Depois dos sumérios, outros povos dominaram a Mesopotâmia, como os acádios,
os babilônios e os assírios. Ao longo do tempo, essas sociedades passaram por diversas transformações.
A base da economia mesopotâmica era a agricultura. Os principais produtos cultivados eram linho, lentilha, trigo, gergelim e cevada. Em pequenas áreas, entre os grandes campos cultivados, os camponeses produziam legumes e hortaliças.
A água necessária para irrigar as plantações era captada dos rios Tigre e Eufrates, que também possibilitavam a pesca e a criação de animais. Os mesopotâmicos criavam ovelhas para a produção de lã; cabras e vacas para a obtenção do leite e de seus derivados; mulas e bois para o transporte e a tração dos arados nos campos.
A grande quantidade de rios na Mesopotâmia e em suas proximidades facilitava
o deslocamento das pessoas de algumas regiões para outras. Essa condição natural favoreceu as trocas culturais entre os diferentes povos e o desenvolvimento
de muitos costumes comuns. Além disso, os rios tinham grande importância para
o comércio, pois eram utilizados como vias de circulação para grande parte das
mercadorias.
Os povos da Mesopotâmia adquiriam de outras regiões produtos como madeira,
metais e pedras preciosas, fornecendo, inicialmente, artigos agrícolas e objetos
artesanais. Com o crescimento das cidades e o aumento das atividades comerciais, os mercadores mesopotâmicos passaram a utilizar peças de metal como
pagamento.
Técnicas e inovações
O sistema de irrigação viabilizou o controle dos recursos hídricos da região. Com
os canais, era possível desviar as águas das cheias dos rios para regiões mais secas,
aumentando as áreas férteis para o cultivo de alimentos. Os diques permitiam armazenar a água das cheias dos rios para irrigar as plantações na época das vazantes.
Com isso, havia grande produção de alimentos, cujos excedentes eram comercia
lizados entre as cidades e com outros povos. O transporte dessas mercadorias para
regiões mais distantes foi facilitado por inovações como o uso da roda na locomoção, que beneficiou o comércio.
A vida nas aldeias
As grandes cidades-Estado mesopotâmicas eram circundadas por várias aldeias
rurais. No campo, as pessoas se dedicavam à agricultura, à criação de gado e ao
pequeno artesanato.
Inicialmente, os povos que viviam na Mesopotâmia eram caçadores-coletores e produziam instrumentos feitos de pedra, ossos e madeira. Aos poucos, alguns desses povos
começaram a cultivar vegetais, a criar animais e a permanecer mais tempo nos lugares
que ocupavam, formando aldeias sedentárias.
Entre os produtos agrícolas cultivados, podemos citar: cevada, trigo, linho, gergelim,
tâmara, cebola e alho. Entre os animais domesticados, destacamos: ovelhas, cabras,
porcos e bois.
Na Mesopotâmia, o desenvolvimento da agricultura e da criação de animais começou
por volta de 8000 a.C. Para melhorar a produção agropastoril, por exemplo, os sumérios
e os acádios aprenderam a controlar a ocorrência de inundações pela água dos rios, pois,
na época das cheias, os rios transbordavam e suas águas podiam destruir as plantações.
Para impedir que isso ocorresse, povos da região construíram muros e diques capazes
de conter a água. Além disso, fizeram canais de irrigação que levavam a água até os
terrenos mais secos.
A construção de muros, diques e canais de irrigação foi realizada primeiro pelos mora
dores das aldeias. Depois, parte dessas atividades passou a ser controlada por administradores de templos e palácios.
A produção agrícola e a criação de animais transformaram o cotidiano dos habitantes
da Mesopotâmia. Um exemplo dessas transformações foi a especialização de alguns trabalhos. Assim, havia pessoas que se dedicavam mais à produção de metais e cerâmicas,
à confecção de tecidos ou ao comércio.
As pessoas mais pobres, que não tinham terra, prestavam serviços diversos
como vaqueiros, carroceiros e pastores para as famílias em períodos de muito trabalho, principalmente nas épocas de plantio e de colheita, em troca de pagamento.
Em certas áreas da Mesopotâmia, algumas famílias concentraram terras e formaram grandes propriedades ocupadas com pomares e rebanhos. Essas grandes
famílias proprietárias conquistaram riqueza e destaque social.
Parte do que era produzido nos campos da Mesopotâmia destinava-se ao pagamento de impostos aos palácios e templos. Outra parte era negociada entre famílias de diferentes aldeias e também com as cidades. As intensas trocas permitiam
o consumo de grande diversidade de produtos.
