domingo, 20 de setembro de 2026

As sociedades pré-colombianas

No passado, os territórios onde hoje são o Peru, o México, a Bolívia, a Guatemala e o Chile eram habitados por grandes civilizações, com destaque para as sociedades maia, asteca e inca. Esses povos foram responsáveis pela domesticação de muitos alimentos consumidos no presente e pelo início da criação de animais como a lhama. Eles também elaboraram sofisticados conhecimentos técnicos e desenvolveram Estados que abrigavam milhões de pessoas.
Algumas dessas civilizações estavam no auge quando os europeus chega ram na América, no final do século XV, o que provocou a desestruturação des sas sociedades, além de resultar na morte de milhões de pessoas. Ainda assim, a cultura que elas criaram permanece viva e é um dos elementos centrais para entender como vivem muitos povos americanos no presente.

MODOS DE VIDA NA AMÉRICA: MESOAMÉRICA E ANDES

Grande parte dos historiadores acredita que as mais antigas cidades da América formaram-se em torno de grandes centros cerimoniais, nas regiões da Mesoamérica e dos Andes. Há pelo menos 5 mil anos, já existiam ali sociedades organizadas em cidades, nas quais o poder estava centralizado nas mãos de governantes. Nelas, havia especialização do trabalho e atividade comercial.
Os primeiros centros cerimoniais da Mesoamérica surgiram nas áreas próximas à costa do Golfo do México por volta do ano 1200 a.C. Seus fundadores foram os olmecas. Os centros olmecas exerceram sua influência na região até por volta de 400 a.C. Nesses centros, artesãos produziam estatuetas e cerâmicas de uso cerimonial que foram encontradas ou copiadas em muitas outras regiões da Mesoamérica.
Quando o domínio olmeca e de seu principal centro político, La Venta, entrou em colapso na Mesoamérica, os zapotecas, culturalmente próximos dos olmecas, começaram a construir seus centros político-cerimoniais. O principal deles foi Monte Albán. O sítio arqueológico em que estão os seus vestígios, situado no Vale de Oaxaca, no México, é considerado Patrimônio Mundial pela Unesco.
Monte Albán, além das construções típicas dos centros cerimoniais, como praças, templos e pirâmides, contava também com áreas de residência permanente das elites dirigentes e com bairros onde eram realizados trabalhos especializados, como a fabricação de certos produtos. 
Em Monte Albán foram encontrados alguns dos mais antigos vestígios de escrita das Américas. São grafismos inscritos em monumentos de pedra, relacionados possivelmente a rituais religiosos, que datam de aproximadamente 500 a.C. 
Contudo, os pesquisadores acreditam que a escrita zapoteca pode ser ainda mais antiga, pois provavelmente também foram usados outros suportes para ela, como madeira ou peles de animal, que não foram preservados pelo tempo. De acordo com arqueólogos, essa escrita seria usada para diferentes fins religiosos e administrativos, e apenas membros privilegiados daquela sociedade a dominariam.

Astecas, maias e incas

Em diversas partes da América, formaram-se sociedades marcadas pela exis tência de excedente agrícola, que tornou possível a prática do comércio, a forma ção de cidades complexas e variadas, o desenvolvimento de sistemas de escrita e de numeração, além de de técnicas de cerâmica, de metalurgia e tecelagem.
Três importantes sociedades que se desenvolveram segundo esse modo de organização social foram os astecas e os maias, que ocuparam regiões da América do Norte e da América Central, e os incas, na América do Sul. Porém, é importante ressaltar que esses três povos não foram os únicos que desenvolveram técnicas agrícolas. Em outras regiões da América, como na amazônica, também surgiram importantes sociedades agricultoras.

Os maias 

O povo maia habitava territórios hoje situados no México, Belize, Guatemala, El Salvador e Honduras. Seus antepassados provavelmente chegaram à América Central por volta de 1500 a.C.  O auge dessa civilização estendeu-se de 250 até o ano 900 da era cristã.
Ao longo do processo de sedentarização, os maias aprenderam a praticar a agricultura, cultivando gêneros como milho, feijão, abóbora, tomate, algodão e cacau, e criaram animais de pequeno porte. Também desenvolveram sistemas de irrigação, levando o excesso de água de regiões alagadas para as mais secas por meio de canais. Eles confeccionavam peças de cerâmica, faziam joias, ar mas e estatuetas de ouro, cobre e pedras preciosas e praticavam comércio com povos vizinhos.
Os maias estabeleceram rotas comerciais que percorriam diversas regiões da América Central e América do Norte, conseguindo assim controlar o abastecimento de importantes matérias-primas na região. Esse fator teve grande importância no enriquecimento das cidades maias, especial mente entre os séculos VII e X. 
Cada cidade maia tinha governo, economia, leis e exército próprios, o que as caracterizava como cidades-Estado. Os reis maias eram muito poderosos, dirigiam a política interna e externa e eram auxiliados por um Conselho de Estado.
Os maias viviam em cidades governadas por chefes com poder hereditário. O chefe de cada cidade exercia funções políticas e religiosas, e era auxiliado por um conselho composto de líderes tribais, nobres guerreiros e sacerdotes. Esse grupo formava a elite maia e detinha a posse das terras. Quem cultivava essas terras eram os camponeses, que viviam em moradias rústicas e tinham direito apenas a uma parte do que produziam.
Essa sociedade hierarquizada pode ter sido, segundo muitos estudiosos, resultado da influência do povo olmeca, que se relacionou com os maias principalmente por meio de trocas comerciais. As relações comerciais também ocorriam entre as várias cidades maias. O principal produto comercializado era o tecido.
Embora o comércio fosse uma atividade econômica bastante importante, a agricultura constituía a base da economia maia. O principal produto cultivado era o milho, tão relevante que, segundo os mitos maias, foi utilizado pelos deuses como matéria-prima para criar o homem. Os maias também produziam cacau, algodão, feijão, pimenta, abóbora, mamão e abacate. Além disso, criavam cães (para a caça e a alimentação), perus e abelhas, e praticavam a pesca.
O conjunto arquitetônico maia é bastante exuberante e revela a relação entre arte, astronomia e religião. Além disso, grandes templos e palácios eram construídos para inspirar respeito e admiração.

