Nas cidades, os chefes ganharam cada vez mais prestígio. Eles centralizaram as decisões políticas e administrativas, e passaram a governar de seus palácios, tornando-se reis. A autoridade desses monarcas, que lhes garantia plenos poderes sobre a população, está relacionada à origem do que chamamos de Estado.
Para desempenhar satisfatoriamente suas atribuições, os reis cercaram-se de auxilia res. Entre eles havia os sacerdotes – que ficavam nos templos e eram responsáveis pela administração dos rituais religiosos, como os sacrifícios e as oferendas aos deuses –, os soldados – que impunham as leis e protegiam a cidade de ataques inimigos –, os cobradores de impostos, os fiscais do trabalho dos camponeses e os que acompanhavam a execução de obras. Por causa dessa diferenciação de funções, algumas pessoas acumularam mais riqueza e poder do que outras, o que deu origem a uma hierarquia social.
Com o processo de centralização política, o Estado assumiu a função
de governar as cidades, passando a estabelecer regras e leis e a aplicar
a justiça. As cidades tornaram-se centros de poder político, locais de
onde os governantes coordenavam o trabalho e o funcionamento
de toda a comunidade.
O desenvolvimento da escrita
Com o crescimento das cidades, as relações entre os membros da
comunidade e entre pessoas e instituições tornaram-se mais complexas.
Diferentemente do que ocorria nas aldeias, nas cidades mais populosas
nem todos se conheciam ou praticavam o mesmo tipo de atividade.
Algumas obras, como os canais de irrigação – que possibilitavam
transportar as águas dos rios para as áreas mais distantes das margens –, levavam mais tempo para ser construídas do que a duração da vida
das pessoas de uma geração.
Nessas condições, tornou-se difícil reter e transmitir oralmente
as informações e os conhecimentos necessários para manter as
cidades funcionando. Por isso, foram criadas maneiras de registrar
essas informações e esses conhecimentos com os primeiros sistemas de escrita, por volta de 4000 a.C., na região da Mesopotâmia,
no Oriente Médio.
No início, a escrita serviu para facilitar a contabilidade, controlar
a circulação de produtos e fiscalizar pagamentos. Os sinais utilizados
eram pictogramas que imitavam a forma dos elementos que representavam. Com o passar do tempo, esses símbolos foram simplificados
e passaram a expressar ideias.
Por ser feito usando uma goiva com ponta em forma de cunha, esse tipo de escrita ficou conhecido como
cuneiforme. Logo ele passou a ser usado também em textos religiosos,
contratos, declarações reais e poemas.
Aprender a escrever e a decodificar esses sinais era tarefa de es
pecialistas, os chamados escribas. Um escriba precisava estudar por
muitos anos para aprender a ler e escrever.
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