O domínio sobre o fogo e a domesticação de plantas e animais, além da invenção de utensílios de pedra, cerâmica e metais, favoreceram a sedentarização de diversas comunidades, em diferentes momentos da História.
Um dos lugares em que esses grupos se fixaram, por volta de 4000 a.C., foi a região da Mesopotâmia – localizada na Ásia, mas bastante próxima da África e da Europa –, considerada um importante entreposto de contato entre as culturas desses continentes. As primeiras cidades se desenvolveram próximas aos rios Tigre e Eufrates, que fertilizavam as terras entre eles.
Durante muito tempo, a historiografia tradicional considerou apenas a Mesopotâmia parte
do Crescente Fértil, pois acreditava-se que ali teriam surgido
as primeiras cidades.
Atualmente, porém, no contexto histórico
dessa região, é possível aproximar o desenvolvimento dos povos mesopotâmicos ao dos povos do norte da África, ao longo
do rio Nilo. As sociedades dessas duas áreas integram, portanto, o Crescente Fértil, caracterizando-se como sociedades
hidráulicas, ou seja, povos que surgiram e
se desenvolveram em áreas próximas
de rios.
O desenvolvimento da agricultura, da criação de animais e do
comércio esteve intimamente relacionado com o aproveitamento
dos recursos hídricos disponíveis. Por isso, muitos dos primeiros assentamentos humanos que deram origem a cidades se localizavam
às margens de rios perenes. As cheias dos rios inundavam as terras
próximas, fertilizando o solo, e suas águas eram utilizadas para irrigar
as plantações. Além disso, o leito dos rios podia servir como via de
transporte de pessoas e de mercadorias.
As cidades, ao se expandir, formaram reinos e impérios. Neles,
os reis e funcionários tornaram-se os responsáveis por organizar o
trabalho de milhares de pessoas para construir obras hidráulicas,
como diques e canais de irrigação. A sobrevivência da comunidade dependia do trabalho coletivo coordenado pelo poder central,
pois ele garantia o aproveitamento dos recursos da natureza, assegurando o abastecimento de água e impedindo que as cheias dos rios
inundassem as cidades.
Esses reinos e impérios antigos que se desenvolveram às margens dos rios e nos quais eram realizadas obras hidráulicas para a
prática da agricultura são chamados de civilizações fluviais.
Os sumérios foram os primeiros a usar as águas dos rios
para irrigação, construindo, para isso, diques e canais. Os acádios eram especializados nas atividades de pastoreio de carneiros e de bois. Os babilônicos criaram o primeiro conjunto
de leis escritas, chamado Código de Hamurábi, em referência
ao governante que o organizou.
Os assírios desenvolveram
estratégias de guerra e, desse modo, conseguiram alcançar
e dominar regiões do Mediterrâneo. Já os caldeus se tornaram exímios construtores, criando tecnologias de engenharia e
arquitetura.
Os egípcios construíram grandes obras hidráulicas, como
barragens e canais de irrigação, para direcionar as águas do rio. No Egito,
assim como na Mesopotâmia, desenvolveu-se uma civilização na qual
a vida coletiva baseava-se no aproveitamento dos recursos hídricos e, por isso, ela também pode ser considerada uma civilização fluvial.
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