Templo dos Guerreiros, no sítio arqueológico da cidade maia de Chichén Itzá, na Península de Yucatán, no México


Cultura maia

Desde o início da história maia, os sacerdotes procuravam entender os movimentos dos corpos celestes como uma forma de explicar os desígnios dos deuses. Por isso, os sacerdotes maias também eram matemáticos e astrônomos.
Os maias desenvolveram estudos de Astronomia e Matemática que os ajudaram nas práticas agrícolas. Construíram templos e pirâmides e criaram um calendário solar e um sistema de escrita hieroglífica e ideográfica.  
Em relação ao desenvolvimento dos conhecimentos ma temáticos, os maias criaram um símbolo para representar o zero e o utilizavam em cálculos. Além disso, eles conheciam os movimentos do Sol, da Lua e de Vênus e os eclipses solares e lunares; e criaram dois calendários, que utilizavam simultaneamente: um sagrado, de 260 dias (astrológico), e outro não religioso, de 365 dias (solar). 
Graças a esses calendários, os sacerdotes conseguiam indicar as épocas propícias para o preparo do campo, a semeadura e a colheita. 
A religião maia era politeísta e seus deuses representavam forças da natureza. Em troca de proteção e boas colheitas, os maias ofereciam jejuns, preces, danças rituais e sacrifícios humanos aos deuses. As cerimônias religiosas eram realizadas no alto das pirâmides, e o povo assistia a elas do chão.

Enfraquecimento político 

Os maias construíram e mantiveram suas cidades até aproximadamente o ano 900, quando começaram a entrar em declínio. Não se sabe ao certo o motivo desse processo, mas há algumas hipóteses, como o surgimento de epidemias, guerras internas e invasões de outros povos. Estudos recentes sugerem, ainda, que esse declínio pode estar relacionado a causas ambientais. O uso de técnicas agrí colas rudimentares teria levado ao esgotamento do solo, o que diminuiu a produtividade das lavouras e, consequentemente, a oferta de alimentos.
Outro estudo aponta uma prolongada estiagem como a causa do declínio dessas cidades. Muitas delas, como Tikal, foram planejadas para armazenar água da chuva para uma população de até 10 mil habitantes por um período de 18 meses. O longo período de seca restringiu o acesso da população à água e, assim, teria contribuído para diminuir a autoridade dos governantes das cidades.
Antes da conquista europeia, a sociedade maia já estava enfraquecida, talvez pela falta de unidade política e pelas rivalidades entre as cidades-Estado. A situação foi agravada por furacões, epidemias, empobrecimento da população e enfraquecimento das crenças. Apenas a península de Iucatán escapou a esse declínio. Em 1523, o espanhol Pedro de Alvarado, vindo do México, dominou os maias.

Os maias nos dias de hoje 

O declínio das cidades, porém, não significou, como muitos acreditam, o fim dos maias. Atualmente, mais de 6 milhões de indígenas de grupos linguísticos maias estão distribuídos por regiões do México, de Belize, de Honduras e, principalmente, da Guatemala, onde vive a maior parte deles.
As etnias indígenas de origem maia mantiveram os mitos e as tradições do seu passado pré-colombiano, renovando-os com crenças e práticas religiosas incorporadas do cristianismo.
Entre as principais atividades econômicas dos gru pos remanescentes maias, estão o cultivo do milho e do feijão e a produção de artesanato. 

Povos andinos 

Os mais antigos centros políticos e cerimoniais dos Andes, com edifícios monumentais em pedra, foram construídos na costa desértica do centro e do norte do atual Peru. Nesses centros, havia pirâmides, plataformas, praças e conjuntos residenciais habitados pelas elites dirigentes.
A antiguidade desses locais tem surpreendido os estudiosos, especialmente Caral, centro político urbano datado de aproximadamente 2500 a.C. O sítio arqueológico de Caral abriga seis pirâmides, um anfiteatro circular e um setor residencial, além de canais de irrigação. As escavações no local indicaram que havia plantações de goiaba, ají (um tipo de pimenta), abóbora, feijão e abacate. Foi possível concluir, também, que seus habitantes consumiam peixes e mariscos, vindos do litoral. 
Um dado que intriga os arqueólogos é o fato de não terem sido encontrados, no sítio de Caral, objetos de cerâmica para armazenamento ou cozimento de alimentos. Para eles, isso indica que, naquela sociedade, a produção e o armazenamento de alimentos não eram feitos em grande escala, e que as trocas comerciais feitas com cidades próximas eram tão importantes para a economia como a atividade agrícola.

