domingo, 20 de setembro de 2026

OS MESOPOTÂMICOS

Mesopotâmia, palavra que significa “entre rios”, é o nome de uma região do Oriente Médio localizada entre os rios Tigre e Eufrates.  Atualmente, essa região é formada por países como Iraque, Kuwait, Síria e Irã. No passado, ela formava com o Egito um arco semelhante a uma lua crescente. Devido a isso, e também à qualidade de suas terras, ótimas para a agricultura, esse arco ficou conhecido como Crescente Fértil. Neste lugar, surgiram as primeiras cidades conhecidas pela história.
A paisagem do Oriente Médio é formada, em grande parte, por desertos e montanhas, e desde a Antiguidade as condições para o cultivo de alimentos e a criação de animais são muito difíceis.
A Mesopotâmia, no entanto, tinha uma característica diferente: em certas épocas do ano, os rios Tigre e Eufrates enchiam e inundavam suas margens. A água das cheias era canalizada e utilizada para a irrigação do solo, tornando-o apropriado para o desenvolvimento da agricultura.
As pessoas se fixaram nesse local pois as terras ao redor eram áridas e a Mesopotâmia, por ser banhada pelos rios que inundavam periodicamente o seu entorno, tinha terras férteis, o que possibilitou a agricultura.
Aproveitando a fertilidade do solo da Mesopotâmia, vários povos nela se fixaram e, no decorrer de milhares de anos, desenvolveram civilizações, entre elas a dos sumérios e a dos babilônios.
Os sumérios foram os primeiros povos sedentários a se estabelecerem na Mesopotâmia, por volta de 8500 a.C., perto do Golfo Pérsico, onde os dois rios deságuam. Por milênios, eles exerceram grande influência sobre outros povos, até serem dominados pelos acadianos, em 2350 a.C. Séculos mais tarde, aproximadamente em 1900 a.C., a civilização suméria desapareceu após guerras constantes.
Esses povos, apesar de terem línguas e costumes diferentes, exerceram influências culturais uns sobre os outros. Assim, eles adquiriram semelhanças, por exemplo, na religião, nas técnicas de construção e na escrita. Por causa dessas semelhanças, eles são conhecidos como povos mesopotâmicos.
Além dos sumérios e dos babilônios, vários outros povos habitaram a Mesopotâmia, como os assírios. Alguns desses povos já viviam ali, outros vieram de lugares distantes, atraídos pela riqueza da “terra entre rios”. Eles travaram muitas guerras pelo domínio da região, ocasionando o sucessivo domínio de um povo sobre o outro.

Relevo de cerca de 650 a.C. que representa um rei assírio com seu exército durante uma batalha.

Primeiros povos e a formação das cidades


De acordo com estudos arqueológicos, a região da Mesopotâmia já era ocupa da por grupos humanos por volta de 8000 a.C. Esses grupos, que já haviam domesticado cabritos e carneiros e sabiam cultivar trigo e cevada, abandonaram aos poucos a vida nômade e se estabeleceram em aldeias. Posteriormente, cerca de 6 000 a.C., essas populações desenvolveram tecnologias para controlar os recursos hídricos. 
No período das cheias, o curso das águas se tornava bastante volumoso e, por isso, os mesopotâmicos utilizavam muros e diques para proteger as suas plantações. Para os períodos de seca, eles construíam poços para armazenar as águas da chuva, mantendo, assim, os canais que irrigavam as plantações. Essas tecnologias permitiram a produção de excedentes, favorecendo o aumento da população, o desenvolvimento do comércio e o surgimento das cidades.
Entre esses grupos humanos estavam os sumérios, que provavelmente foram os primeiros a utilizar técnicas de irrigação em suas lavouras. Eles construíram canais e represas que permitiram o aproveitamento das águas dos rios Tigre e Eufrates para irrigar as plantações. Dessa forma, ampliaram as áreas cultivadas e conseguiram produzir mais alimentos do que o necessário para a alimentação, o excedente.

Relevo assírio de cerca de 630 a.C. que representa pessoas trabalhando na agricultura e pescando.

O campo não deixou de ser importante para o funcionamento da sociedade mesopotâmica: as cidades dependiam dele. Era do campo que vinham os alimentos para a população urbana e parte das matérias-primas que eram usadas na construção de edifícios, na fabricação de móveis e monumentos, entre outros. 
O excedente de alimentos ocasionou grandes modificações no modo de vida dos mesopotâmicos. A população aumentou e as aldeias cresceram. Muitas pessoas puderam deixar de trabalhar na agricultura para se dedicar a outras atividades. Surgiram, então, vários tipos de trabalhadores especializados, como tecelões, ceramistas, carpinteiros e comerciantes.
Como era necessário o esforço conjunto de muitos agricultores para construir e manter os diques e canais de irrigação, surgiram também especialistas no planejamento e na administração dos trabalhos, o que deu origem a um sistema de governo. Além disso, para defender suas terras contra a invasão de povos estrangeiros, foram organizados exércitos.
Relevo de cerca de 650 a.C. que representa guerreiros do exército assírio.

Como havia a necessidade de registrar as atividades agrícolas e comerciais para controlar a cobrança de tributos, os sumérios desenvolveram um sistema de escrita, chamado cuneiforme. Havia também os sacerdotes, pessoas que se dedicavam às questões espirituais e relacionadas às divindades. Eles eram os condutores de uma religião que tinha numerosos deuses (politeísta) e dava explicações a questões relativas ao ser humano e à natureza. Além disso, para regular o convívio social, os mesopotâmicos criaram leis e as registraram por escrito.
Os povos mesopotâmicos, por volta de 3500 a.C., já haviam desenvolvido vários elementos que convencionalmente caracterizam uma civilização, como a formação de núcleos urbanos, uma religião e um governo organizados, um sistema de escrita e uma divisão do trabalho.

DIFERENTES POVOS, MESMO TERRITÓRIO 


Sumérios, acádios, babilônicos, assírios e caldeus foram os principais povos a se estabelecer na região da Mesopotâmia. Durante séculos, eles ocuparam sucessivamente o território e alguns deles chegaram a conviver. 
O contato entre os povos mesopotâmicos nem sempre foi pacífico, mas marcado por guerras cujo objetivo principal era obter a hegemonia sobre as áreas férteis e os pontos estratégicos para o comércio. Apesar disso, os contatos favoreceram tanto as trocas culturais – entre elas, de costumes e expressões religiosas – como as de conhecimentos técnicos. 
Esses povos tinham em comum, por exemplo, a economia com base na produção agrícola e pecuária, possibilitada, em grande medida, pelas técnicas de irrigação com as águas do Tigre e Eufrates, e o desenvolvimento de estruturas de Estado. Além disso, os mesopotâmicos utilizavam utensílios e ferramentas criados ao longo dos séculos e se caracterizavam pelo politeísmo, isto é, a crença na existência de diversas deidades. Também foram um dos primeiros a desenvolver sistemas de escrita. 
Os sumérios e suas cidades Os sumérios foram os primeiros a se organizarem em centros urbanos na Mesopotâmia. Eles fundaram as cidades mais antigas das quais se tem conhecimento, entre elas Kish e Uruk. 
As cidades sumérias eram rodeadas por muralhas e tinham duas grandes construções: o palácio (que era a sede do poder político) e o templo (sede do poder religioso). A urbanização possibilitou a organização das atividades econômicas, incluindo a agricultura e a circulação de produtos. Devido à concentração de população nessa região, foram necessárias grandes obras públicas que facilitassem a vida dos habitantes, o que estimulou o desenvolvimento da arquitetura urbana. 
Em relação à política, os sumérios se organizavam em cidades-Estados independentes entre si e que tinham as próprias leis e o próprio governo. Seus chefes políticos tinham poderes administrativos (controle do governo e da riqueza material), militares (comando sobre os exércitos) e religiosos (uma vez que eram considerados representantes dos deuses). Assim, o governante era em geral uma espécie de rei-sacerdote, além de um poderoso chefe militar. 
Além da urbanização, a sociedade suméria foi marcada pelo desenvolvimento da escrita. Os sumérios organizaram registros escritos que eram feitos em placas de argila úmida, conhecidas como tabletes. O seu sistema de escrita era chamado cuneiforme e tinha mais de 2 mil sinais que surgiram das necessidades econômicas e religiosas dessa sociedade.

