domingo, 20 de setembro de 2026

Egito Antigo

O território que atualmente chamamos de Egito situa-se no nordeste da África e seu nome oficial é República Árabe do Egito; sua capital, Cairo, é uma das mais importantes cidades do continente. A maioria da população egípcia professa a religião muçulmana e fala o idioma árabe.
O Egito antigo desenvolveu-se às margens do Rio Nilo. Esse rio é um dos maiores do mundo, com cerca de 6,8 mil quilômetros de extensão. O Nilo nasce no Lago Vitória, no atual território de Uganda, e deságua no Mar Mediterrâneo.
O Rio Nilo é um dos mais extensos do mundo e está localizado em uma região árida, onde chove pouco, no Egito.  
O Egito foi um reino que se desenvolveu no nordeste da África, numa região naturalmente protegida de invasores pelo Deserto do Saara e fertilizada pelo Rio Nilo. 
Todo ano, entre junho e setembro, as águas do Nilo aumentavam de volume e inundavam suas margens, depositando sobre elas o lodo que deixava o solo fértil para a prática da agricultura. As inundações, contudo, podiam alcançar as aldeias e destruir as áreas de cultivo. 
Além disso, em razão da escassez de chuvas na região, seus habitantes precisavam levar a água até pontos muito distantes das margens para irrigar as plantações.
A história dos antigos egípcios está profundamente ligada ao Rio Nilo. Por volta de 8500 a.C., havia diversas pequenas comunidades instaladas às suas margens.
Todos os anos, o Nilo transbordava por causa das chuvas em sua nascente. Com a cheia, o húmus trazido pelo rio era depositado em suas margens. As pequenas comunidades aproveitavam a fertilidade do solo e plantavam principalmente cereais, linho e leguminosas.
Por volta de 4000 a.C., os moradores desses pequenos vilarejos – chamados nomos – desenvolveram conhecimentos em engenharia e começaram a construir diques para estocar água. Dessa maneira, as comunidades podiam transportar a água para irrigar regiões mais distantes e armazená-la para períodos de seca.

OS NOMARCAS 


Com o crescimento dos nomos, o trabalho começou a ser dividido entre as pessoas. Assim, algumas passaram a cuidar da agricultura; outras, da construção de celeiros para estocar alimentos. Havia ainda os artesãos, os administradores de obras, entre outros trabalhadores.
As pessoas que conquistavam posições de destaque em suas comunidades acabavam assumindo cargos no poder local. O mais importante desses cargos era o de nomarca, uma espécie de governa dor. Alguns nomarcas ampliaram seu poder para outros nomos ou regiões vizinhas. Eles eram respeitados principalmente por sua capacidade de garantir segurança e comida para a população dos nomos.
Por volta de 3500 a.C., os diversos centros de poder do Nilo foram unificados em apenas dois reinos: o do Alto Egito (localizado nas regiões da nascente do Rio Nilo e de seu curso médio) e o do Baixo Egito (no delta do rio).

A unificação dos reinos no Egito


Os assentamentos humanos estabelecidos às margens do Rio Nilo eram chamados de nomos e chefiados por um nomarca. Com o tempo, os nomos uniram-se em dois reinos – o do Alto Egito, ao sul, e o do Baixo Egito, ao norte. Por volta de 3100 a.C., esses reinos foram unificados e ficaram sob a autoridade de um rei único e poderoso, o faraó.
Pouco se sabe a respeito dos primeiros faraós. Conhecem-se apenas alguns nomes, como o do rei Narmer, considerado nas lendas o unificador dos reinos do Alto e do Baixo Egito. Acredita-se que ele foi o fundador da primeira das 33 dinastias que governaram o Egito por mais de três mil anos e também o primeiro faraó.
Depois da unificação, os faraós mantiveram o controle político do reino por aproximadamente um milênio. Após um período de enfraquecimento da autoridade real, a partir de 1580 a.C., os faraós retomaram a estabilidade e adotaram uma política expansionista. A partir de 670 a.C., contudo, o reino foi sucessivamente dominado pelos assírios, persas, gregos e finalmente pelos romanos, em 30 a.C.