Chavín de Huantar 

Chavín de Huantar foi um importante centro político-cerimonial surgido nas terras altas da Cordilheira dos Andes, por volta do ano 1000 a.C. Situado a aproximadamente 3 mil metros de altitude, próximo à região amazônica, o centro da cultura chavín apresenta muitas características comuns a outros centros políticos da costa desértica do Peru, como arquitetura monumental, pirâmides, praças e pátios afundados.
A monumentalidade de suas construções supera a de outros núcleos da região, o que demonstra sua relevância política. Além disso, a cerâmica desenvolvida pela primeira vez em Chavín de Huantar foi copiada por outros povos dos Andes Centrais, o que revela sua influência cultural.
Por volta do ano 300 a.C., Chavín de Huantar entrou em colapso. Segundo alguns especialistas, é provável que um longo período de guerras entre diversos povos andinos tenha desarticulado as rotas de comércio que existiam na região e levado os chavíns a contestar a autoridade de seus principais líderes, os sacerdotes, favorecendo o declínio desse centro político-cerimonial.

Vaso chavín. c. 200 a.C. Cerâmica. Museu do Banco Central de Reserva, Lima, Peru. De maneira geral, os chavíns representavam animais predadores em suas imagens. Os estudiosos acreditam que esses símbolos estão relacionados aos governantes e às elites dirigentes locais.


Os astecas

Os astecas eram um povo que migrou de regiões norte-americanas e foi ocupando a região conhecida como Vale do México, entre os séculos XII e XIII. Também chamados de mexicas (de onde deriva o nome “México”), eles falavam o nahuatl, que é a língua indígena mais falada hoje nesse país, mesmo após ter passado por transformações.
O povo asteca fundaram sua capital, Tenochtitlán, que encantou os espanhóis com sua beleza e seu planejamento. Entre os séculos XV e XVI, os astecas expandiram seu território e conquistaram muitos povos, formando um império bastante poderoso no período. 
No centro dessa cidade havia um imponente templo construído em forma piramidal. Os historiadores calculam que Tenochtitlán chegou a ter entre 100 mil e 230 mil habitantes, alcançando uma área de 13,5 quilômetros quadrados. Para ter uma ideia do tamanho dessa cidade asteca, podemos compará-la à movimentada Sevilha, que tinha cerca de 150 mil habitantes e era a maior cidade espanhola no século XVI.
Por meio de alianças e conquistas militares, os astecas expandiram seus territórios, dominando regiões centrais do atual México, desde o Atlântico até o Pacífico. Calcula-se que a população desse império atingiu cerca de 6 milhões de pessoas. 
Grandes centros urbanos, como Tenochtitlán, eram sustentados por tributos, muitas vezes pagos sob a forma de alimentos que vinham das diferentes regiões dominadas pelos astecas.
Os astecas aproveitavam o excesso de água de solos pantanosos para irrigar as áreas secas e plantavam diversos gêneros de frutas, grãos e leguminosas. Produziam peças artesanais com cobre, bronze, ouro, prata, sisal, plumas e corantes.
A sociedade asteca era com posta de nobres, sacerdotes, militares, comerciantes, artesãos, camponeses e escravos de guerra. A cobrança de tributos dos povos conquistados fez com que riquezas variadas chegassem às cidades astecas. Isso ampliou as redes comer ciais e permitiu o enriquecimento de setores importantes da sociedade asteca.

Cultura asteca 

Os astecas eram politeístas e praticavam sacrifícios humanos, pois acre ditavam que agradar aos deuses evitaria que o mundo mergulhasse no caos. Na arquitetura e no planejamento urbano, utilizaram cálculos precisos para a elaboração e a construção de praças, edifícios públicos, templos, escolas, mercados e casas. Elaboraram dois calendários bastante detalhados, um solar e um religioso, e desenvolveram a escrita hieroglífica e a pictórica, baseadas em desenhos que representavam ideias.

Enfraquecimento político

 Em 1519, os espanhóis chegaram ao território asteca, liderados por Hernán Cortez. Inicialmente, os astecas acreditaram que os conquistadores fossem divindades, pois esperavam o dia em que o deus Quetzalcóatl chegaria pelo mar para viver com seu povo. 
No entanto, ao perceber que se tratava de uma invasão, os astecas iniciaram a guerra. O uso de armas de fogo e cavalos, além da transmissão de doenças como varíola e gripe, contribuíram para a vitória espanhola. Outro fator de terminante foi a aliança com povos dominados pelos astecas, que, descontentes, ajudaram Cortez e seu exército. Em 1521, o líder asteca Montezuma estava morto, e seu povo, destruído.

Os incas 

O povo inca ocupava uma extensa faixa de terras da América do Sul, e sua capital, Cuzco, foi fundada por volta do século XII, estendendo sua dominação aos demais povos da região. Uma ampla rede de estradas e pontes e um eficiente sistema de correios facilitavam o controle do imperador sobre as regiões e o contato entre elas. 
A sociedade inca era organizada em comunidades chamadas ayllus, cada uma com sua divindade protetora e seu chefe local. A população era composta por nobres, sacerdotes, militares, funcionários públicos, artesãos, camponeses e escravos. Uma parte das terras cultiváveis e dos rebanhos pertencia ao imperador e, em troca, o povo recebia alimentos e roupas.
Nas regiões montanhosas dos Andes, os incas desen volveram a técnica da agricultura em degraus esculpidos nas montanhas e construíram canais que traziam a água das geleiras andinas para irrigar o solo. Criavam alpacas, lhamas e vicunhas, que eram utilizadas no transporte e para a obtenção de lã. Faziam artesanato com couro e me tais diversos e praticavam principalmente o escambo.