As sociedades mesopotâmicas 


Na Mesopotâmia, o poder político era privilégio dos homens e passava de pai para filho; as mulheres quase nunca chegavam ao poder. Além disso, a sociedade mesopotâmica era hierarquizada. No topo estava o rei, que, originalmente, era o líder da comunidade e seu comandante militar, em caso de guerra. Abaixo do rei vinham os sacerdotes, os nobres e os chefes militares. A seguir, os comerciantes, os escribas e os artesãos especializados. E, por último, os camponeses e os escravizados (prisioneiros de guerra ou pessoas que não conseguiam pagar dívidas; eram minoria na população).
As sociedades mesopotâmicas, de modo geral, eram desiguais. O rei era tido como representante dos deuses na Terra. Tinha grande poder e raramente era questionado, pois a população temia que, caso se rebelasse contra o rei, estaria se rebelando contra os deuses.

Estátua de Gudea, rei da cidade de Lagash, de c. 2100 a.C. O rei era visto como servidor do deus da cidade. Por isso, os bens oferecidos a esse deus eram administrados por ele.

A importância atribuída ao rei nas sociedades da Mesopotâmia se refletiu nas produções artísticas dos povos que viveram na região. 

Na imagem, por exemplo, um rei foi representado matando um leão, indicando sua força e coragem. Seguindo o rei, uma pessoa escravizada carrega suas armas de caça.

Existia uma minoria privilegiada, composta de sacerdotes, nobres e chefes militares. Essas pessoas ocupavam os cargos mais altos do governo, exercendo forte influência na política e na economia.
Os fiscais, escribas e comerciantes eram subordinados às camadas superiores das sociedades, mas tinham melhores condições de vida que os demais trabalhadores. 
A maior parte das sociedades era formada por trabalhadores livres que viviam em condições de pobreza se comparado aos outros grupos sociais e tinham de pagar tributos ao governo. Entre essas pessoas havia camponeses, artesãos e soldados. Havia também as pessoas escravizadas, que geralmente eram prisioneiras de guerra ou haviam perdido a liberdade por não consegui rem pagar as dívidas.

Reis e palácios


Existem diferentes hipóteses para explicar a origem e o fortalecimento do poder dos reis nas cidades antigas da Mesopotâmia. Segundo uma delas, no início da vida urbana não existiam reis nem palácios. No entanto, conforme as cidades foram crescendo e acumulando riquezas, elas passaram a correr risco de invasões e saques. 
Diante disso, a defesa das cidades tornou-se uma preocupação para seus habitantes, o que levou à organização de tropas e à escolha de um chefe permanente para comandá-las. Esse chefe seria transformado posteriormente no rei.
Nas sociedades da Mesopotâmia, o rei exercia funções políticas e militares. Tinha também liderança religiosa, pois era visto como um representante dos deuses e, por isso, tinha o poder de fazer valer as vontades divinas entre os humanos. A partir do II milênio a.C., o poder do rei passou a ser transmitido a seus parentes, dando origem às monarquias hereditárias. 
Os reis e os funcionários do governo também dominaram boa parte das atividades econômicas. Controlavam, por exemplo, algumas oficinas de artesanato, onde eram produzidos objetos de metal, cerâmica, tecidos e mobiliário, entre outros bens.
Com exceção da elite, ou seja, pessoas de posição social elevada, a maior parte da população vivia, de certo modo, em regime de servidão. Isso porque era obrigada a: 
• trabalhar para o Estado na construção de edifícios (palácios, templos), muralhas, canais de irrigação, diques e celeiros; 
• pagar impostos ao Estado, arrecadados em forma de ali mentos, rebanhos e sementes.
A imposição dessas obrigações constitui o que alguns historiadores chamam de servidão coletiva. Essa servidão foi comum tanto na região mesopotâmica como no Egito antigo, onde o Estado exercia domínio sobre as terras. No entanto, os camponeses usufruíam da sua posse: eles produziam para seu sustento e o de suas famílias e eram obrigados a entregar parte da produção ao governo.

ALIMENTAÇÃO E TECNOLOGIAS


A alimentação dos povos da Mesopotâmia tinha como base o trigo e a cevada. Com o trigo, faziam pão e o bulgur, que consistia no cozimento dos grãos desse cereal e era utilizado na alimentação cotidiana. Com a cevada, fabricavam uma bebida fermentada que deu origem à cerveja. Tanto a produção dessa bebida quanto a dos pães evidenciavam o domínio desses povos sobre os processos de fermentação, indicando conhecimentos sobre essa técnica utilizada até hoje na produção de alimentos.
Lentilha, grão-de-bico, feijão, cebola, alface, tâmara e uva também faziam parte da alimentação mesopotâmica e até hoje são importantes para as comunidades do Oriente Médio, caracterizando-se como típicos dessa região. Ao longo de milênios, diversos e complexos fluxos migratórios popularizaram a produção e o consumo desses alimentos, que também são apreciados por muitos brasileiros. 
A construção de diques que levavam as águas dos grandes rios para as áreas mais secas possibilitou a fertilização de extensos territórios. Com mais áreas férteis, os povos mesopotâmicos puderam cultivar mais alimentos, tendo excedentes com os quais começaram a realizar trocas. 
Na pecuária, destacava-se a criação de cabras, ovelhas, bois e carneiros, que forneciam carne e leite, além de lã e couro. Par te do leite era transformada em queijo e iogurte por processos de fermentação. 
A olaria e a produção de cerâmica estavam muito ligadas aos costumes alimentares. Do barro das áreas alagadas, os mesopotâmicos produziam variadas peças de cerâmica e fornos.
Detalhe de relevo assírio, feito por volta de 645 a.C., representando a conquista de povos que teriam fugido pelas plantações às margens dos rios mesopotâmicos e seus afluentes. A imagem traz importantes símbolos da fertilidade da região, como as plantações e os peixes no rio. 

