domingo, 20 de setembro de 2026

O Código de Hamurabi

Foi na região da Mesopotâmia que se criaram os primeiros códigos jurídicos escritos. Entre os códigos mais antigos, destaca-se aquele que foi instituído no governo de Hamurábi, rei da Babilônia.
Um dos primeiros códigos de leis escritas de que temos conhecimento, o Código de Hamurabi, é de origem mesopotâmica. Ele foi organizado entre 1792 e 1750 a.C., durante o governo de Hamurabi, rei da Babilônia. Era composto de 282 artigos que tratavam de temas variados, desde peque nos delitos até crimes graves.
Chamado de Código de Hamurábi, ali estavam reunidas normas sobre diversos assuntos da vida social: crimes (homicídios, lesões corporais, roubos), questões comerciais, divisão social, casamento e herança, entre outros.
O código era baseado em um antigo princípio mesopotâmico, o princípio de Talião (“Olho por olho, dente por dente”). De acordo com esse princípio, o responsável por um crime deveria receber um castigo semelhante ao crime que cometeu.
O código babilônico era baseado na punição, e não na ideia de correção da conduta, como as leis de hoje, e foi um dos primeiros a considerar a presunção de inocência e a necessidade de haver evidências, como testemunhas e provas materiais, para punir um criminoso. 

Pedaço de tablete de barro do século VII a.C. com cópia de artigos do Código de Hamurabi escritos em cuneiforme.

Princípio de talião 


Em muitas sociedades antigas, o criminoso era punido com diversos tipos de revide, isto é, várias formas de vingança. Muitas vezes, esses revides se transformavam em violência sem fim entre grupos rivais.
O Código de Hamurábi instituiu um meio para limitar esses excessos. Era o princípio ou lei de talião, pelo qual a pena seria proporcional à ofensa cometida: “olho por olho, dente por dente”. Os artigos do Código de Hamurábi descrevem casos que serviam de modelos a serem aplicados em questões semelhantes. Observe alguns exemplos:

“Art. 229 – Se um construtor edificou uma casa para um homem livre, sem dar solidez à sua obra, e a casa desabou matando o proprietário, então esse construtor será morto. 
Art. 230 – Se a casa desabou matando o filho do proprietário, então o filho do construtor também será morto.
 Art. 231 – Se a casa desabou matando um escravo do proprietário, então o construtor dará outro escravo ao dono da casa.”

Atualmente, as penas do Código de Hamurábi podem parecer brutais, segundo os valores predominantes na atualidade. No entanto, para a época, o princípio de talião foi considerado uma forma de expressão da justiça. Ao mal provocado pelo crime, retribuía-se com o mal previsto pela pena. No Código de Hamurábi também existia a possibilidade de a pena ser paga na forma de recompensa econômica (gado, armas, moedas).
Apesar de o código ser baseado no princípio de Talião, havia casos em que as penas eram aplicadas conforme a condição social das pessoas envolvidas: pessoas livres recebiam penas diferentes das concedidas a pessoas escravizadas. 
A Lei de Talião influenciou muitas sociedades que tiveram contato com os babilônicos, como a dos hebreus. Com base em documentos como o Código de Hamurábi, é possível saber que, na antiga Mesopotâmia, as mulheres não eram consideradas iguais aos homens nem tinham os mesmos direitos que eles. 
Elas podiam, por exemplo, sair livremente de casa e ir ao mercado, possuir propriedade, começar um negócio, envolver-se em processos judiciais e ter emprego remunerado, mas não podiam propor leis nem julgar pessoas.
O monumento que contém a inscrição do Código de Hamurabi foi encontrado por arqueólogos franceses por volta de 1900 e levado para o Museu do Louvre, em Paris, na França. Na parte inferior, encontram-se as leis grava das em escrita cuneiforme. 

Estela de cerca de 1780 a.C. com inscrição do Código de Hamurabi.  Na parte superior, pode-se observar o relevo que representa Hamurabi recebendo do deus Shamash o poder divino para exercer a justiça.