Cultura inca

Os incas eram politeístas e seus principais deuses eram Sol e Wiracocha. Raramente faziam sacrifícios humanos, sendo mais comum o sacrifício de animais.
Os incas desenvolveram uma escrita muito original: os quipos, palavra que significa nó na língua inca. Essa escrita era interpretada por especialistas chamados quipucamayocs, que anotavam informações, estabeleciam estatísticas e transmitiam ordens.
Os cordões dos quipos eram feitos de algodão ou de lã de lhama ou alpaca. A posição do nó, bem como a sua quantidade, indicava valores numéricos segundo um sistema decimal. As cores do cordão, por sua vez, indicavam o item que estava sendo contado, sendo que para cada atividade existia uma simbologia de cores.
Ruínas de construções revelam que os incas tinham conhecimentos de arquitetura e engenharia. Tinham também noções de astronomia e astrologia, que utilizaram para elaborar seu calendário e prever chuvas ou secas.

Enfraquecimento político 

Em 1532, os espanhóis, liderados por Francisco Pizarro, atacaram e saquearam territórios incas. No período, os irmãos Atahualpa e Huáscar, herdeiros do império, lutavam pelo trono e, assim, o primeiro assassinou seu irmão e tomou o poder. Divididos por essas lutas internas, os incas tiveram dificuldades para enfrentar os conquistadores e, em 1533, Atahualpa foi preso e executado a mando de Pizarro. As principais cidades foram destruídas e o Império Inca foi derrotado.

O Crescente Fértil

Os primeiros núcleos urbanos provavelmente se formaram em uma região chamada Crescente Fértil. Ela recebeu esse nome em razão de seu formato, semelhante ao da Lua na fase crescente (note na representação no mapa). Pelo Crescente Fértil, passavam três grandes rios: o Tigre, o Eufrates e o Nilo. O solo perto desses rios era bem fértil. Por isso, a região foi escolhida por alguns grupos humanos para morar e plantar alimentos. 
A parte do Crescente Fértil localizada entre os rios Tigre e Eufrates é chamada Mesopotâmia. Esse nome grego significa “região entre rios”. As cheias desses rios ocor riam na época adequada à colheita de alimentos, principalmente dos cereais, e o volume das águas deles diminuía no período da plantação. Assim, na Mesopotâmia, era preciso construir barragens e canais de irrigação para armazenar a água e poder usá-la depois na agricultura.
O conhecimento desenvolvido pelos humanos foi fundamental para resolver problemas relacionados à plantação e planejar a produção de alimentos. Foi importante também para solucionar questões ligadas às formas de moradia, pois com a sedentarização os indivíduos passaram a viver cada vez mais próximos uns dos outros. Essa proximidade favoreceu o aproveitamento dos recursos disponíveis e as habilidades de cada pessoa para facilitar a sobrevivência da comunidade. 
Com isso, algumas funções acabaram se tornando mais valorizadas que outras. Formou-se, então, um complexo pro cesso de valorização e desvalorização de certas funções, dando origem ao que se denomina estratificação social.

Conceito de civilização.

Uma civilização corresponde a uma população que se estabelece em um território e ali desenvolve um sistema de valores e características culturais semelhantes. 
Os costumes, as regras, as leis, as instituições, o desenvolvimento econômico, as crenças religiosas, os valores sociais, tudo isso diz respeito ao conceito de civilização. Entretanto, devemos ter cuidado ao empregar essa palavra, pois durante muito tempo o conceito de civilização foi usado como sinônimo de cultura, educação. E não ser civilizado era ser inculto, não educado. Ou seja, o conceito de civilização era utilizado para julgar (e condenar) sociedades com culturas diferentes das já conhecidas. 
Hoje sabemos que existiram, e ainda existem, muitas civilizações no mundo e que nenhuma delas pode ser considerada superior ou inferior às outras. 
Civilização corresponde ao que alguns historiadores, como Fernand Braudel, definem como o conjunto de valores e de características culturais e materiais compartilhados por uma sociedade em determinado espaço ao longo de um tempo.
De acordo com alguns estudiosos, uma civilização não precisa ser delimitada por fronteiras políticas. Ela pode abranger grandes áreas, com diversas cidades, desde que compartilhem tradições culturais e uma ideia de identidade comum.

