A religiosidade e era um traço fundamental da sociedade egípcia.
Os egípcios eram politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses. Entre os mais conhecidos, estavam: Amon-Rá, criador do Universo e de todos os deuses; Osíris, deus da vida após a morte; Ísis, irmã e esposa de Osíris; e Hórus, o filho deles. Seus deuses eram representados com forma humana, como Osíris; com forma humana e animal, como Hórus (corpo de homem e cabeça de falcão); ou somente com a forma animal.
Cada cidade egípcia adorava seu próprio
deus. Os templos erguidos em homenagem a
esses deuses contavam com grande número de
sacerdotes e sacerdotisas. Cabia a eles organizar
tarefas como cuidar das divindades, oferecer-lhes
comida, organizar festividades em sua honra e
escrever ou copiar os textos sagrados.
Deuses e templos
Geralmente, cada cidade tinha um deus principal que era cultuado
em um templo. Entre os templos mais conhecidos estão os de Luxor e de
Karnak, próximos a Tebas, antiga capital egípcia.
O templo de Karnak era dedicado à principal divindade egípcia:
Amon-Rá, o deus Sol, cultuado em todo o Egito, a quem eram dedicadas
as conquistas militares. Para a maioria da população também era importante o culto a Osíris (deus dos mortos e da ressurreição), Ísis (deusa da
vida, esposa e irmã de Osíris) e Hórus (deus do céu e dos faraós, filho de
Ísis e Osíris).
Os antigos egípcios prestavam homenagens aos deuses e dedicavam-lhes
tributos ou oferendas. Acreditando que os deuses tinham desejos parecidos
com os dos humanos, os egípcios ofereciam-lhes presentes como bebidas, comidas e festas.
Os egípcios acreditavam na existência de uma vida após a morte e que toda pessoa, ao morrer, era julgada no Tribunal de Osíris.
O deus Anúbis, divindade representada com corpo humano e cabeça
de chacal, apresentava o morto ao tribunal. Colocava em um dos pratos
de uma balança o coração e, no outro prato, uma pena. Se o coração fosse mais pesado que a pena, o morto estaria condenado a ser comido por
Ammit, animal sagrado cujo corpo era uma mistura de leão, hipopótamo
e crocodilo. Caso contrário, iria para o outro mundo.
Escultura de madeira pintada representando a deusa
Ísis, 323 a.C.-30 a.C. Deusa da maternidade e
protetora da natureza, ela era uma das divindades
mais populares do Egito antigo.
Em caso de absolvição, a alma podia reocupar o corpo ao qual pertencera. Mas, para isso, diziam os egípcios, era necessário que o corpo estivesse conservado.
Isso explica por que os egípcios desenvolveram técnicas de mumificação. A múmia era colocada num sarcófago; este era posto em uma urna funerária e conduzido até o túmulo. Lá, costumavam-se deixar vários objetos, como joias, armas, alimentos, que, posteriormente, segundo acreditavam os egípcios, teriam grande utilidade para o morto.
A riqueza e a variedade dos objetos dependiam das condições de cada um. No túmulo do faraó Tutancâmon, por exemplo, havia um aposento repleto de objetos de luxo, muitos deles feitos de ouro: cadeiras, carros, armas, barcos, armários, poltronas, bastões, colares, estátuas, aparelhos de mesa, objetos pessoais etc. Sua mobília era composta por mais de 5 mil objetos.
A tumba de Tutancâmon e o tesouro nela contido foram encontrados intactos, em novembro de 1922, pelo arqueólogo inglês Howard Carter. Ele nos conta que o dia mais emocionante foi quando, ao abrir a porta da câmara mortuária, avistou três sarcófagos representando Tutancâmon, um dentro do outro, mostrando o belo rosto do faraó; o mais interior era de ouro puro. Neste último, estava a múmia do faraó coberta com uma máscara de ouro e lápis-lazúli.
A cena que vemos está pintada em um papiro do Livro dos mortos
(c. 1300 a.C.) e retrata o julgamento do coração de um escriba de nome
Hunefer. Ele é levado pela mão por Anúbis (deus dos mortos) até a
balança da justiça. Lá, seu coração é colocado num dos pratos e, no
outro, é posta a pena da verdade e da justiça. O coração deveria ser mais
leve que a pena para que a pessoa fosse absolvida.
Mumificação
Os egípcios acreditavam na vida após a morte; para eles, a energia vital ká
poderia voltar ao corpo, caso ele fosse preservado, depois da morte. No reino
do deus Osíris, um dos mais famosos da mitologia egípcia, os mortos seriam
julgados e, se fossem absolvidos, poderiam retornar a seus próprios corpos. Por
isso, havia uma preocupação em conservar o corpo após a morte, o que contribuiu para o desenvolvimento de técnicas de mumificação.
A mumificação era um processo em que o corpo de um morto era transformado em múmia, isto é, em um cadáver conservado. Para isso, retiravam-se
partes internas do organismo, desidratava-se o corpo e nele eram introduzidas
substâncias que combatiam a decomposição.
Havia vários tipos de mumificação. Alguns eram mais simples e baratos; outros mais caros e duradouros. A escolha do tipo de mumificação dependia das
possibilidades de cada família para pagar o artesão que fazia esse trabalho. Eles encomendavam tudo ainda em vida,
inclusive a tumba onde seriam enterrados. Alguns construíram pirâmides para esse fim.
Ao realizar mumificações, os egípcios desenvolveram também estudos sobre o corpo humano que resultaram em conhecimentos médicos, como a
criação de fórmulas químicas para diminuir a dor (analgésicos), tratamento
dos dentes e técnicas cirúrgicas.
Pirâmides
A crença na vida após a morte também esteve relacionada com a construção
de sofisticadas tumbas, o que exigiu conhecimentos avançados de Matemática
e Engenharia. As tumbas egípcias mais conhecidas são as pirâmides.
Na região de Gizé (próxima ao Cairo, a atual capital egípcia) estão localizadas
as pirâmides dos faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos. A maior delas é a de
Quéops, com cerca de 150 metros de altura, o que corresponde a um prédio de
mais ou menos 50 andares. A menor é a de Miquerinos.
Para a construção dessas pirâmides, foram utilizados blocos de pedra resistentes, como o granito ou o basalto. Calcula-se que na pirâmide de Quéops
foram utilizados mais de 2 milhões de blocos de pedra.
À frente dessas três pirâmides, foi construída a Esfinge de Gizé. A esfinge é uma
enorme escultura que tem por volta de 20 metros de altura e representa uma ca
beça humana em corpo de leão. Acreditava-se que ela era guardiã das pirâmides.
A reforma de Akhenaton
Durante o Novo Império, o faraó Amenófis IV promoveu uma reforma religiosa radical: aboliu o culto a vários deuses e implantou o culto a um só deus, o deus Aton, simbolizado pelo disco solar.
Amenófis IV mudou seu nome para Akhenaton, servidor de Aton, e fundou uma nova capital. Adotando o culto a um único deus, Akhenaton visava, entre outras coisas, limitar o poder dos sacerdotes que administravam os templos dedicados aos numerosos deuses egípcios.
Sua reforma religiosa, porém, não prosperou, por causa da força dos sacerdotes e da enorme popularidade dos deuses egípcios. Com a morte do faraó reformador, restabeleceu-se o politeísmo no Egito.
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