Produções artísticas 


Grande parte da produção artística do Egito antigo foi influenciada pela religião. Além da construção de templos, o culto aos deuses levou à criação de esculturas e pinturas que representavam as divindades e a religiosidade do povo egípcio. Mas os temas religiosos não eram os únicos. Existiam também expressões artísticas de cenas do cotidiano, como a colheita, a pesca, o pastoreio, a navegação e o artesanato.
Na pintura, as figuras humanas apareciam, com frequência, em posição rígida e respeitosa, com a cabeça e os pés de perfil e o tronco de frente. Essa maneira de representar a figura humana é uma característica da arte egípcia. No en tanto, algumas obras foram criadas sem seguir esse modelo de representação. 
Os artistas egípcios mais habilidosos conquistavam prestígio e riqueza. Para elaborar as obras, eles deveriam seguir regras e padrões de execução. De forma geral, a arte não exibia o estilo pessoal do artista, que não assinava suas obras.

Pintura mural representando cortejo fúnebre, em uma tumba de Tebas, Egito.

Escrita egípcia 


Assim como os sumérios, os egípcios criaram um sistema de escrita que é considerado um dos mais antigos do mundo. Existem registros da escrita egípcia que datam de cerca de 3000 a.C. 
Os egípcios criaram um sistema de escrita com símbolos que representavam palavras ou ideias, os hieróglifos. Ele era utilizado para registrar leis, ordens do faraó, tradições e textos religiosos. Somente os escribas conheciam e utilizavam essa escrita, considerada sagrada. Havia ainda duas formas mais simples de escrita: a hierática, utilizada pelos sacerdotes, e a demótica, empregada pelos comerciantes.
Os egípcios desenvolveram formas de escrita como a hieroglífica, a hierática e a demótica, que eram utilizadas em diferentes situações. A escrita hieroglífica é a mais antiga e tinha um uso restrito, sendo encontrada principalmente em templos e túmulos. A hierática, uma variação da hieroglífica, aparece em textos sagrados, administrativos e literários. E a demótica, a mais recente e popular, era empregada sobretudo para tratar das questões comerciais e cotidianas. Nesse tipo de escrita, os sinais passaram a representar os sons das palavras.
Com a dominação romana sobre o Egito, iniciada no século I a.C., o conhecimento da escrita egípcia foi se perdendo. Séculos se passaram até que antigos textos egípcios fossem compreendidos novamente. Isso ocorreu apenas no século XIX. 
Em 1822, o estudioso francês Jean-François Champollion começou a decifrar as escritas egípcias. Para isso, ele estudou um documento conhecido como Pedra de Roseta, um fragmento de granito que tinha inscrições talhadas em grego, hieroglífico e demótico. A partir do texto escrito em grego, Champollion decifrou as duas versões da escrita egípcia.
Dessa maneira, abriu-se uma enorme porta para o conhecimento da história do Egito antigo. Foi a partir da decifração da Pedra de Roseta que se desenvolveu a egiptologia.

Escolas e escribas


Assim como na Mesopotâmia, onde existiam escolas para os jovens aprenderem a ler e a escrever, no Egito antigo também existiam escolas para formar os escribas. Além da leitura e escrita, esses jovens estudavam Matemática, Astronomia e se dedicavam a registrar os textos antigos em diferentes materiais, como placas de pedra, tecidos, gesso e, em especial, papiro. 
O papiro era uma espécie de folha produzida artesanalmente a partir do caule de uma planta de mesmo nome. A fibra dessa planta era usada para fazer cestos, esteiras, sandálias e folhas de papel. A própria palavra “papel” tem sua origem no termo “papiro”.
Poucas pessoas podiam frequentar essas escolas. Isso era um privilégio de membros da elite, como governantes, sacerdotes e escribas. A escrita era considerada uma atividade importante para a organização da sociedade – os impostos recolhidos, os julgamentos dos tribunais, a quantidade das colheitas, etc. eram controlados por meio dos registros escritos. Por isso, a função de escriba era respeitada. Eles eram os funcionários encarre gados de ler e copiar os documentos oficiais e fazer as contas dos templos e palácios. O domínio da escrita representava uma forma de poder social.