Os povos Tupi-Guarani

Entre os povos que viviam no território do atual Brasil, estão os Tupi-guarani. Os povos falantes de idiomas do grupo tupi se formaram há cerca de 5 mil anos, em uma vasta região do norte do atual território do país, onde atualmente fica Rondônia. Uma parte desses povos permaneceu nessa área, mas outros se espalharam em diversas direções. 
Uma das famílias de línguas tupi, que os pesquisadores chamaram de tupi-guarani, apresentou a mais rápida e ampla expansão territorial. Outro grupo linguístico importante, que reunia diversos povos no interior do território, era o macro-jê.
Há indícios de que esses povos iniciaram um movimento de migração do sul da Floresta Amazônica em direção ao litoral por volta de 500 d.C. Eles buscavam a mitológica “Terra sem Mal”, um lugar onde havia fartura e não se morria. 
Como vários povos em diferentes espaços e tempos históricos, os Tupi-guarani buscavam um mundo imaginário onde a existência seria mais feliz e plena para todos.
Esses grupos saíram da parte sul da região amazônica em direção às áreas central e meridional do território. Nos locais em que se estabeleciam, cultivavam milho e mandioca usando a técnica da coivara. Essa técnica consiste na derrubada e na queimada de partes da floresta a fim de abrir espaço para a plantação.
O uso contínuo dessa técnica esgotava rapidamente o solo. Por isso, os grupos indígenas precisavam se mudar com frequência em busca de outras áreas de plantio. Essa constante necessidade de deslocamento favoreceu a difusão da prática agrícola pelo território.

Muitos povos, muitas rivalidades


Apesar de terem certa unidade linguística e cultural, os Tupi-guarani não formavam um único povo. Eles se subdividiam em grupos que falavam línguas diferentes, mas parecidas entre si, como Carijó, Tupiniquim, Tupinambá, Potiguar, Guarani etc.
Segundo alguns pesquisadores, havia uma população de aproximadamente 1 milhão de Tupi-guarani antes do contato com os europeus. Essa população ocupava longos trechos do litoral e do interior, acompanhando o vale dos rios. 
Havia também outros povos no território brasileiro. Os Tupi-guarani chamavam esses povos de tapuias, os “inimigos” que falavam outras línguas. Eram Cariri, Aimoré, Tremembé etc.
Os Tupi-Guarani dominavam o plantio de mandioca e do milho, e sabiam explorar os recursos das florestas tropicais, tanto na Amazônia quanto nas áreas da Mata Atlântica. Eram habilidosos produtores de cerâmica, que utilizavam para fins diversos e em cerimônias fúnebres.
As aldeias e os agrupamentos humanos tinham proporções variadas, mas, em geral, eram formadas por poucas centenas de pessoas, sob comando de um chefe guerreiro. Não havia diferenças sociais marcantes e o prestígio de alguém dependia das próprias habilidades, especialmente nas artes da guerra.
Os Tupi-guarani estavam divididos em diversos grupos. Cada um desses grupos abrangia um conjunto de aldeias que, em geral, reuniam entre 500 e 2 mil pessoas. Eles moravam em casas coletivas feitas de madeira e cobertas com palha. Essas aldeias eram lideradas por chefes e conselheiros, como os pajés e os caraíbas, que tinham funções religiosas.
Os Tupi-guarani podiam deslocar suas aldeias para novos locais quando havia desgaste do solo, diminuição de animais de caça, disputas internas entre grupos rivais ou quando ocorria a morte de um líder.
Os diferentes povos tupis-guaranis nutriam rivalidades entre si e com outros grupos, por isso guerreavam com frequência. As rivalidades ancestrais eram revividas a cada guerra ou confronto, em que os inimigos aprisionados eram mortos e, por meio de um ritual, eram devorados por todos os habitantes da aldeia. Com tais rituais antropofágicos, vingavam a morte dos ancestrais e, ao mesmo tempo, acreditavam adquirir as virtudes do guerreiro sacrificado.
Para realizar os rituais antropofágicos, eles cuidavam bem de seus prisioneiros por dias ou meses. Depois, o prisioneiro era executado, geralmente na época da colheita. Nessa ocasião, pessoas de outras aldeias eram convidadas a participar do ritual.  Entre os Tupi-guarani não havia a prática de escravizar os vencidos ou exigir deles o pagamento de tributos.
Ao praticar a antropofagia, os indígenas acreditavam que assumiriam as qualidades do guerreiro sacrificado. Faziam o mesmo com a onça, animal que admiravam e temiam. Isso explica por que eles não comiam animais como o bicho-preguiça, que era considerado lento e indefeso, algo que ninguém desejava ser.

A cerâmica tupi-guarani e os sítios arqueológicos


A imagem a seguir é uma fotografia de uma escavação no sítio arqueológico Domingos, próximo ao rio Parauapebas (Pará). No centro da imagem, você pode observar um vaso largo de cerâmica, datado de cerca de 650 d.C., desenterrado pelas equipes de arqueologia. Esses objetos foram encontrados embaixo da chamada Terra Preta de Índio (TPI), um tipo de solo muito fértil, produzido pelos povos originários por meio de mistura com resíduos orgânicos (restos de animais e plantas).
Os vestígios encontrados no sítio Domingos mostram que o local serviu de habitação permanente para grupos tupis-guaranis, pois possui grande quantidade de material cerâmico, além de material de pedra lascada e polida.

Fotografia de data desconhecida que mostra vasilhame inteiro encontrado em escavação no sítio arqueológico
Domingos, no estado do Pará.



