O território que atualmente chamamos de Egito situa-se no nordeste da África e seu nome oficial é República Árabe do Egito; sua capital, Cairo, é uma das mais importantes cidades do continente. A maioria da população egípcia professa a religião muçulmana e fala o idioma árabe.
O Egito antigo desenvolveu-se às margens do Rio Nilo.
Esse rio é um dos maiores do mundo, com cerca de 6,8 mil
quilômetros de extensão. O Nilo nasce no Lago Vitória, no
atual território de Uganda, e deságua no Mar Mediterrâneo.
O Rio Nilo é um dos mais extensos do mundo e está localizado
em uma região árida, onde chove pouco, no Egito.
O Egito foi um reino que se desenvolveu no nordeste da África,
numa região naturalmente protegida de invasores pelo Deserto do
Saara e fertilizada pelo Rio Nilo.
Todo ano, entre junho e setembro,
as águas do Nilo aumentavam de volume e inundavam suas margens,
depositando sobre elas o lodo que deixava o solo fértil para a prática
da agricultura. As inundações, contudo, podiam alcançar as aldeias e
destruir as áreas de cultivo.
Além disso, em razão da escassez de chuvas
na região, seus habitantes precisavam levar a água até pontos muito
distantes das margens para irrigar as plantações.
A história dos antigos egípcios está profundamente ligada
ao Rio Nilo. Por volta de 8500 a.C., havia diversas pequenas comunidades instaladas às suas margens.
Todos os anos, o Nilo transbordava por causa das chuvas em
sua nascente. Com a cheia, o húmus trazido pelo rio era depositado em suas margens. As pequenas comunidades aproveitavam
a fertilidade do solo e plantavam principalmente cereais, linho e
leguminosas.
Por volta de 4000 a.C., os moradores desses pequenos vilarejos – chamados nomos – desenvolveram conhecimentos em engenharia e começaram a construir diques para estocar água. Dessa
maneira, as comunidades podiam transportar a água para irrigar
regiões mais distantes e armazená-la para períodos de seca.
OS NOMARCAS
Com o crescimento dos nomos, o trabalho começou a ser dividido entre as pessoas.
Assim, algumas passaram a cuidar da agricultura; outras, da construção de celeiros para estocar
alimentos. Havia ainda os artesãos, os administradores de obras, entre outros trabalhadores.
As pessoas que conquistavam posições de destaque em suas comunidades acabavam
assumindo cargos no poder local. O mais importante desses cargos era o de nomarca, uma espécie de governa
dor. Alguns nomarcas
ampliaram seu poder
para outros nomos
ou regiões vizinhas.
Eles eram respeitados
principalmente por
sua capacidade de
garantir segurança e
comida para a população dos nomos.
Por volta de 3500 a.C., os diversos centros de poder do Nilo foram unificados em
apenas dois reinos: o do Alto Egito (localizado nas regiões da nascente do Rio Nilo e de
seu curso médio) e o do Baixo Egito (no delta do rio).
A unificação dos reinos no Egito
Os assentamentos humanos estabelecidos às margens do Rio Nilo
eram chamados de nomos e chefiados por um nomarca. Com o tempo,
os nomos uniram-se em dois reinos – o do Alto Egito, ao sul, e o do
Baixo Egito, ao norte. Por volta de 3100 a.C., esses reinos foram unificados e ficaram sob a autoridade de um rei único e poderoso, o faraó.
Pouco se sabe a respeito dos primeiros faraós. Conhecem-se apenas alguns nomes, como o do rei Narmer, considerado nas lendas o
unificador dos reinos do Alto e do Baixo Egito. Acredita-se que ele foi
o fundador da primeira das 33 dinastias que governaram o Egito por
mais de três mil anos e também o primeiro faraó.
Depois da unificação, os faraós mantiveram o controle político do reino por aproximadamente um milênio. Após um período de
enfraquecimento da autoridade real, a partir de 1580 a.C., os faraós
retomaram a estabilidade e adotaram uma política expansionista.
A partir de 670 a.C., contudo, o reino foi sucessivamente dominado
pelos assírios, persas, gregos e finalmente pelos romanos, em 30 a.C.
Produções artísticas
Grande parte da produção artística do Egito antigo foi influenciada pela religião. Além da construção de templos, o culto aos deuses levou à criação de
esculturas e pinturas que representavam as divindades e a religiosidade do povo
egípcio. Mas os temas religiosos não eram os únicos. Existiam também expressões artísticas de cenas do cotidiano, como a colheita, a pesca, o pastoreio, a
navegação e o artesanato.