O Estandarte de Ur

Durante a década de 1930, foram realizadas escavações arqueológicas na antiga cidade suméria de Ur, localizada no atual Iraque. Durante as escavações, os arqueólogos encontraram, nos túmulos dos reis, uma série de objetos, entre eles enfeites e esculturas. 
Uma das peças que mais chamou a atenção dos estudiosos foi uma caixa de madeira de cerca de 2500 a.C., toda decorada com conchas, lápis-lazúli e calcário. Nos dois lados maiores da caixa, chamados Lado da Paz e Lado da Guerra, foram representadas cenas que ajudaram os pesquisadores a descobrir diferentes aspectos da organização da sociedade suméria.
        Estandarte de Ur, Lado da Paz, cerca de 2500 a.C.

       Estandarte de Ur, Lado da Guerra, cerca de 2500 a.C.



Enhéduanna

Enheduanna nasceu em 2285 a.C. na região da Mesopotâmia. Era filha da rainha Tashlultum e do rei Sargão. Na sua juventude, foi colocada por seu pai no posto de alta sacerdotisa, tendo sido a primeira mulher conhecida a ocupar essa posição. Dessa forma, teve importante papel político, religioso e social.
Mesmo em uma época na qual as mulheres tinham pouco desta que na sociedade, Enhéduanna se tornou conhecida pelas obras que escreveu. Ela era uma sacerdotisa e muitos de seus poemas foram dedicados a Inanna, deusa mesopotâmica da guerra e do amor.
Ela é considerada a autora de alguns dos textos mais antigos da humanidade. Utilizando a escrita cuneiforme, Enheduanna produzia tabuletas de argila com cânticos, poemas, músicas e histórias. Desses textos, pelo menos três foram encontrados completos e traduzidos para o inglês.
Por meio desses e de outros documentos escritos, sabemos que Enheduanna foi forçada a se retirar de sua alta posição político-religiosa por inimigos, mas que teria retomado seu posto, conforme a crença da época, com a ajuda da deusa do amor, Inanna. A alta sacerdotisa escrevia na primeira pessoa, descrevendo suas viagens com vários detalhes sobre templos e lugares.
Mesmo não tendo sido a primeira a escrever poemas na Antiguidade, Enhéduanna ficou conhecida porque foi uma das primeiras pessoas a assinar suas obras.

          Nome de Enhéduanna em escrita cuneiforme.



OS REGISTROS RUPESTRES

Os registros rupestres estão entre os principais vestígios gráficos das comunidades do Paleolítico e eram utilizados como meio de comunicação e de expressão. Trata-se de imagens gravadas em grandes rochas, em paredões de pedra e nas paredes internas e externas de grutas ou de cavernas. Essas imagens foram encontradas em todos os continentes, exceto na Antártida.
Há várias teorias sobre as funções desses registros. A função religiosa é uma delas. Outra hipótese é que esses registros possibilitavam trocas culturais, já que foram encontrados em diferentes regiões. Quando passava por determinado local, um grupo de pessoas gravava imagens sobre sua passagem, as quais seriam vistas pelos próximos ocupantes desse lugar. Do mesmo modo, ao chegar a um novo local, esse grupo também poderia encontrar os registros deixados por outros que haviam estado ali antes.
As imagens gravadas representavam cenas de momentos em grupo e do cotidiano, além de caçadas, alimentos vegetais e símbolos que poderiam servir para fazer a contagem de algo, como calendários ou representações astronômicas. 
Entre as técnicas utilizadas para fazer as gravuras estavam as de abrasão e as de incisão: primeiro, era feita uma raspagem (abrasão) na superfície rochosa; depois, essa superfície recebia pequenos cortes (incisões) com um instrumento cortante, formando grafismos chamados petróglifos. Também podia ser empregada a técnica da picotagem, que consistia em bater uma pedra sobre a rocha em que se desejava marcar os grafismos.

Grafismos em rocha datados de cerca de 77 mil anos atrás. Essa peça foi descoberta em uma caverna na África do Sul.