Os Marajoara

Na foz do Rio Amazonas, no Pará, existe uma ilha chamada Marajó. Há aproximadamente 1600 anos, habitou esse local um dos principais povos agricultores: os Marajoara. Pesquisas realizadas nos sítios arqueológicos indicam que em seu auge, entre os anos 1000 e 1300, a população pode haver alcançado até 100 mil pessoas.
Os primeiros habitantes de Marajó chegaram à ilha por volta de 5000 a.C. e formaram uma sociedade cujo meio de vida também estava integrado ao movimento das cheias e das secas.
Durante o período das inundações, peixes e tartarugas iam dos leitos profundos dos rios para as regiões alagadas em busca de alimento ou para botar ovos. Quando as águas diminuíam, os peixes nem sempre conseguiam voltar para o leito do rio e ficavam presos em lagoas e grandes poças de água. Formavam-se, assim, verdadeiros tanques naturais cheios de peixes que permitiam alimentar uma população numerosa.
Com uma dieta rica em peixes e tartarugas, os marajoaras contavam ainda com uma área mais fértil da ilha, onde se plantava mandioca, e realizavam o manejo de espécies da mata, como o buriti e o açaí. Não se sabe exatamente a razão, mas, por volta de 400 d.C., os antigos marajoaras passaram a alterar em grande escala o ambiente e viveram a partir daí um longo período de transformações em sua cultura material. 
Na época das secas, eles passaram a transportar terra das regiões que tinham sido mais alagadas para as regiões mais altas. Assim, eles aumentaram a extensão das áreas secas, criando morros artificiais, chamados de “tesos” pelos moradores atuais da ilha. Ao mesmo tempo, os marajoaras aumentaram a profundidade dos poços e das represas onde os peixes ficavam presos no fim da época das cheias.
Esse engenhoso sistema parece ter garantido uma oferta mais segura e variada de alimentos: os marajoaras passaram assim a controlar melhor os viveiros de peixes. Com o crescimento desse sistema, houve uma diferenciação social mais intensa e, com ela, o surgimento de uma elite que controlava os poços e as represas em torno dos tesos onde moravam.
A sociedade marajoara provavelmente era dividida por funções sociais: algumas famílias se responsabilizavam pela caça, outras pelo artesanato e outras assumiam funções religiosas e de governo. Os principais vestígios deixados pela cultura marajoara foram suas cerâmicas. 

As artes marajoaras


Em alguns tesos, foram descobertas numerosas sepulturas que continham “bens funerários”, isto é, objetos que eram enterrados com os mortos. Os vestígios analisados revelam que os Marajoara desenvolveram uma extraordinária cultura em torno das cerimônias fúnebres, usadas para distinguir as pessoas comuns das integrantes da elite que dominava os tesos.
Os mais fascinantes objetos da cultura material marajoara que chegaram até os nossos dias foram suas cerâmicas: vasos, cachimbos, estatuetas e objetos ritualísticos diversos, como as urnas funerárias.

Urna funerária marajoara datada de 400 d.C.-1400 d.C. Urna funerária em forma de um animal (zoomorfa), com motivo decorativo pintado em preto e vermelho, e apliques em relevo de boca, olhos e nariz. Embora o significado das decorações tenham se perdido com o tempo, sabe-se que essas urnas tinham uma função sagrada. 
O povo marajoara acreditava que as urnas eram um meio de passagem para outra vida. Os mortos eram enterrados em urnas de diversos tamanhos, algumas vezes ricamente adornadas e outras vezes lisas. A decoração mais elaborada indicava que o morto possuía um lugar de destaque na sociedade.

Estatueta antropomorfa representando uma mulher grávida. As estatuetas marajoaras são caracterizadas por atributos femininos, como seios, e pela diversidade de decoração, como tamanho e forma. Algumas reúnem características do sexo feminino e do masculino no mesmo objeto. Muitas delas eram utilizadas como instrumentos musicais, por isso são ocas e possuem pedrinhas em seu interior. 
Por terem sido sempre encontradas em cemitérios, é possível inferir que possuíam função cerimonial e, provavelmente, eram utilizadas em rituais. A posição da estatueta remete à posição de parto usada pelas mulheres nas sociedades amazônicas. 



Os zapotecas

Os zapotecas viveram na região de Oaxaca, localizada no litoral do Pacífico e formada pelas montanhas e vales da Sierra Madre del Sur, no México. Evidências arqueológicas indicam que eles chegaram, por volta de 2500 a.C., aos três vales e às áreas elevadas que formam essa região. Aproveitando-se dos rios, cultivaram o milho e desenvolveram ao menos três sociedades diferentes, que aparentemente competiam entre si.
Por volta de 500 a.C., os zapotecas começaram a construir, em uma área denominada Monte Albán, um importante centro urbano com vários espaços monumentais e edifícios dedicados à religiosidade, à habitação e a funções administrativas. Esse espaço parece ter contribuído para unificar a defesa das aldeias ao redor contra inimigos. Ele também representou o surgimento de uma organização política dos zapotecas, que expandiu seu domínio sobre a região de forma crescente até chegar ao auge, entre 100 a.C. e 200 d.C.
Do Monte Albán, os zapotecas exerceram controle sobre todo o Vale de Oaxaca e estenderam suas conquistas e influência para outras regiões com contatos comerciais e culturais. Esse crescente domínio transcorreu ao longo de centenas de anos até que, por volta de 500 d.C., Monte Albán entrou em declínio. Posteriormente, um povo chamado mixteca tomou a cidade.
Os zapotecas eram politeístas, cultuavam deuses relacionados a aspectos de seu cotidiano e a suas crenças e valores, como: o deus da chuva e dos trovões, Pitao Cocijo; o deus do milho, Pitao Cozibi; e o deus dos mortos, Coqui Bezelao. Os sacerdotes eram responsáveis por organizar os ritos religiosos sagrados que pudessem favorecer as plantações e as colheitas, realizando, inclusive, sacrifícios humanos como forma de venerar seus deuses.