Na pintura, as figuras humanas apareciam, com frequência, em posição rígida
e respeitosa, com a cabeça e os pés de perfil e o tronco de frente. Essa maneira
de representar a figura humana é uma característica da arte egípcia. No en
tanto, algumas obras foram criadas sem seguir esse modelo de representação.
Os artistas egípcios mais habilidosos conquistavam prestígio e riqueza. Para
elaborar as obras, eles deveriam seguir regras e padrões de execução. De forma
geral, a arte não exibia o estilo pessoal do artista, que não assinava suas obras.
Escrita egípcia
Assim como os sumérios, os egípcios criaram um sistema de escrita que é
considerado um dos mais antigos do mundo. Existem registros da escrita egípcia que datam de cerca de 3000 a.C.
Os egípcios criaram um sistema de escrita com símbolos que representavam palavras ou ideias, os hieróglifos. Ele era utilizado para registrar
leis, ordens do faraó, tradições e textos religiosos. Somente os escribas conheciam e utilizavam essa escrita, considerada sagrada. Havia ainda duas
formas mais simples de escrita: a hierática, utilizada pelos sacerdotes, e a demótica, empregada pelos comerciantes.
Os egípcios desenvolveram formas de escrita como a hieroglífica, a hierática e a demótica, que eram utilizadas em diferentes situações. A escrita
hieroglífica é a mais antiga e tinha um uso restrito, sendo encontrada principalmente em templos e túmulos. A hierática, uma variação da hieroglífica,
aparece em textos sagrados, administrativos e literários. E a demótica, a mais
recente e popular, era empregada sobretudo para tratar das questões comerciais e cotidianas. Nesse tipo de escrita, os sinais passaram a representar os
sons das palavras.
Com a dominação romana sobre o Egito, iniciada no século I a.C., o conhecimento da escrita egípcia foi se perdendo. Séculos se passaram até que antigos textos egípcios fossem compreendidos novamente. Isso ocorreu apenas no século XIX.
Com a dominação romana sobre o Egito, iniciada no século I a.C., o conhecimento da escrita egípcia foi se perdendo. Séculos se passaram até que antigos textos egípcios fossem compreendidos novamente. Isso ocorreu apenas no século XIX.
Em 1822, o estudioso francês Jean-François Champollion começou a decifrar
as escritas egípcias. Para isso, ele estudou um documento conhecido como
Pedra de Roseta, um fragmento de granito que tinha inscrições talhadas em
grego, hieroglífico e demótico. A partir do texto escrito em grego, Champollion
decifrou as duas versões da escrita egípcia.
Dessa maneira, abriu-se uma enorme porta para o conhecimento da história
do Egito antigo. Foi a partir da decifração da Pedra de Roseta que se desenvolveu a egiptologia.
Escolas e escribas
Assim como na Mesopotâmia, onde existiam escolas para os jovens aprenderem a ler e a escrever, no Egito antigo também existiam escolas para formar
os escribas. Além da leitura e escrita, esses jovens estudavam Matemática, Astronomia e se dedicavam a registrar os textos antigos em diferentes materiais,
como placas de pedra, tecidos, gesso e, em especial, papiro.
O papiro era uma
espécie de folha produzida artesanalmente a partir do caule de uma planta de
mesmo nome. A fibra dessa planta era usada para fazer cestos, esteiras, sandálias e folhas de papel. A própria palavra “papel” tem sua origem no
termo “papiro”.
Poucas pessoas podiam frequentar essas escolas. Isso
era um privilégio de membros da elite, como governantes, sacerdotes e escribas. A escrita era considerada uma
atividade importante para a organização da sociedade – os impostos recolhidos, os julgamentos dos tribunais,
a quantidade das colheitas, etc. eram controlados por
meio dos registros escritos. Por isso, a função de escriba era respeitada. Eles eram os funcionários encarre
gados de ler e copiar os documentos oficiais e fazer
as contas dos templos e palácios. O domínio da escrita representava uma forma de poder social.
Divisão social
No Egito Antigo, a maioria da
população era formada por camponeses, que trabalhavam muito
e tinham de pagar pesados impostos. Algumas atividades eram mais
valorizadas do que outras. Os chefes militares, por exemplo, desfrutavam de mais prestígio do que os
artesãos e camponeses.
A sociedade egípcia era bastante
rígida; as pessoas nunca mudavam
da camada social em que haviam
nascido. As leis não permitiam o casamento entre pessoas de camadas
sociais diferentes.
Os camponeses, chamados de felás, trabalhavam na agricultura e eram
obrigados a contribuir com impostos, pagos em produtos. Era dessa forma que
o governo sustentava a família real, a nobreza, os sacerdotes e os funcionários;
na época das cheias do Rio Nilo, os felás construíam palácios, canais de irrigação, pirâmides etc.
