A África é um continente imenso, com mais de 30 milhões de quilômetros quadrados. Nesse amplo território, as sociedades africanas desenvolveram diferentes formas de organização política, como aldeias, cidades-Estado, reinos e impérios. De modo geral, podemos dizer que, na sua origem, todas essas formas de organização tinham como base as relações de parentesco e de lealdade a um chefe. Por isso, ficaram conhecidas como “sociedades de linhagem”.
Aldeias e cidades-Estado
As aldeias eram formadas por conjuntos de famílias. Cada família tinha um chefe, que liderava seus descendentes e agregados. Geralmente, o chefe de uma família era a pessoa mais velha, que se destacava por sua liderança e por seus conhecimentos. Entre os chefes de família, escolhia-se o chefe de aldeia. A autoridade dos chefes vinha da sua linhagem, isto é, do parentesco com os antepassados que teriam fundado a aldeia.
O chefe era o responsável pelo governo da comunidade. Ele comandava os guerreiros,
administrava a economia e mandava aplicar castigos às pessoas que não cumpriam as
normas do grupo. Mas o chefe de aldeia não governava sozinho. Para tomar decisões
que afetavam a comunidade, ele contava com a ajuda dos chefes de família, como uma
espécie de conselho comunitário. Às vezes, as aldeias se uniam para formar alianças.
Havia nas aldeias pessoas que exerciam funções religiosas. A religião influenciava
profundamente o cotidiano. Os antepassados e os heróis míticos, considerados fundadores
de suas sociedades, eram cultuados em cerimônias religiosas.
Em muitos lugares da África, também existiam cidades-Estado, cercadas por muralhas de
madeira, barro ou pedra. Nessas cidades, vivia uma população composta de comerciantes,
artesãos, funcionários do governo e o rei. Nos arredores dos centros urbanos, homens e
mulheres dedicavam-se à agricultura e à criação de animais. Como exemplos de antigas
cidades-Estado africanas, podemos citar Ifé
e Oyo, localizadas perto da costa ocidental, e
Cartago, localizada no
norte do continente.
Reinos e impérios
Algumas sociedades africanas organizaram-se em reinos e impérios, à medida que
a população tornou-se mais numerosa e houve aumento do comércio e das tropas militares.
De modo geral, o rei era aquele que recebia o poder de forma hereditária e governava
o povo com certa unidade cultural. Já o título de imperador era dado ao governante
que expandia seu território, conquistando outros povos. Mas as diferenças entre reino
e império não são rigorosas.
Os reinos e os impérios apresentavam, assim, uma organização mais complexa do que
as aldeias e as confederações. Observe, a seguir, alguns exemplos.
• Império do Mali – consolidou-se na África Ocidental com a vitória do rei Sundiata
Keita sobre o rei Sumanguru, em 1235, e perdurou até o século XV.
• Império Songai – nos séculos XV e XVI, expandiu-se do Reino de Gao e atingiu a costa
atlântica até regiões que hoje correspondem ao Senegal e à Gâmbia.
• Império de Gana – criado pelo povo soninke na região hoje correspondente ao norte
do Senegal e ao sul da Mauritânia, atingiu seu maior poder no século XI.
• Reino do Daomé – fundado no século XVII, no Golfo da Guiné, perdurou até o final
do século XIX.
Além desses exemplos de organizações políticas e sociais duradouras, destaca-se o
Egito antigo, um dos impérios mais conhecidos da África.
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