Escultura em cerâmica de Camazotz, deus-morcego zapoteca, datado entre 300 d.C. e 900 d.C. Na cultura zapoteca, o morcego era associado com a noite, com a morte e com o sacrifício. O culto a esse deus iniciou-se por volta de 100 a.C.


Olmecas

O desenvolvimento do cultivo de milho, entre 1200 e 400 a.C., foi fundamental para os povos da Mesoamérica, pois permitiu a eles que se tornassem sedentários. Um desses povos vivia em uma região conhecida como “lugar da borracha”, que, na língua dos antigos astecas, era chama da de Olman. Por isso, esse povo passou a ser chamado de olmeca. 
Os olmecas fixaram-se na região do Golfo do México por volta do século XII a.C. A região tinha água e fauna abundantes, o que facilitava o plantio de alimentos e as atividades de caça e pesca. A cultura olmeca espalhou sua influência por uma vasta área que se estende, atualmente, do México (estados de Veracruz e Tabasco) ao Panamá. 
Os olmecas habitavam os vales dos rios e passaram a se dedicar à agricultura, aprimorando técnicas de plantio, construindo plataformas de terra e canais de irrigação. Com o tempo, a ampliação na capacidade de produzir alimentos provocou o crescimento populacional.
Para promover o encontro entre suas aldeias, eles construíram locais marcados pela presença de grandes monumentos de pedra e amplos espaços, onde praticavam rituais religiosos.
Pesquisas arqueológicas indicam a existência de, ao menos, quatro grandes centros urbanos olmecas, cujos nomes atuais são: São Lourenço, Três Zapotes, Laguna de Los Cerros e La Venta. 
Nesses lugares, os arqueólogos encontraram vestígios de uma rica cultura que construiu, entre outras obras, pirâmides, templos, praças e imensas esculturas de basalto. La Venta foi, provavelmente, o centro olmeca mais populoso, abrigando cerca de 18 mil habitantes.
Os olmecas cultivavam plantas como milho, feijão e abóbora. Também caçavam e recolhiam frutas silvestres. Extraíam látex e produziam borracha. Por isso, ficaram conhecidos como “povo da borracha”. 
A religião desse povo era politeísta. Eles cultuavam vários deuses, simbolizados por animais e forças da natureza, como o jaguar, a serpente, o Sol, a água, as montanhas e certas plantas agrícolas. Em alguns cultos, os dirigentes olmecas podiam atuar como sacerdotes, pois acreditava-se que eram dotados de poderes sobrenaturais.
Monumentos funerários, centros cerimoniais e esculturas sugerem que na sociedade olmeca havia alguma diferenciação social. Também foram encontradas grandes praças públicas, o que pode indicar que suas cerimônias religiosas eram realizadas ao ar livre.
Pesquisadores acreditam que, influenciados por trocas culturais com outros povos da região, os olmecas foram responsáveis pela criação das primeiras formas americanas de escrita e de um calendário. 
Os olmecas desenvolveram um calendário que servia para orientar as atividades agrícolas, do plantio à colheita. Inventaram também um sistema de numeração e de escrita com base em sinais (glifos) que eram gravados ou pintados. 
A sociedade olmeca não formou um império unificado, dirigido por um governo centralizado. O que havia eram centros regionais que organizavam sua sociedade. Nesses centros, os historiadores perceberam a existência de diversos grupos sociais, constituídos por camponeses, artesãos, comerciantes, escribas, sacerdotes e dirigentes políticos.
Não se sabe ainda o que provocou a decadência dessa sociedade por volta do século IV a.C., mas acredita-se que guerras e mudanças ambientais tenham causado um rápido declínio populacional dos olmecas.

Cabeça colossal olmeca, exposta no Museu La Venta, Villa hermosa, México. Foto de 2019. As cabeças olmecas foram esculpidas em pedra e podem medir três metros de altura e pesar até 20 toneladas. Os pesquisadores acreditam que essas esculturas representavam os governantes das cidades olmecas.

Teotihuacán 


Localizada na parte central do México, Teotihuacán é um dos mais impressionantes núcleos urbanos da Mesoamérica. A cidade formou-se pela união de várias aldeias, de diferentes grupos mesoamericanos, por volta do ano 100 a.C., e atingiu o auge na metade do século V, quando sua população chegou a cerca de 150 mil pessoas.
O centro de Teotihuacán, muito bem organizado e planificado, estava dividido em setores, cada um deles dedicado a uma atividade econômica. Havia também nesses setores grandes templos e edifícios públicos. Nas áreas destinadas às moradias da elite teotihuacana, os quarteirões eram regulares, com ruas e avenidas geometricamente desenhadas.
Após um longo período de existência, por volta de 900 a.C., Tenochtitlán entrou em declínio, provavelmente em razão de mudanças climáticas. Pesquisadores acreditam que as razões de seu colapso estão relacionadas a conflitos entre os diversos grupos sociais que a habitavam ou entre habitantes de outras cidades que pagavam tributos a Teotihuacán.
Com isso, La Venta passou a ser o principal centro da cultura olmeca até 400 a.C. Já o sítio arqueológico de Tres Zapotes, ocupado depois de desse ano, representa o momento do desaparecimento da cultura olmeca, lentamente incorporada e substituída por outras.
Parte da população migrou para outras áreas, e outra parte continuou vivendo no local, sob domínio dos toltecas.