CONSTRUÇÃO E ORGANIZAÇÃO DAS CIDADES 


Na Mesopotâmia desenvolveram-se diversas cidades-Estado, assim como ocorreu em outros lugares do mundo na Antiguidade. Cada cidade-Estado tinha autonomia sobre a administração, o governo, as expressões religiosas, etc., porém o conjunto delas apresentava semelhanças culturais, como os deuses cultuados e os idiomas. Ou seja, não havia um governo que centralizasse o poder sobre todas as cidades-Estado, mas relações horizontais entre elas. 
Os saberes adquiridos na construção de diques e de canais foram aproveitados para a construção das cidades. Por exemplo, devido à disputa pela região, muitas cidades eram muradas e tinham torres de observação. Essas construções serviam para proteger a população de ataques inimigos e controlar a entrada de estrangeiros.
Os edifícios dedicados aos líderes políticos e aos deuses, como templos, palácios e zigurates, eram diversificados e, muitas vezes, suntuosos. Os caldeus foram engenheiros e arquitetos muito habilidosos e acredita-se que tenham sido responsáveis pela construção dos Jardins da Babilônia. Não há vestígios materiais dessa construção, mas há referência a ela em fontes escritas de diversos povos antigos, como hebreus e gregos.
Nas cidades, residiam os governantes, chefes religiosos, artesãos, comerciantes e escravos. Estes, geralmente, eram prisioneiros de guerra. Nos espaços urbanos, ocorriam as expressões religiosas, as atividades comerciais e as tomadas de decisões políticas. Devido à estrutura urbana e à localização geográfica estratégica, várias cidades da Mesopotâmia se tornaram grandes centros comerciais, atraindo comerciantes de vários lugares da Ásia, da África e da Europa.

Fachada de zigurate construído por volta do século XV a.C. pela dinastia Cassita, que governou a Babilônia após a queda do governo de Hamurábi.

ESCRITA SUMÉRIA 


Vários povos ao redor do mundo inventaram formas de comunicação escrita. Os historiadores reconhecem que o desenvolvimento da tecnologia da escrita ocorreu em diversos locais, em momentos mais ou menos simultâneos.
Na Mesopotâmia, os sumérios foram, possivelmente, os primeiros a produzir registros escritos, por volta de 3500 a.C. Os caracteres eram gravados em tabletes de argila úmida com ferramentas de ferro ou de madeira pontiagudas em forma de cunha, por isso o uso da expressão cuneiforme para nomear esse sistema de escrita. 
A escrita cuneiforme é uma das mais antigas do mundo. Desenvolvida pelos sumérios no quarto milênio antes de Cristo, seu nome vem de “cunha”, que era o for mato do instrumento de junco utilizado para gravar os sinais em tabletes de barro úmidos. Após serem gravados, os tabletes eram expostos ao Sol para secar. Povos como os sumérios, os babilônios e os assírios utilizaram a técnica cuneiforme para escrever.
Quando queriam representar pequenas cenas e pessoas, os mesopotâmicos esculpiam figuras em cilindros de pedra ou bronze e depois aplicavam o cilindro em suportes de argila. 
Uma das principais funções da escrita era controlar as trocas comerciais. A escrita facilitava o controle da produção e do estoque de alimentos, dos rebanhos e de produtos têxteis, além de possibilitar o registro da contabilidade dos templos e dos palácios reais.
Mesmo com o desenvolvimento de alguns sinais fonéticos, a escrita mesopotâmica continuou muito difícil de ser aprendida, e seu uso permaneceu restrito aos escribas. Depois, com o aperfeiçoamento dessa escrita, seu uso foi ampliado e ela passou a ser utilizada para registrar decretos reais, códigos de leis, hinos, poesias e cartas de amor.

 Escultura de cerca de 2600 a.C. que representa um escriba sumério.

Os mesopotâmicos produziam tecidos, armas, objetos de cerâmica e excedentes agrícolas que eram trocados por produtos que eles não tinham, como madeira, estanho, cobre, marfim e pedras preciosas, vindos, principalmente do Cáucaso, do Egito, da Pérsia e do Chipre. 
A maioria desses materiais era utilizada para fabricar objetos que seriam usados pelas elites das cidades-Estado ou exportados para outras regiões do mundo antigo, em troca de mais recursos, de tréguas em conflitos ou de acordos diplomáticos. 
As trocas comerciais entre os mesopotâmicos e outros povos deram origem a rotas de comércio que ligavam o Oriente Médio a regiões distantes. Esse comércio se tornou tão complexo que, com o tempo, esses povos passaram a usar cartas de crédito, recibos, escrituras e empréstimos como formas de pagamento. De modo geral, as trocas eram amonetárias, ou seja, não usavam moedas, e o peso dos metais preciosos, como o ouro, servia de base para calcular os preços. 
Além do comércio, os povos da Mesopotâmia entraram em contato com os costumes de outras sociedades, trocando e conhecendo práticas e saberes. A escrita suméria, por exemplo, passou a ser utilizada e difundida pelos comerciantes e, dessa forma, foi adotada por outros povos que a adaptaram de acordo com as próprias necessidades.

Economia: o campo e a cidade


Os povos da Mesopotâmia dedicavam-se à agricultura, à pecuária, ao artesanato e ao comércio. Usando as águas dos rios Tigre e Eufrates, cultivavam cereais como a cevada, usada na produção da cerveja, e o trigo, usado para fazer o pão. 
Além disso, plantavam também o linho e o algodão, usados na confecção de tecidos. Nos espaços entre as plantações cultivavam legumes (como o pepino) e hortaliças (como cebolas e alhos). Ao redor das casas cultivavam frutas, especialmente a tamareira.
Além disso, criavam ovelhas, cabras, porcos e bois (usados também para puxar carroças mais pesadas); jumentos para o transporte de cargas; e carneiros, dos quais extraíam a preciosa lã. Os pastores trocavam seus produtos com os agricultores e ambos realizavam trocas com os habitantes das cidades. O comércio interno ligava o campo à cidade.
Nas cidades mesopotâmicas, havia um grande número de artesãos especializados (tecelões, carpinteiros, ferreiros, joalheiros entre outros) como comprovam as peças encontradas nos sítios arqueológicos do Iraque.
Nas oficinas de palácios e templos eram feitos objetos de cerâmica, madeira e metal, com acabamento refinado, que continuam sendo admirados até hoje. Mas, como a Mesopotâmia era pobre em pedras, madeiras e metais, organizavam-se expedições para buscar essas matérias-primas em lugares distantes, tanto a leste quanto a oeste.

O COMÉRCIO E OS MEIOS DE TRANSPORTE 


O comércio da Mesopotâmia com outras regiões era intenso. Seus mercadores percorriam longas distâncias levando para outras regiões cereais, lã e tecidos e, na volta, traziam diferentes produtos. Da Ásia Menor, vinha a madeira (cedro e cipreste); do Egito, os metais (ouro e prata); e, da Índia, artigos de luxo (marfim e pérolas). Quase todo o comércio era à base de troca.
O comércio de longa distância com outros povos só pôde se consolidar entre os mesopotâmicos com o desenvolvimento e o aprimoramento dos meios de transporte. A roda, que já era utilizada nos teares para a produção de tecidos de lã e nas olarias, começou a ser empregada em carroças. 
O aprimoramento do uso da roda possibilitou maior rapidez e o transporte de mercadorias pesadas tanto para exportação quanto para importação, diminuindo o tempo gasto nos deslocamentos nas rotas comerciais. 
Parte da riqueza que circulava pela Mesopotâmia era entregue ao rei (na forma de impostos) e aos sacerdotes (na forma de oferendas feitas aos templos). A população livre também era convocada a trabalhar em grandes obras, como palácios, templos e canais de irrigação.
O aproveitamento dos rios Tigre e Eufrates para navegação levou ao desenvolvimento de meios de transporte como embarcações, nas quais, com o passar do tempo, foram introduzidos remos e velas feitos de vegetais ou de peles de animais. 
Assim como outros povos da Antiguidade, os mesopotâmicos desenvolveram importantes conhecimentos ligados à engenha ria, à matemática e à astronomia, entre outros campos do saber. Os caldeus, por exemplo, dominavam conhecimentos de matemática (álgebra e geometria), fundamentais para a construção e o comércio. 
Em relação à astronomia, construíram torres nos templos para melhor observar os astros. Essas observações permitiam-lhes prever o movimento dos corpos celestes e, as sim, identificar as estações do ano e a ocorrência de eclipses, entre outros fenômenos naturais. Isso também possibilitou a esse povo criar calendários, especialmente os lunares, com a divisão da semana em sete dias e do ano em doze meses.