Gravuras rupestres feita em bloco rochoso em Ingá (PB). As datações podem chegar a 6 mil anos.

PRODUÇÃO PICTÓRICA 


Os seres humanos do Paleolítico não produziram apenas objetos relacionados à sua sobrevivência, como armas para abater animais e utensílios para retirar a pele e cortar a carne. Eles também produziram pinturas e gravuras que exprimiam o cotidiano dos grupos humanos e o significado que davam à sua existência.
Há indícios de que as primeiras pinturas rupestres tenham sido feitas há mais de 30 mil anos. Geralmente, essas pinturas eram produzidas com corantes extraídos de plantas, de carvão vegetal ou de rochas. Muitas vezes, esses corantes eram diluídos ou fixados com uso de água, sangue ou gordura animal ou vegetal. 
As técnicas de pintura podiam ser realizadas com carimbos das mãos, pincéis feitos de pontas de ossos ou de pedras ou, ainda, com o sopro dos pigmentos (com a ajuda de uma espécie de canudo). As produções incluíam grafismos ou representações de animais e de seres humanos em cenas diárias.

As pinturas encontradas na gruta de Altamira, na Espanha, podem ter até 16 mil anos e impressionam pelo realismo dos animais representados. As pessoas que os pintaram utilizaram as saliências das rochas para produzir um efeito que dá a impressão de volume.

A representação cartográfica mais antiga da Europa 


Estudos apontam que um pedaço de laje, conhecido como Laje de Saint-Bélec, seja uma produção do período entre 1900 e 1650 a.C., período conhecido como Idade do Bronze. 
A peça foi descoberta em 1900, durante escavações em um sítio arqueológico em Finistère, na Bretanha, pelo arqueólogo Paul du Châtellier. Mas a laje ficou guardada por décadas em um fosso no Château de Kernuz, castelo onde vivia Châtellier. Em 2014, pesquisadores que bus cavam pelo objeto o encontraram no porão do castelo.
Depois de analisar marcas e gravuras esculpidas na pedra, os arqueólogos suspeitaram que pudesse se tratar de um mapa, pois os recortes são uma representação em 3-D do Vale do Rio Odet, e as linhas parecem representar a rede de rios existentes na região.

A Laje de Saint-Bélec é considerada o mapa mais antigo conhecido na Europa e tem por volta de 4 mil anos. Museu Nacional de Arqueologia da França.

Um trabalho de geolocalização revelou que o território representa do na laje tem exatidão de 80% em relação a um trecho de 29 km do rio. Essa descoberta histórica indica que os nossos ancestrais tinham ferramentas de localização muito sofisticadas, evidenciando importantes conhecimentos cartográficos.

A arte rupestre


As pinturas feitas pelos primeiros seres humanos em cavernas, abrigos ou até ao ar livre são chamadas de arte rupestre. Animais, plantas e cenas de caça eram desenhados na pedra. A forma mais comum de arte rupestre são as pinturas. 
A pintura rupestre é uma das mais antigas expressões artísticas da humanidade. Ela era feita em cavernas, grutas ou paredes ao ar livre. Os traços eram pintados diretamente com os dedos ou com o auxílio de utensílios, como pedaços de madeira e palha. As cores eram obtidas utilizando diversos materiais, como carvão, cera de abelha e sangue.
Elas eram feitas com tinta fabricada pela mistura de certos pigmentos, obtidos de alguns minerais e vegetais. Veja alguns exemplos:
• com ferrugem (cujo nome científico é óxido de ferro) e manganês eram produzidas as cores vermelha, amarela e ocre; 
• com urucum e carvão eram obtidas as cores vermelha, preta e marrom. 
Além de revelar o senso artístico desses povos, os especialistas supõem que as pinturas rupestres também tinham uma função educativa. Eram provavelmente usadas para ensinar aos mais jovens como realizar as atividades do dia a dia: caçar, pescar, defender-se dos perigos, etc.
Um aspecto interessante das inscrições rupestres é que elas podiam ser complementadas ao longo de várias gerações. Isso significa que uma pessoa, por exemplo, fazia um desenho ou pintura e, muitos anos depois, outra pessoa acrescentava detalhes a eles.
Por meio da observação das pinturas rupestres, é possível descobrir informações sobre o cotidiano de grupos humanos que viveram em diferentes regiões do mundo durante os períodos Paleolítico e Neolítico.

