de 18 meses.
O longo período de seca restringiu o acesso da população à água e, assim, teria contribuído para diminuir a
autoridade dos governantes das cidades, já que o controle dos reservatórios e o fornecimento de água para a
população eram atribuições importantes desses líderes.
POVOS ANDINOS
Os mais antigos centros políticos e cerimoniais dos
Andes com edifícios monumentais em pedra foram
construídos na costa desértica do centro e do norte do
atual Peru. Nesses centros, havia pirâmides, plataformas, praças e conjuntos residenciais habitados pelas
elites dirigentes.
A antiguidade desses locais
tem surpreendido os estudiosos, especialmente Caral, centro
político urbano datado de aproximadamente 2500 a.C. O sítio
arqueológico de Caral abriga seis
pirâmides, um anfiteatro circular
e um setor residencial, além de
canais de irrigação. As escavações no local indicaram que havia
plantações de goiaba, ají (um
tipo de pimenta), abóbora, feijão
e abacate. Foi possível concluir,
também, que seus habitantes
consumiam peixes e mariscos,
vindos do litoral.
Um dado que intriga os arqueólogos é o fato de não terem sido
encontrados no sítio de Caral
objetos de cerâmica para armazenamento ou cozimento de ali
mentos. Para eles, isso indica que,
naquela sociedade, a produção e
o armazenamento de alimentos
não era feito em grande escala,
e que a coleta e as trocas comer
ciais feitas com cidades próximas
eram tão importantes para a economia como a atividade agrícola.
ASTECAS E INCAS
Até o século XV, as diferentes sociedades americanas desenvolveram-se sem
contato com sociedades de outros continentes. A partir de 1492, contudo, essa
realidade mudou. Naquela data, navegantes europeus, em busca de terras e riquezas, aportaram em uma ilha do Caribe. Logo, novas expedições, patrocinadas pelo
governo da Espanha, atingiram as regiões da Mesoamérica e dos Andes.
Àquela época, na Mesoamérica havia uma sociedade que dominava muitos dos
povos da região: o Império Asteca. Sua formação havia começado no início do
século XIV, quando os mexicas (povo asteca) se instalaram em terras próximas ao
lago salgado Texcoco, no atual Vale do México.
Guerreiros e conquistadores, os
astecas dominaram cidades e povos vizinhos, o que resultou na formação de um
grande império que reunia ao todo mais de 25 milhões de pessoas. Em 1521, sua
capital, Tenochtitlán, foi tomada pelos espanhóis, o que simbolizou o fim do Império asteca. Posteriormente, não só os astecas, mas diversos povos da Mesoamérica seriam dizimados ou submetidos aos espanhóis.
Na região dos Andes, os espanhóis encontraram outro império. O Império Inca
havia se consolidado no século XIII, por meio das conquistas militares, e integrava
uma imensa área que compreendia os atuais territórios do Equador, do Peru e da
Bolívia, ao norte, e do Chile e da Argentina, ao sul. Estimativas indicam que os
incas dominavam uma população de 7 milhões de pessoas, pertencentes a mais
de 100 grupos étnicos distintos.
Em 1532, os espanhóis chegaram à região e aproveitaram-se da insatisfação de vários desses povos contra a dominação inca e das
disputas políticas locais para conquistar o território e submeter toda a população
que ali vivia.
Os Tupi-guarani
Até o começo do século XVI, ninguém chamava de Brasil as terras que hoje formam
nosso país. Essas terras eram habitadas há milhares de anos por povos indígenas que
tinham uma rica cultura e desenvolviam atividades como a caça, a pesca, a coleta de
alimentos, a agricultura e o artesanato.
Entre os povos que viviam no território do atual Brasil, estão os Tupi-guarani. Há indícios
de que esses povos iniciaram um movimento de migração do sul da Floresta Amazônica
em direção ao litoral por volta de 500 d.C. Eles buscavam a mitológica “Terra sem Mal”,
um lugar onde havia fartura e não se morria.
Como vários povos em diferentes espaços e tempos históricos, os Tupi-guarani buscavam um mundo imaginário onde a existência seria mais feliz e plena para todos.
Localização dos povos indígenas
Apesar de terem certa unidade linguística e cultural, os Tupi-guarani não formavam um
único povo. Eles se subdividiam em grupos que falavam línguas diferentes, mas parecidas
entre si, como Carijó, Tupiniquim, Tupinambá, Potiguar, Guarani etc.
Segundo alguns pesquisadores, havia uma população de aproximadamente 1 milhão
de Tupi-guarani antes do contato com os europeus. Essa população ocupava longos trechos do litoral e do interior, acompanhando o vale dos rios.
Havia também outros povos no território brasileiro. Os Tupi-guarani chamavam
esses povos de tapuias, os “inimigos” que falavam outras línguas. Eram Cariri, Aimoré,
Tremembé etc.
Sociedades Tupi-guarani
Os Tupi-guarani estavam divididos em diversos grupos. Cada um desses grupos
abrangia um conjunto de aldeias que, em geral, reuniam entre 500 e 2 mil pessoas. Eles
moravam em casas coletivas feitas de madeira e cobertas com palha. Essas aldeias eram
lideradas por chefes e conselheiros, como os pajés e os caraíbas, que tinham funções
religiosas.
Os Tupi-guarani podiam deslocar suas aldeias para novos locais quando havia desgaste
do solo, diminuição de animais de caça, disputas internas entre grupos rivais ou quando
ocorria a morte de um líder.
A guerra era um aspecto fundamental das culturas Tupi-guarani, sendo praticada pelos
homens. Eles guerreavam com outros povos e também entre eles. Entre os objetivos
da guerra, estava o domínio dos locais mais apropriados à lavoura, caça e pesca. Havia
também o objetivo de capturar inimigos para praticar a antropofagia ritual. Entre os
Tupi-guarani não havia a prática de escravizar os vencidos ou exigir deles o pagamento
de tributos.
Para realizar os rituais antropofágicos, eles
cuidavam bem de seus prisioneiros por dias ou
meses. Depois, o prisioneiro era executado, geralmente na época da colheita. Nessa ocasião,
pessoas de outras aldeias eram convidadas a
participar do ritual.
Ao praticar a antropofagia, os indígenas
acreditavam que assumiriam as qualidades
do guerreiro sacrificado. Faziam o mesmo
com a onça, animal que admiravam e te
miam. Isso explica por que eles não comiam
animais como o bicho-preguiça, que era considerado lento e indefeso, algo que ninguém
desejava ser.
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