AS EXPRESSÕES RELIGIOSAS 


Os povos da Mesopotâmia tinham em comum o politeísmo, ou seja, o culto a vários deuses aos quais faziam oferendas. Os deuses mesopotâmicos eram ligados a elementos e fenômenos naturais, como Shamash (o Sol), Anu (o céu) e Sin (a Lua). Os deuses dos povos mesopotâmicos são considerados antropozoomórficos pelos pesquisadores atuais. 
Geralmente, cada cidade cultuava um deus específico, tido como protetor. Com as sucessivas conquistas de um povo por outro, era comum que o culto ao deus da comunidade derrotada fosse abandonado e substituído pelo culto ao panteão de deuses do grupo conquistador. 
Por exemplo, a unificação po lítica e econômica feita pelos babilônicos sobre a Mesopotâmia resultou no aumento do culto ao deus Marduk, considerado protetor da cidade da Babilônia.

Detalhe de relevo babilônico do século X a.C. representando o deus Marduk (à direita) concedendo armas e proteção a um dos líderes da Babilônia.

As mulheres mesopotâmicas


Em geral, os pesquisadores afirmam que as sociedades mesopotâmicas eram patriarcais, isto é, sociedades nas quais os homens ocupavam as posições de poder. Porém, o papel das mulheres mesopotâmicas variava de acordo com o grupo social, a cidade e o povo da qual faziam parte. Por exemplo, as mulheres que integravam as famílias das elites das cidades-Estado tinham mais liberdade e possibilidade de exercer o poder do que as camponesas e as artesãs.
A rainha Zenóbia, da cidade de Palmira, na Síria atual, foi uma dessas mulheres. Ela assumiu o governo da cidade no ano 260 d.C., após a morte do marido. Sob seu reinado, Palmira se tornou um império. Em 270 d.C., as tropas de Zenóbia conquistaram toda a Síria, parte do Egito Antigo, chegando até a Ásia Menor. O domínio de Palmira só cessou quando Zenóbia foi der rotada e sequestrada pelos romanos antigos.
No Código de Hamurábi, dos babilônicos, há trechos que indicam que as mulheres dessa sociedade estavam em pé de igualdade com os homens e eram reconhecidas praticamente como iguais nas relações matrimoniais, com direito a se divorciar e a receber heranças. 
A posição de sacerdotisa também garantia às mulheres mesopotâmicas mais influência política. Aquelas que conquistavam essa posição podiam aprender a escrita cuneiforme e os conhecimentos de astronomia e matemática, além de se reunir com os governantes para deliberar os rumos políticos. A princesa acádia Enheduanna, filha do rei Sargão I, é um exemplo disso: desempenhou importante papel diplomático durante o governo de seu pai e foi considerada a principal liderança religiosa no período. 

Detalhe de relevo acadiano em calcita branca feito entre 2350 a.C. e 2300 a.C. Ao centro, a princesa Enheduanna liderando cerimônia religiosa.

Os impérios acadiano e babilônico


Com o tempo, as cidades sumérias entraram em declínio e tiveram suas terras conquistadas pelos acádios, formando o Império Acádio. 
Por volta de 2200 a.C., os sumérios foram conquistados pelos acádios, povo semita que ocupava a região central da Mesopotâmia. Com um exército eficiente, os acádios criaram um dos primeiros impérios da história, o Império Acádio (ou Acadiano), com o poder centralizado na cidade de Ágade (ou Acádia). 
Entretanto, esse império não foi duradouro: logo perderam poder para os amoritas, que constituíram o Império Babilônico. Em ambos os casos, observamos a formação de impérios, ou seja, vastos territórios dominados por um único governante, geralmente, denominado imperador. Essas áreas eram integradas ao território do império ao serem conquistadas, normalmente por meio de missões militares. 
Por volta de 1900 a.C., a região da Mesopotâmia foi dominada pelos amoritas, que vinham da região da Arábia. Eles fundaram a cidade da Babilônia, de onde se expandiram e estabeleceram o Primeiro Império Babilônico.
O Primeiro Império Babilônico foi formado entre os séculos XVIII a.C. e XVI a.C., com sede na cidade da Babilônia. Seu imperador mais conhecido foi Hamurábi, que iniciou seu governo no século XVIII a.C., conquistou o Reino de Mari e Assíria e estendeu as fronteiras de seu império até o Golfo Pérsico. 
Durante o governo de Hamurábi, a Babilônia tornou-se um dos maiores centros comerciais do mundo antigo. Após sua morte, muitas revoltas populares dividiram o império, facilitando invasões externas e a dominação pelos assírios.
Além de suas conquistas, Hamurábi ficou conhecido por criar um código de lei para o mundo mesopotâmico, conhecido como Código de Hamurábi. Esse é o primeiro registro escrito de leis conhecido pelos historiadores e influenciou diversas legislações ao longo da história e em diferentes partes do planeta. 
Uma das principais fontes para o estudo da história do Império Babilônico é uma estela (uma coluna de pedra) com inscrições feitas durante o governo do rei Hamurábi (1792-1750 a.C.). Durante o seu reinado, Hamurábi mandou registrar em escrita cuneiforme as leis que ele havia estabelecido e que deveriam servir como referência para a aplicação da justiça em seu reino. Esse conjunto de leis ficou conhecido como Código de Hamurábi.

Código de Hamurábi 


Discutimos o Império Babilônico e um de seus imperadores mais conhecidos, Hamurábi. Destacamos que um legado importante desse governante foi o Código de Hamurábi, um conjunto de normas cuja escrita foi talha- da em um monumento de pedra negra de 2,25 metros de altura. Essas leis derivavam de um conjunto de costumes, criando uma tradição jurídica ao estabelecer regras sobre a propriedade e as relações sociais.
O Código era composto de 281 preceitos (ou seja, ordens e proibições) que regulavam situações concretas e pontuais do cotidiano, considerando o comércio, as posses, a vida familiar e o convívio entre os súditos. Suas normas foram divulgadas por todo o reino para que os direitos e os deveres fossem conhecidos por todos que vivessem no território babilônico. 
Uma das características mais conhecidas do Código de Hamurábi é a determinação de quais ações eram consideradas crime e quais eram suas respectivas punições. Esse documento tinha como base a chamada Lei de Talião, que é conhecida pela expressão “olho por olho, dente por dente”, isto é, seu princípio era que para cada crime deveria existir uma punição proporcional, o que poderia incluir a morte.