Domínio tolteca 


Os toltecas eram povos nômades que viviam no norte do México. No século VIII, começaram a se deslocar para o sul e se estabeleceram na região central do México, assimilando muitos costumes dos morado res de Teotihuacán. Conheciam a metalurgia, praticavam a agricultura, a coleta e a caça, e comercializavam regularmente com povos do sul e do leste, trocando sobretudo obsidiana por algodão e cacau.
A capital tolteca era Tula, cidade que pode ter chegado a abrigar entre 20 mil e 50 mil pessoas durante o século XI, período em que atingiu seu auge. No século XII, porém, a cidade foi invadida e, na primeira metade do século seguinte, incendiada. 
Não é possível definir os motivos exatos do declínio da civilização tolteca. As principais explicações seriam a dificuldade de impedir o avanço de grupos invasores vindos do norte e as temporadas de seca, que teriam prejudicado a produção agrícola.

A invenção do milho


O milho que conhecemos hoje (Zea mays) é o resultado de um longo trabalho de desenvolvimento de técnicas de agricultura entre os primeiros povos americanos. Cultivado há milhares de anos, essa planta foi domesticada e tornou-se completamente dependente da ação humana para se reproduzir. Por isso, o milho pode ser considerado uma “invenção agrícola” dos povos originários da América.
O milho começou a ser cultivado desde aproximadamente 8 mil anos atrás, na região que corresponde ao atual México. Dali, foi levado para outras partes da América e incorporado à alimentação de vários povos. 
Os olmecas, por exemplo, consideravam o milho um alimento tão importante que, com o tempo, o tornaram uma planta sagrada, sendo utilizado em rituais artísticos e religiosos.
Atualmente, o milho é um dos cereais mais produzidos e consumidos no mundo. Ele é utilizado em diversos pratos tradicionais, como o taco, a polenta, a pamonha e a canjica. Além disso, é usado na fabricação de óleos, combustíveis e ração de animais.

A fotografia mostra algumas variedades de milho, cereal importante para várias civilizações americanas.

A cultura olmeca 


Os olmecas desenvolveram uma espécie de “cultura-mãe” de quase todas as outras culturas que a sucederam na região da Mesoamérica, como os maias. Eles criaram uma arte que incluía estátuas monumentais de pedra, cuja matriz foi encontrada em outras criações, de vários tamanhos e materiais, como a cerâmica e o jade. As peças retratam pessoas, animais e deuses com uma grande riqueza de detalhes.
A arte olmeca indica que esse povo reverenciava divindades ligadas aos fenômenos da natureza (como o sol e a chuva) e animais considerados sagrados, como a serpente e o jaguar. Ela revela ainda uma relação muito forte entre a agricultura do milho, os deuses e os rituais, que tinham como objetivo garantir ajuda divina para a abundância das colheitas.
Ainda existem muitas dúvidas sobre a cultura olmeca. Registros feitos em uma estela revelam, por exemplo, que os olmecas podem ter sido o primeiro povo da região a construir um calendário, fator que certamente ajudou a desenvolver essa sociedade agrícola. Outro aspecto marcante é a escrita deixada por eles, ainda não decifrada.

Escultura de pedra, produzida entre 1000 e 400 a.C. Esta imagem representa uma impressionante escultura olmeca, impressionante escultura olmeca, que revela a relação entre a que revela a relação entre a mitologia desse povo e as mitologia desse povo e as relações entre pais e filhos. relações entre pais e filhos. A figura masculina tem nos braços A figura masculina tem nos braços um bebê com traços característicos um bebê com traços característicos das figuras divinas, como uma das figuras divinas, como uma fenda sobre a cabeça e o formato fenda sobre a cabeça e o formato dos olhos. O bebê representa o dos olhos. O bebê representa o broto do milho e, por isso, o centro broto do milho e, por isso, o centro do mundo, pois o milho era o do mundo, pois o milho era o alimento fundamental dos olmecas, alimento fundamental dos olmecas, a base de sua sobrevivência.

Máscara olmeca, pedra verde, produzida entre 900 e 400 a.C. Os olmecas criaram belas esculturas de pedra verde. Nesta máscara, de pedra verde. Nesta máscara, os detalhes do nariz e dos lábios os detalhes do nariz e dos lábios entreabertos dão leveza e vida à entreabertos dão leveza e vida à figura, como se não fosse esculpida figura, como se não fosse esculpida na pedra. A marca horizontal na testa, na pedra. A marca horizontal na testa, bem acima dos olhos, sugere que se bem acima dos olhos, sugere que se trata de uma representação de uma trata de uma representação de uma divindade olmeca relacionada com divindade olmeca relacionada com o milho.


POVOS DO MEDITERRÂNEO

O Mediterrâneo está intimamente ligado à história da Europa, da África e da Ásia. Algumas civilizações se desenvolveram às suas margens. Lo...