Observe a pintura a seguir, feita durante o período Neolítico.

Pintura rupestre produzida por volta de 5000 a.C., na África do Sul.

Essa pintura representa uma cena de caçada. Por meio de sua observação, podemos perceber que os homens caçavam animais de grande porte utilizando arco e flecha. 

No Período Neolítico, os seres humanos passaram a aparecer nos desenhos. As cavernas de Lascaux, na França, são famosas pela variedade e pelo tamanho das figuras.

Pinturas rupestres da caverna de Lascaux, Patrimônio Mundial da Unesco. Nova Aquitânia, França.

A função das pinturas rupestres e estatuetas não era decorativa. Elas são consideradas manifestações artísticas do período e geralmente representam aspectos do cotidiano. Foram encontrados indícios de que os primeiros grupos humanos também costumavam enterrar os mortos em cavernas ou túmulos coletivos, que eram demarcados por grandes blocos de pedra.
Os seres humanos do Paleolítico não produziram apenas objetos relacionados à sua sobrevivência, como armas para abater animais e utensílios para retirar a pele e cortar a carne. Eles também produziram pinturas e gravuras que exprimiam o cotidiano dos grupos humanos e o significado que davam à sua existência.
Conhecidas como figuras rupestres, essas pinturas e gravuras foram feitas em paredes de cavernas ou em outros abrigos pré-históricos. As primeiras figuras rupestres eram desenhos de animais e foram feitas entre 35 mil e 30 mil anos atrás. Por volta de 17 mil anos atrás já eram produzidas figuras mais elaboradas, mas ainda sem proporção. Exemplo disso são os desenhos de animais encontrados na caverna de Lascaux, na França.
Aproximadamente 5 mil anos mais tarde, as imagens ganharam mais realismo e proporção. As pinturas da caverna de Altamira, na Espanha, são um exemplo dessa nova fase. Por volta de 10 mil anos atrás, as imagens passaram a representar também a figura humana em cenas de dança, luta e caça ou em rituais mágicos.
As pinturas rupestres são fontes históricas fundamentais para compreender como era o modo de vida das populações do Paleolítico. Observando essas representações, percebe-se que os grupos humanos daquela época já tinham elevado grau de desenvolvimento, comunicavam-se e transmitiam conheci mentos, além de praticarem suas crenças e seus rituais sagrados. Os desenhos eram feitos com pinturas naturais e eram utilizados instrumentos como penas, pelos, espinhos, ossos e folhas.
A Caverna das Mãos, situada na província de Santa Cruz, na atual Patagônia argentina, abriga um dos registros rupestres considerados mais importantes do continente americano. Esses registros foram feitos entre 9500 e 13 mil anos atrás por ancestrais dos indígenas Tehuelche, que habitaram aquela região.

Parede da Caverna das Mãos, na Patagônia, Argentina.

A interpretação da imagem sempre foi polêmica. As mãos são pequenas e, curiosamente, a maioria é esquerda. Alguns historiadores consideram essa pintura rupestre a representação de um ritual de sacrifício de um jovem membro do grupo. Outros afirmam que as mãos eram do autor da pintura. Em todo caso, os estudiosos consideram que a habilidade com o uso das mãos tem um significado fundamental na formação da humanidade, o que pode estar representado nessa imagem.

Pintura rupestre no Brasil


Os antigos habitantes do território onde hoje é o Brasil também deixaram vestígios de pinturas rupestres, que são desenhos ou pinturas feitos em rochas ou paredes de cavernas.
Essas pinturas rupestres eram feitas com diferentes tipos de materiais, como urucum, carvão e jenipapo. Já os instrumentos utilizados para produzir essas pinturas dependiam do estilo de representação de cada grupo. Podiam ser usados, por exemplo, o que pareciam ser pincéis feitos com pelos e fibras, espinhos de plantas e folhas. Algumas pinturas eram feitas somente com as mãos. 