Assírios e caldeus: ascensão e queda dos impérios


Os assírios foram povos que se estabeleceram ao norte da Mesopotâmia em aproximadamente 1300 a.C., concentrando-se na região onde se localizava a cidade de Assur, às margens do Rio Tigre. Ao sofrer ataques de outras populações, os assírios se especializaram em técnicas militares e formaram um poderoso exército, o que possibilitou expandir o território, tomando regiões entre as margens do Rio Tigre e o Mar Mediterrâneo e, mais tarde, conseguiram conquistar todo o território da Mesopotâmia. 
Após a morte de Hamurábi, o Império Babilônico enfraqueceu, o que permitiu a dominação dos assírios sobre os seus territórios durante o reinado do governante assírio Tiglate-Pileser III (745-727 a.C.). As forças militares assírias eram compostas por infantaria, cavalaria e carros de combate, o que tornou possível cercar as cidades e destruir os seus muros. Essa era a forma que a sociedade assíria conseguia invadir, saquear e conquistar diversas cidades. 
Outra consequência das invasões assírias era o aumento de pessoas escravizadas, uma vez que elas eram prisioneiras de guerra. A mão de obra escrava foi usada nas propriedades agrícolas e foi importante para a economia assíria, principalmente durante o século VIII a.C. 
Os assírios fundaram várias cidades, como Assur, Nínive e Nimrud. Sob o reinado de Assurbanipal, que governou no século VII a.C., o Império Assírio alcançou sua máxima extensão, abrangendo a área do Egito à Pérsia.
A dominação assíria gerou muitas revoltas e, além disso, a extensão do território dificultava a administração, o que gerou o enfraquecimento desse povo. Em consequência disso, o Império Assírio foi conquistado pelos caldeus em 612 a.C., povos que vieram do sul da Mesopotâmia.
Após derrotar os assírios, os caldeus ergueram na Babilônia um novo império, o Império Caldeu, também conhecido como Segundo Império Babilônico. 
Nesse período, a Babilônia tornou-se uma das cidades mais ricas e belas da época, com a construção de muralhas, templos, torres, portais e palácios.
Seu principal monarca foi Nabucodonosor II que conquistou territórios na Palestina e no Egito e realizou grandes projetos arquitetônicos, entre os quais os Jardins Suspensos da Babilônia. 
Os governantes caldeus, contudo, não conseguiram manter a unidade do território, que foi conquistado pelos persas em 539 a.C.

O comércio com outros povos


Os mesopotâmicos mantinham relações comerciais com povos que viviam em outras regiões. Caravanas de mercadores viajavam para diversos lugares, como a Ásia Menor, o Egito, a Arábia e a Pérsia, para obter produtos escassos na região mesopotâmica, como madeira, pedras preciosas e metais.
Esses produtos serviam de matéria-prima para a fabricação de armas e joias, que eram exportadas depois de prontas. Os mesopotâmicos exportavam também tecidos e cevada. O governo controlava o comércio e a produção do campo e das cidades, cobrando tributos sobre todas essas atividades.




OS SUMÉRIOS

Os sumérios foram os primeiros povos sedentários a se estabelecerem na Mesopotâmia, por volta de 8500 a.C., perto do Golfo Pérsico, onde os dois rios deságuam. Não se sabe ao certo a origem dos sumérios e quando eles migraram para a Mesopotâmia. O que é possível afirmar é que, por volta de 3000 a.C., esse povo já estava estabelecido no sul da região.
É provável que os sumérios tenham sido os primeiros a construir canais e outras obras para a utilização das águas dos rios. Também são atribuídas a eles invenções importantes para o desenvolvimento da agricultura, como o arado e a roda.
Por milênios, eles exerceram grande influência sobre outros povos, até serem dominados pelos acadianos, em 2350 a.C. Séculos mais tarde, aproximadamente em 1900 a.C., a civilização suméria desapareceu após guerras constantes.

Criação de animais


Historiadores acreditam que os sumérios eram descendentes de pastores nômades e herdaram deles o costume de criar cabras e carneiros. No verão, os rebanhos eram levados para pastar nas áreas mais frescas, próximas das montanhas. Tanto os agricultores quanto os criadores de animais deveriam pagar tributos (ou impostos) equivalentes a 8% de tudo o que produzissem durante o ano. Além de cereais, a carne de cabra, o leite e seus derivados – queijo, manteiga e iogurte – eram as principais fontes de alimento das populações mesopotâmicas.

 Detalhe da faixa central do mosaico “Paz”, do Estandarte de Ur, representando a entrega de animais, como carneiro e bode, para pagamento de tributos.

Controle da força das águas


Os rios Tigre e Eufrates desempenharam um papel importante no desenvolvimento da sociedade suméria. Todos os anos, na primavera, os rios transbordavam e enriqueciam o solo de suas margens com minerais, tornando-o extremamente fértil, ideal para o cultivo de alimentos. Entretanto, para aproveitar a riqueza do solo, era preciso controlar as enchentes, capazes de arrasar aldeias erguidas nas margens dos rios.
Preocupados em resolver o problema, os sumérios realizaram grandes obras hidráulicas: construíram diques para controlar as cheias, abriram canais para a irrigação de regiões cada vez mais distantes e fizeram açudes para garantir o abastecimento de água à população. 
Essas obras transformaram partes do deserto em terras férteis para o cultivo de trigo, cevada e outros cereais. Os sumérios também inventaram uma ferramenta que aprimorou as atividades agrícolas: o arado de cobre.
Atrelado aos bois, o arado permitia revolver maior quantidade de terra, deixando-a pronta para a semeadura. Com maior área destinada ao plantio, os sumérios passaram a obter excedentes de alimentos, que eram estocados para os períodos de escassez ou usados como moeda na troca por outras mercadorias. Além de cereais, carne e derivados de leite, esse povo se alimentava de peixes obtidos dos rios Tigre e Eufrates.

Detalhe do mosaico “Paz”, do Estandarte de Ur, em que se destacam as figuras de homens carregando cereais para o pagamento de impostos.

AS PRIMEIRAS CIDADES


Os sumérios foram os fundadores das mais antigas cidades mesopotâmicas. As principais eram Kish, Lagash, Uruk e Eridu.
A expansão da agricultura propiciou o desenvolvimento do comércio e de novas atividades e funções. Despontaram comerciantes que negociavam produtos, artesãos para trabalhar as matérias-primas, pessoas encarregadas do transporte de mercadorias, soldados para proteger esse transporte etc.
Em meio a essas novidades, as aldeias cresceram e, por volta de 4000 a.C., algumas delas haviam se transformado em cidades, onde viviam milhares de pessoas. As cidades sumérias não estavam unificadas sob um governo central. Elas tinham ampla autonomia, e a administração era exercida por pessoas da localidade. Por isso, historiadores costumam chamar esses centros urbanos de cidades-Estado.
Entre as primeiras cidades da Mesopotâmia estão Eridu, Ur, Nippur e Eruk. Em volta delas foram construídas muralhas para proteger a população de invasores, pois, nessa época, as guerras entre as cidades pelo domínio da região eram constantes.
Por funcionarem como Estados, não eram necessariamente vinculadas a outras cidades, reinos ou impérios. Nipur, Lagash, Uruk e Ur foram cidades que funcionaram assim.
Duas características comuns a elas foram a prática de religiões politeístas e uma organização política na qual os líderes (chefes de Estado) tinham, além de funções políticas, atribuições religiosas. 
No centro das cidades sumérias, havia construções chama das zigurates. Os zigurates eram dedicados aos deuses e funcionavam como locais de culto e de celebração de festividades, como o akîtu, realizado para comemorar o ano-novo.
A localização dos zigurates no centro das cidades demonstra que os deuses e os sacerdotes tinham papel central na cultura desses povos. A religião, portanto, era fundamental na vida cotidiana dessas cidades.