Divisão social


No Egito Antigo, a maioria da população era formada por camponeses, que trabalhavam muito e tinham de pagar pesados impostos. Algumas atividades eram mais valorizadas do que outras. Os chefes militares, por exemplo, desfrutavam de mais prestígio do que os artesãos e camponeses.
A sociedade egípcia era bastante rígida; as pessoas nunca mudavam da camada social em que haviam nascido. As leis não permitiam o casamento entre pessoas de camadas sociais diferentes.
Os camponeses, chamados de felás, trabalhavam na agricultura e eram obrigados a contribuir com impostos, pagos em produtos. Era dessa forma que o governo sustentava a família real, a nobreza, os sacerdotes e os funcionários; na época das cheias do Rio Nilo, os felás construíam palácios, canais de irrigação, pirâmides etc.
Os escravos eram prisioneiros de guerra e faziam atividades domésticas, carregavam grandes blocos de pedra e cavavam a terra para construir represas. 
Era tarefa dos artesãos produzir utensílios que a sociedade utilizava no dia a dia. Alguns também faziam artigos de luxo, como joias e perfumes, consumidos pela família real e pela nobreza. 
Os comerciantes não eram muito numerosos e viajavam pelas diferentes cidades egípcias em embarcações pelo Rio Nilo. 
A função dos soldados era manter a ordem e defender o território de ameaças externas. Os chefes militares comandavam o exército nas guerras de conquista e na defesa. 
Os funcionários públicos trabalhavam diretamente para o faraó em atividades administrativas. Entre eles havia os escribas, que eram muito prestigiados, pois só eles sabiam ler, escrever e calcular, atividades de grande importância, especialmente para gerenciar o comércio e os mantimentos. Os sacerdotes organizavam as cerimônias religiosas, administravam os templos e eram conselheiros dos faraós. Os nobres ocupavam os principais cargos na corte e os postos mais altos no exército.

Posição social das mulheres 


As mulheres egípcias tinham liberdade para decidir questões relacionadas ao gerenciamento do cotidiano. Nesse aspecto, a condição feminina no Antigo Egito era menos subjugada do que em outras sociedades da época. 
Documentos históricos de cerca de 3500 e 3000 anos atrás indicam que as mulheres podiam possuir bens próprios e administrá-los. Era possível também pedir o divórcio em casos de traição por parte do marido.
Nas famílias egípcias, a mãe geralmente era chamada de senhora da casa, o que indica seu controle sobre o cotidiano doméstico e familiar. A depender da situação financeira, ela podia ser auxiliada por pessoas escravizadas ou em pregadas nas tarefas. O sustento das famílias cabia principalmente aos maridos, mas algumas mulheres auxiliavam no trabalho do campo, enquanto outras cuidavam de pequenas lojas e oficinas de tecelagem. Há registros de mulheres que se dedicavam a atividades como canto, dança ou música.

Religião no Egito Antigo 


O povo egípcio era politeísta e cultuava diversas divindades. As crenças foram tema da pintura e da escultura egípcias. Os deuses eram representados de diversas formas: havia deuses semelhantes a seres humanos e a animais, e deuses cuja representação tinha formas mistas de humano e animal, chamados antropozoomórficos.
Os egípcios acreditavam que os mortos passavam por um tribunal que julgava seus atos e sentenciava-os a outra vida, retornando ao corpo, ou os condenava a ser devorados como castigo pelas maldades que haviam praticado. Devido a essa crença, o corpo do morto precisava ser bem conservado para abrigar sua alma quando ela retornasse. Assim, os egípcios desenvolveram a mumificação, feita por artesãos especializados. 
Na mumificação, os órgãos vitais do corpo eram retirados, com exceção do coração. O corpo era, então, dessecado com sais e depois envolvido em bandagens de linho e lençóis. Por se tratar de um processo complexo e caro, inicialmente era restrito apenas ao faraó, mas depois passou a ser feito a quem pudesse pagar por ele; nessas situações, era realizada uma mumificação mais simples, conforme os rendimentos da família do morto. Aqueles que não podiam pagar pelo processo eram enterrados na areia do deserto, em cerimônias simples. 

O conhecimento dos egípcios antigos


Os egípcios acumularam muitos conhecimentos relacionados às necessidades do cotidiano, principalmente para a sobrevivência no deserto. A preocupação em prever a época das cheias do Nilo para organizar o plantio e a colheita estimulou-os a observar e estudar o movimento dos astros no céu. Assim, desenvolveram a Astronomia e, com base nesses conhecimentos, criaram o calendário de 365 dias, organizados em 12 meses.
Com o objetivo de construir canais de irrigação, represas, pirâmides, templos e palácios, os egípcios criaram técnicas para estabelecer medidas e fazer cálculos matemáticos. Essas construções demonstravam o grande poder atribuído aos governantes e o alto grau de desenvolvimento arquitetônico no Egito Antigo.
A fim de elaborar procedimentos eficientes para a mumificação, os egípcios estudaram o funcionamento do corpo humano, contribuindo, dessa forma, para a criação de processos medicinais de grande importância. Havia especialistas em tratar doenças do estômago e infecções nos olhos, em consertar ossos quebrados e operar crânios, por exemplo.
 

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