O trabalho no campo e na cidade
Os trabalhadores do campo cultivavam
cevada, trigo, gergelim, linho e algodão,
além de legumes, hortaliças e frutas. Eles
também se dedicavam à criação de animais como bois, ovelhas e cabras.
Nas cidades, havia trabalhadores especializados, como pedreiros, barbeiros,
carpinteiros, comerciantes e artesãos.
Escravos e livres
A população da Mesopotâmia estava dividida em dois grandes grupos sociais: o dos escravos e o das
pessoas livres.
A população livre era maioria nas sociedades mesopotâmicas. Mas, entre as pessoas livres, havia grandes
distinções sociais, que dependiam da origem familiar, do ofício que exerciam e do local em que viviam. Como
acontece hoje, havia ofícios relacionados ao meio rural e ofícios próprios do meio urbano.
Os escravos constituíam uma minoria. Eram prisioneiros de guerra ou pessoas livres que haviam se vendido
ou sido vendidas por suas famílias para os mercadores de escravos. A maior parte das pessoas escravizadas
vivia no meio urbano e a economia não dependia diretamente dessa mão de obra.
Organização das famílias
Nas aldeias da Mesopotâmia, os trabalhos
relacionados à agricultura e à criação de animais
eram realizados basicamente pelas famílias.
De início, eram famílias alargadas, ou seja,
formadas por avós, pais, filhos, tios, primos,
netos, genros ou noras que viviam em um
mesmo local.
Mas essa forma de organização familiar modificou-se com o tempo.
No começo do II milênio a.C., há indícios de que
essas famílias começaram a ser substituídas por
famílias nucleares, formadas apenas por pais,
filhos e poucas pessoas próximas.
Detalhe de placa representando uma família
composta de um casal e dois filhos, c. 645 a.C.
Essa placa foi encontrada em palácio real na
antiga cidade de Nínive, no atual Iraque.
As famílias alargadas e nucleares foram importantes na organização da vida social.
Os líderes das famílias procuravam resolver conflitos internos nas aldeias e defendiam
os interesses dos moradores diante das autoridades dos templos e palácios.
A vida nas cidades
Na Mesopotâmia, foram encontrados vestígios de cidades sumérias como Ur, Uruk,
Nippur, Lagash e Eridu, que se desenvolveram por volta de 4000 a.C.
Nas cidades, havia trabalhadores especializados em ofícios diferentes dos das pessoas que viviam nas aldeias. Entre os trabalhadores urbanos estavam os artesãos, que,
dominando ferramentas e técnicas próprias, se dedicavam à produção de vários bens.
Como exemplos de artesãos, podemos mencionar ceramistas, construtores de carroças,
carpinteiros, moedores de cereais (moleiros) e tecelões.
Além disso, as cidades se diferenciavam das aldeias por apresentarem uma população
mais numerosa vivendo de maneira mais adensada. Nelas havia diversos tipos de construção, como casas, templos, ruas, pontes e palácios. Dessas construções, destacavam-se
os templos e o palácio real, que eram centros de poder.
Nos centros urbanos, as tarefas de controlar a arrecadação de impostos, coordenar a construção de obras de
irrigação, organizar exércitos e abastecer os templos e
palácios exigiam uma grande variedade de profissionais,
como artesãos, ferreiros, escribas, médicos e soldados,
entre outros. Diversos tipos de ocupação também eram
exercidos pelas mulheres.
O crescimento das trocas mercantis com povos vizinhos levou ao enriquecimento dos comerciantes e fez
surgir também homens de negócios que emprestavam
dinheiro a juros, uma espécie de ancestral dos banqueiros contemporâneos.
Ao redor de algumas cidades foram erguidas muralhas protetoras e torres de vigilância.
A cidade suméria de Uruk, por exemplo, foi rodeada por uma muralha com aproximada
mente 10 quilômetros de extensão.
Miniatura de uma casa.
c. 2900-2200 a.C.
Escultura em terracota.
Peça sumério-acadiana
encontrada na Síria.
Museu Nacional da Síria, Alepo.
Réplica da Porta de Ishtar, que ficava ao norte da Babilônia.
Iraque, 2016. A original, retirada do local onde foi construída por
enviados do governo prussiano, no século XIX, está no Museu
Pergamon, em Berlim.
Especialmente ao longo do século XIX, diversos achados arqueológicos da África
e da Ásia foram retirados de seus locais de origem pelas potências europeias da época, e constituem,
até hoje, parte do acervo de importantes museus daqueles países.
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