Cidade-Estado de Ur

Repare que a cidade é cercada por muralhas para proteção contra os ataques. Também é possível observar mais à direita a construção de um zigurate, templo religioso construído no século XXI a.C. e que continha o santuário de Nana, o deus sumério da Lua. Ao longo do tempo, o zigurate foi soterrado e só foi descoberto após escavações realizadas entre 1920 e 1930.

O ESTANDARTE DE UR 


Uma das peças mais importantes para o estudo da sociedade suméria é um objeto conhecido como Estandarte de Ur. A peça, produzida entre 2600 e 2400 a.C., foi encontrada na década de 1920 em um túmulo da antiga cidade de Ur, no atual Iraque.
A obra é composta de dois pequenos painéis ricamente trabalhados com calcário, concha, betume e pedras de lápis-lazúli. Eles são conhecidos como “Guerra” e “Paz”.

Estandarte de Ur. c. 2600–2400 a.C. Painéis em calcário, conchas, betume e lápis-lazúli.  Museu Britânico, Londres.

O estandarte é constituído por alguns materiais que não são encontrados na região dos rios Tigre e Eufrates, como conchas, calcário vermelho e lápis-lazúli, provenientes do território do atual Afeganistão e do Vale do Rio Indo, na Índia.

A SOCIEDADE SUMÉRIA 


Os sumérios viviam em uma sociedade hierarquizada, ou seja, dividida em grupos sociais. Alguns desses grupos, como o dos sacerdotes e o dos militares, eram ricos e concentravam poderes políticos. Os mais pobres, como os camponeses e os escravizados, tinham pouca ou nenhuma participação na vida política.
Entre as figuras mais poderosas na sociedade suméria, estavam o Em, que desempenhava a função de sumo sacerdote, e o Ensi, o governante, que desenvolvia também a função militar.
Líderes guerreiros, sacerdotes ou indivíduos mais ricos acabavam obtendo prestígio entre a população e assumiam um papel de liderança na cidade. Um dos membros dessa elite, muitas vezes alegando direitos divinos, conquistava o título de rei. 

“Paz”, do Estandarte de Ur, caixa suméria de madeira decorada com mosaico de pedras, criada por volta de 2500 a.C. 

Uma sociedade politeísta 


A autoridade dos governantes era restrita à cidade; muitas vezes, líderes políticos exerciam também o papel de chefes religiosos. Os sumérios eram politeístas, pois acreditavam na existência de mais de 3 mil deuses, e a religião tinha papel fundamental na sociedade.
Para eles, fenômenos naturais, como chuva, seca, enchentes, eram resultado de desejos das divindades. Cada cidade tinha seu deus protetor, e a ele eram erguidos templos, como os zigurates. Os templos eram a instituição mais valiosa da sociedade, centros de riqueza e de poder, e detinham grandes extensões de terra, usadas para a agricultura. Cabia aos sacerdotes a administração desses templos, o que acabava lhes conferindo, com os governantes, grande influência e privilégios.
Os deuses mais importantes para os sumérios eram An (deus do céu), Enlil (deus do ar), Enki (deus da água) e Ninhursag (mãe-terra). Os sumérios acreditavam que esses deuses eram os criadores do universo e da vida, e os filhos e os netos deles formavam uma extensa e complexa cosmogonia.
Aquilo que é chamado patrimônio histórico material representa todos os objetos criados por povos ou grupos do passado e que resistiram à ação do tempo. Por meio deles é possível conhecer o modo de ser e de viver dos grupos humanos que os produziram. Entre esses objetos estão ruínas de edifícios, sítios arqueológicos, obras de arte, monumentos, utensílios domésticos etc. 
O Iraque tem um rico patrimônio histórico material herdado dos antigos povos mesopotâmicos: ruínas de cidades, zigurates, placas de argila com textos em escrita cuneiforme, esculturas e muitos outros objetos.

Estudo dos astros


Preocupados em entender os desejos divinos, os sacerdotes passaram a estudar o céu, acumulando, assim, um volume muito grande de informações sobre os astros e os fenômenos celestes. Isso lhes permitiu elaborar um calendário com base nas mudanças de fase da Lua. 
Ao estudar as estrelas, eles verificaram que os astros levavam cerca de 360 dias para ocupar novamente a mesma posição no céu. Com base nisso, associaram o movi mento desses corpos celestes à circunferência e passaram a dividi-la em 360 partes iguais.
Em seguida, empregaram essa divisão para medir os ângulos das figuras geométricas. É por isso que hoje se diz que uma circunferência tem 360 graus.
Os sumérios também tinham um sistema de nume ração que tomava como base o número 60. Assim, estabeleceram uma marcação do tempo na qual uma hora durava 60 minutos, e um minuto, 60 segundos. Exatamente como acontece hoje. 
O estudo dos astros permitiu aos sumérios o desenvolvimento de um calendário formado por meses lunares de 28 dias. Assim, conseguiam prever com exatidão o melhor momento de semear e colher.

Planisfério (ou mapa de estrelas) sumério de 3300 a.C., aproximadamente, com representação de diversas constelações.

A ESCRITA CUNEIFORME 


Os registros escritos mais antigos conhecidos até o momento foram encontrados em ruínas de um templo na cidade de Uruk, onde hoje se encontra o Iraque, com data aproximada de 4000 a.C. São sinais com aspecto de um prego de cabeça larga, lembrando uma cunha, grava dos na argila. Por isso, a escrita suméria ficou conhecida como cuneiforme.

Comunicado real em escrita cuneiforme. 2350 a.C. 6,7 cm # 6,2 cm # 2 cm. Peça suméria encontrada na Síria. Museu de Idlib, Síria.

A necessidade de registrar estoques de alimentos, impostos recebidos, transações comerciais efetuadas e leis expedidas impulsionou os sumérios a desenvolver um dos mais antigos sistemas de escrita do mundo, inventado por volta de 4000 a.C. De início, as anotações eram feitas com uma haste de bambu em placas de argila úmida, posteriormente postas para secar ao sol. Cerca de 500 anos depois, as hastes de bambu foram substituídas por estiletes com ponta em forma de cunha. Por isso, esse tipo de escrita ficou conhecido como cuneiforme.
Em um primeiro momento, a escrita suméria tinha como base símbolos que significavam palavras. Por exemplo: o desenho da cabeça de um boi queria dizer “boi”; uma tigela significava “comida” – essa escrita foi chamada de pictográfica. Os sumérios utilizavam cerca de 2 mil sinais, mas havia dificuldades para expressar ideias mais abstratas. 
Pouco a pouco, foram introduzidas modificações, e os pictogramas passaram a representar sílabas ou sons. Isso permitiu que, por volta de 2500 a.C., o número de pictogramas se reduzisse a 600.