Os escravos eram prisioneiros de guerra e faziam atividades domésticas,
carregavam grandes blocos de pedra e cavavam a terra para construir represas.
Era tarefa dos artesãos produzir utensílios que a sociedade utilizava no dia a
dia. Alguns também faziam artigos de luxo, como joias e perfumes, consumidos
pela família real e pela nobreza.
Os comerciantes não eram muito numerosos e viajavam pelas diferentes
cidades egípcias em embarcações pelo Rio Nilo.
A função dos soldados era manter a ordem e defender o território de ameaças
externas. Os chefes militares comandavam o exército nas guerras de conquista
e na defesa.
Os funcionários públicos trabalhavam diretamente para o faraó em atividades administrativas. Entre eles havia os escribas, que eram muito prestigiados,
pois só eles sabiam ler, escrever e calcular, atividades de grande importância,
especialmente para gerenciar o comércio e os mantimentos.
Os sacerdotes organizavam as cerimônias religiosas, administravam os templos e eram conselheiros dos faraós. Os nobres ocupavam os principais cargos
na corte e os postos mais altos no exército.
Posição social das mulheres
As mulheres egípcias tinham liberdade para decidir questões relacionadas
ao gerenciamento do cotidiano. Nesse aspecto, a condição feminina no Antigo
Egito era menos subjugada do que em outras sociedades da época.
Documentos históricos de cerca de 3500 e 3000 anos atrás indicam que as
mulheres podiam possuir bens próprios e administrá-los. Era possível também
pedir o divórcio em casos de traição por parte do marido.
Nas famílias egípcias, a mãe geralmente era chamada de senhora da casa,
o que indica seu controle sobre o cotidiano doméstico e familiar. A depender
da situação financeira, ela podia ser auxiliada por pessoas escravizadas ou em
pregadas nas tarefas. O sustento das famílias cabia principalmente aos maridos, mas algumas mulheres auxiliavam no trabalho do campo, enquanto outras
cuidavam de pequenas lojas e oficinas de tecelagem. Há registros de mulheres
que se dedicavam a atividades como canto, dança ou música.
Religião no Egito Antigo
O povo egípcio era politeísta e cultuava diversas divindades. As crenças foram tema da pintura e da escultura egípcias. Os deuses eram representados
de diversas formas: havia deuses semelhantes a seres humanos e a animais, e
deuses cuja representação tinha formas mistas de humano e animal, chamados
antropozoomórficos.
Os egípcios acreditavam que os mortos passavam por um tribunal que julgava seus atos e sentenciava-os a outra vida, retornando ao corpo, ou os condenava a ser devorados como castigo pelas maldades que haviam praticado.
Devido a essa crença, o corpo do morto precisava ser bem conservado para
abrigar sua alma quando ela retornasse. Assim, os egípcios desenvolveram a
mumificação, feita por artesãos especializados.
Na mumificação, os órgãos vitais do corpo eram retirados, com exceção do coração. O corpo era, então, dessecado com sais e depois envolvido em bandagens
de linho e lençóis. Por se tratar de um processo complexo e caro, inicialmente era
restrito apenas ao faraó, mas depois passou a
ser feito a quem pudesse pagar por ele; nessas situações, era realizada uma mumificação
mais simples, conforme os rendimentos da
família do morto. Aqueles que não podiam
pagar pelo processo eram enterrados na areia
do deserto, em cerimônias simples.
O conhecimento dos egípcios antigos
Os egípcios acumularam muitos conhecimentos relacionados às necessidades do cotidiano,
principalmente para a sobrevivência no deserto. A
preocupação em prever a época das cheias do Nilo
para organizar o plantio e a colheita estimulou-os a
observar e estudar o movimento dos astros no céu.
Assim, desenvolveram a Astronomia e, com base
nesses conhecimentos, criaram o calendário de 365
dias, organizados em 12 meses.
Com o objetivo de construir canais de irrigação,
represas, pirâmides, templos e palácios, os egípcios
criaram técnicas para estabelecer medidas e fazer
cálculos matemáticos. Essas construções demonstravam o grande poder atribuído aos governantes
e o alto grau de desenvolvimento arquitetônico no
Egito Antigo.
A fim de elaborar procedimentos eficientes para
a mumificação, os egípcios estudaram o funcionamento do corpo humano,
contribuindo, dessa forma, para a criação de processos medicinais de grande
importância. Havia especialistas em tratar doenças do estômago e infecções
nos olhos, em consertar ossos quebrados e operar crânios, por exemplo.
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