Tablete sumério com inscrições cuneiformes, produzido por volta do século XV a.C. Ao lado dele, um envelope que foi utilizado para armazenar a mensagem para envio. 

As marcas nos tabletes de argila eram feitas com objetos em forma de cunha. Por essa razão, essa escrita é conhecida como cuneiforme.
Inicialmente, a escrita suméria era utilizada apenas em atividades contábeis: registros de pagamentos e recebimentos, controle de estoques e circulação de produtos, arrecadação de impostos etc. Com o passar do tempo, a escrita foi aprimorada e começou a ser usada também na elaboração de contratos, declarações reais, cartas e poemas.

Escribas 


Aprender a escrita cuneiforme era uma tarefa que exigia vários anos de rigorosos treinamentos. As aulas eram ministradas nas edubbas, escolas de escribas que funcionavam perto dos templos ou do palácio real. 
Em geral, os escribas eram homens oriundos de famílias de posses e frequentavam as edubbas desde o início da juventude. A população em geral, contudo, era iletrada, prevalecendo entre eles a tradição oral. 
A escrita cuneiforme se espalhou pela Mesopotâmia, chegando a outras localidades, como o Egito e a ilha hoje conhecida como Chipre.

Selo cilíndrico e documento impresso com esse instrumento na cidade de Nippur (2900 a.C. - 2350 a.C.). 

O selo cilíndrico era um pequeno cilindro de pedra com desenhos e textos em escrita cuneiforme entalhados. Funcionava ao ser deslizado sobre um material, como argila molhada, peças de cerâmica e tijolos, marcando sua superfície.
As edubbas proliferaram, contribuindo para a difusão das línguas faladas na Mesopotâmia. Uma delas, a acadiana – derivada do idioma sumério –, tornou-se, com o tempo, a língua oficial e diplomática dos povos mesopotâmicos. Diversos documentos, como tratados de paz e declarações de guerra, foram escritos nesse idioma. 
A escrita cuneiforme foi utilizada no Oriente Médio até os primeiros anos da Era Cristã.



OS IMPÉRIOS DA MESOPOTÂMIA

As diversas cidades mesopotâmicas estabeleciam entre si trocas comerciais, acordos políticos e alianças temporárias. Mas, à medida que cresceram economicamente, surgiram disputas por terras e rotas comerciais entre elas. Desse modo, as guerras de conquista tornaram-se mais frequentes. E, assim, surgiram grandes impérios na região.

Império Acádio 


Por volta de 2350 a.C., formou-se um império no cen tro-sul da Mesopotâmia, conhecido como Império Acádio. Ele dominou a região até cerca de 2150 a.C. Os acádios adotaram a escrita cuneiforme e incorporaram muitas práticas sumerianas, desenvolvendo a chamada cultura sumério-acadiana. Aprimorando estudos astronômicos, os acádios desenvolveram um calendário lunar de doze meses. Cada mês era dividido em semanas de sete dias. 

Império Babilônico 


Por volta de 1900 a.C., a cidade da Babilônia tornou-se sede de um grande império: o Primeiro Império Babilônico. Seu maior desenvolvimento ocorreu durante o governo de Hamurábi (1792-1750 a.C.). Esse rei babilônico conquistou vários territórios e unificou quase toda a Mesopotâmia. Em seu governo, organizou-se o conjunto de leis mais completo da Antiguidade que se conhece: o Código de Hamurábi. As leis desse código estabeleciam regras para a vida em família, as relações no trabalho, as trocas comerciais, os crimes de roubo, entre outras situações. 

Estela do Código de Hamurábi. c. 1750 a.C. Basalto preto gravado, altura 2,25 metros. Museu do Louvre, Paris. Na parte superior, Hamurábi foi representado recebendo o poder de Shamash, o deus Sol, divindade da justiça. Pode-se observar o texto, em escrita cuneiforme, na parte inferior. 

Após a morte de Hamurábi, seus sucessores tiveram dificuldade em manter a unidade do império. No início do século XVI a.C., a Babilônia, capital do império, foi conquistada por povos vindos da Ásia Menor.

Império Assírio 


Enquanto o Império Babilônico se fragmentava, outro império se fortalecia no norte da Mesopotâmia: o Império Assírio. Partindo da cidade-Estado de Assur, onde viviam, os assírios começaram a expandir os seus domínios por toda a Mesopotâmia. 
No século IX a.C., esses domínios se estendiam do Egito ao Golfo Pérsico. A enorme extensão do império tornou-se um problema para os reis assírios, pois eles não conseguiam controlar as revoltas, que explodiam em todas as regiões. No final do século VII a.C., as cidades assírias foram conquistadas pelos novos babilônios.

O novo Império Babilônico 


Os caldeus, povo de origem semita, habitavam a região da Caldeia, no sul da Mesopotâmia (veja o mapa a seguir). Eles lideraram a libertação da Babilônia do domínio assírio e assumiram o governo da cidade. 
No século VII a.C., os caldeus dominaram toda a Mesopotâmia. Nascia o Império Caldeu, também conhecido como Segundo Império Babilônico. O rei de maior destaque desse período foi Nabucodonosor II. Durante seu rei nado, o novo Império Babilônico atingiu sua máxima extensão e a cidade da Babilônia tornou-se um importante centro comercial, por onde passavam caravanas de mercadores que se dirigiam ao Oriente. 
O novo Império Babilônico teve curta duração. Com a morte de Nabucodonosor, seguiu-se uma disputa pelo trono entre seus sucessores que enfraqueceu o império. Em 539 a.C., a cidade da Babilônia foi conquistada pelos persas.

A VIDA NA MESOPOTÂMIA

Depois dos sumérios, outros povos dominaram a Mesopotâmia, como os acádios, os babilônios e os assírios. Ao longo do tempo, essas sociedades passaram por diversas transformações.
A base da economia mesopotâmica era a agricultura. Os principais produtos cultivados eram linho, lentilha, trigo, gergelim e cevada. Em pequenas áreas, entre os grandes campos cultivados, os camponeses produziam legumes e hortaliças.
A água necessária para irrigar as plantações era captada dos rios Tigre e Eufrates, que também possibilitavam a pesca e a criação de animais. Os mesopotâmicos criavam ovelhas para a produção de lã; cabras e vacas para a obtenção do leite e de seus derivados; mulas e bois para o transporte e a tração dos arados nos campos.
A grande quantidade de rios na Mesopotâmia e em suas proximidades facilitava o deslocamento das pessoas de algumas regiões para outras. Essa condição natural favoreceu as trocas culturais entre os diferentes povos e o desenvolvimento de muitos costumes comuns. Além disso, os rios tinham grande importância para o comércio, pois eram utilizados como vias de circulação para grande parte das mercadorias.
Os povos da Mesopotâmia adquiriam de outras regiões produtos como madeira, metais e pedras preciosas, fornecendo, inicialmente, artigos agrícolas e objetos artesanais. Com o crescimento das cidades e o aumento das atividades comerciais, os mercadores mesopotâmicos passaram a utilizar peças de metal como pagamento.

Técnicas e inovações 


O sistema de irrigação viabilizou o controle dos recursos hídricos da região. Com os canais, era possível desviar as águas das cheias dos rios para regiões mais secas, aumentando as áreas férteis para o cultivo de alimentos. Os diques permitiam armazenar a água das cheias dos rios para irrigar as plantações na época das vazantes. 
Com isso, havia grande produção de alimentos, cujos excedentes eram comercia lizados entre as cidades e com outros povos. O transporte dessas mercadorias para regiões mais distantes foi facilitado por inovações como o uso da roda na locomoção, que beneficiou o comércio.

A vida nas aldeias 


As grandes cidades-Estado mesopotâmicas eram circundadas por várias aldeias rurais. No campo, as pessoas se dedicavam à agricultura, à criação de gado e ao pequeno artesanato. 
Inicialmente, os povos que viviam na Mesopotâmia eram caçadores-coletores e produziam instrumentos feitos de pedra, ossos e madeira. Aos poucos, alguns desses povos começaram a cultivar vegetais, a criar animais e a permanecer mais tempo nos lugares que ocupavam, formando aldeias sedentárias.
Entre os produtos agrícolas cultivados, podemos citar: cevada, trigo, linho, gergelim, tâmara, cebola e alho. Entre os animais domesticados, destacamos: ovelhas, cabras, porcos e bois.
Na Mesopotâmia, o desenvolvimento da agricultura e da criação de animais começou por volta de 8000 a.C. Para melhorar a produção agropastoril, por exemplo, os sumérios e os acádios aprenderam a controlar a ocorrência de inundações pela água dos rios, pois, na época das cheias, os rios transbordavam e suas águas podiam destruir as plantações. Para impedir que isso ocorresse, povos da região construíram muros e diques capazes de conter a água. Além disso, fizeram canais de irrigação que levavam a água até os terrenos mais secos.
A construção de muros, diques e canais de irrigação foi realizada primeiro pelos mora dores das aldeias. Depois, parte dessas atividades passou a ser controlada por administradores de templos e palácios.
A produção agrícola e a criação de animais transformaram o cotidiano dos habitantes da Mesopotâmia. Um exemplo dessas transformações foi a especialização de alguns trabalhos. Assim, havia pessoas que se dedicavam mais à produção de metais e cerâmicas, à confecção de tecidos ou ao comércio.
As pessoas mais pobres, que não tinham terra, prestavam serviços diversos como vaqueiros, carroceiros e pastores para as famílias em períodos de muito trabalho, principalmente nas épocas de plantio e de colheita, em troca de pagamento. Em certas áreas da Mesopotâmia, algumas famílias concentraram terras e formaram grandes propriedades ocupadas com pomares e rebanhos. Essas grandes famílias proprietárias conquistaram riqueza e destaque social.
Parte do que era produzido nos campos da Mesopotâmia destinava-se ao pagamento de impostos aos palácios e templos. Outra parte era negociada entre famílias de diferentes aldeias e também com as cidades. As intensas trocas permitiam o consumo de grande diversidade de produtos.

O trabalho no campo e na cidade 


Os trabalhadores do campo cultivavam cevada, trigo, gergelim, linho e algodão, além de legumes, hortaliças e frutas. Eles também se dedicavam à criação de animais como bois, ovelhas e cabras. Nas cidades, havia trabalhadores especializados, como pedreiros, barbeiros, carpinteiros, comerciantes e artesãos.

Escravos e livres 


A população da Mesopotâmia estava dividida em dois grandes grupos sociais: o dos escravos e o das pessoas livres. A população livre era maioria nas sociedades mesopotâmicas. Mas, entre as pessoas livres, havia grandes distinções sociais, que dependiam da origem familiar, do ofício que exerciam e do local em que viviam. Como acontece hoje, havia ofícios relacionados ao meio rural e ofícios próprios do meio urbano. Os escravos constituíam uma minoria. Eram prisioneiros de guerra ou pessoas livres que haviam se vendido ou sido vendidas por suas famílias para os mercadores de escravos. A maior parte das pessoas escravizadas vivia no meio urbano e a economia não dependia diretamente dessa mão de obra.

Organização das famílias


Nas aldeias da Mesopotâmia, os trabalhos relacionados à agricultura e à criação de animais eram realizados basicamente pelas famílias. 
De início, eram famílias alargadas, ou seja, formadas por avós, pais, filhos, tios, primos, netos, genros ou noras que viviam em um mesmo local. 
Mas essa forma de organização familiar modificou-se com o tempo. No começo do II milênio a.C., há indícios de que essas famílias começaram a ser substituídas por famílias nucleares, formadas apenas por pais, filhos e poucas pessoas próximas.

Detalhe de placa representando uma família composta de um casal e dois filhos, c. 645 a.C. Essa placa foi encontrada em palácio real na antiga cidade de Nínive, no atual Iraque.

As famílias alargadas e nucleares foram importantes na organização da vida social. Os líderes das famílias procuravam resolver conflitos internos nas aldeias e defendiam os interesses dos moradores diante das autoridades dos templos e palácios.

A vida nas cidades 


Na Mesopotâmia, foram encontrados vestígios de cidades sumérias como Ur, Uruk, Nippur, Lagash e Eridu, que se desenvolveram por volta de 4000 a.C.
Nas cidades, havia trabalhadores especializados em ofícios diferentes dos das pessoas que viviam nas aldeias. Entre os trabalhadores urbanos estavam os artesãos, que, dominando ferramentas e técnicas próprias, se dedicavam à produção de vários bens. Como exemplos de artesãos, podemos mencionar ceramistas, construtores de carroças, carpinteiros, moedores de cereais (moleiros) e tecelões.
Além disso, as cidades se diferenciavam das aldeias por apresentarem uma população mais numerosa vivendo de maneira mais adensada. Nelas havia diversos tipos de construção, como casas, templos, ruas, pontes e palácios. Dessas construções, destacavam-se os templos e o palácio real, que eram centros de poder.
Nos centros urbanos, as tarefas de controlar a arrecadação de impostos, coordenar a construção de obras de irrigação, organizar exércitos e abastecer os templos e palácios exigiam uma grande variedade de profissionais, como artesãos, ferreiros, escribas, médicos e soldados, entre outros. Diversos tipos de ocupação também eram exercidos pelas mulheres.
O crescimento das trocas mercantis com povos vizinhos levou ao enriquecimento dos comerciantes e fez surgir também homens de negócios que emprestavam dinheiro a juros, uma espécie de ancestral dos banqueiros contemporâneos.
Ao redor de algumas cidades foram erguidas muralhas protetoras e torres de vigilância. A cidade suméria de Uruk, por exemplo, foi rodeada por uma muralha com aproximada mente 10 quilômetros de extensão.

Miniatura de uma casa. c. 2900-2200 a.C. Escultura em terracota. Peça sumério-acadiana encontrada na Síria. Museu Nacional da Síria, Alepo.

Réplica da Porta de Ishtar, que ficava ao norte da Babilônia. Iraque, 2016. A original, retirada do local onde foi construída por enviados do governo prussiano, no século XIX, está no Museu Pergamon, em Berlim. 

Especialmente ao longo do século XIX, diversos achados arqueológicos da África e da Ásia foram retirados de seus locais de origem pelas potências europeias da época, e constituem, até hoje, parte do acervo de importantes museus daqueles países.






POVOS DO MEDITERRÂNEO

O Mediterrâneo está intimamente ligado à história da Europa, da África e da Ásia. Algumas civilizações se desenvolveram às suas margens. Lo...