Pinturas rupestres feitas pelos primeiros habitantes do atual Brasil. Parque Nacional da Serra da Capivara, Piau’. 

Os pesquisadores costumam estabelecer uma classificação para facilitar o es tudo da pintura rupestre. Os tipos de marcação rupestre são classificados de acordo com as chamadas tradições artísticas. Conheça algumas delas.

Tradição Nordeste (10000 a.C.-4000 a.C.) 

É composta de figuras humanas e de animais, geralmente representadas em movimento, e de plantas e objetos. As cenas mais comuns são as de caça e de rituais. As cores usadas nessa tradição são bastante diversificadas, predominando as diferentes tonalidades de vermelho.

Tradição Agreste (4000 a.C.-1000 a.C.) 

Dificilmente apresenta cenas de movimento ou com narrativas. Quando há representações de humanos, eles aparecem de forma paralisada e isolada. Os traços são espessos, e as figuras têm poucos detalhes.

Tradição São Francisco (5000 a.C.-800 a.C.) 

É rara a presença de imagens humanas nessa tradição, que faz uso de padrões geométricos, com pontilhados, traços e sequências paralelas e entrecruzadas.

Tradição Planalto (6000 a.C.-2000 a.C.)

A maior parte das pinturas dessa tradição apresenta figuras de animais, que são representados em tamanho grande, sem proporção e com poucos detalhes. Os animais que mais aparecem nas pinturas são cervos e peixes.

Petróglifos

Nos sítios arqueológicos brasileiros, além de imagens pintadas e desenhadas, são encontrados petróglifos, marcações feitas com incisões nas rochas. Os petróglifos eram gravados com instrumentos pontiagudos, cortantes ou de raspagem. 
Um dos casos mais interessantes é a Pedra do Ingá, localizada na Paraíba. Com 24 metros de extensão e 3 metros de altura, esse painel apresenta inscrições e símbolos que ainda são estudados pelos pesquisadores. Acredita-se que esses petróglifos tenham sido feitos há cerca de 6 mil anos.




A formação do Estado

Nas cidades, os chefes ganharam cada vez mais prestígio. Eles centralizaram as decisões políticas e administrativas, e passaram a governar de seus palácios, tornando-se reis. A autoridade desses monarcas, que lhes garantia plenos poderes sobre a população, está relacionada à origem do que chamamos de Estado.
Para desempenhar satisfatoriamente suas atribuições, os reis cercaram-se de auxilia res. Entre eles havia os sacerdotes – que ficavam nos templos e eram responsáveis pela administração dos rituais religiosos, como os sacrifícios e as oferendas aos deuses –, os soldados – que impunham as leis e protegiam a cidade de ataques inimigos –, os cobradores de impostos, os fiscais do trabalho dos camponeses e os que acompanhavam a execução de obras. Por causa dessa diferenciação de funções, algumas pessoas acumularam mais riqueza e poder do que outras, o que deu origem a uma hierarquia social.
Com o processo de centralização política, o Estado assumiu a função de governar as cidades, passando a estabelecer regras e leis e a aplicar a justiça. As cidades tornaram-se centros de poder político, locais de onde os governantes coordenavam o trabalho e o funcionamento de toda a comunidade.

O desenvolvimento da escrita


Com o crescimento das cidades, as relações entre os membros da comunidade e entre pessoas e instituições tornaram-se mais complexas. Diferentemente do que ocorria nas aldeias, nas cidades mais populosas nem todos se conheciam ou praticavam o mesmo tipo de atividade. Algumas obras, como os canais de irrigação – que possibilitavam transportar as águas dos rios para as áreas mais distantes das margens –, levavam mais tempo para ser construídas do que a duração da vida das pessoas de uma geração. 
Nessas condições, tornou-se difícil reter e transmitir oralmente as informações e os conhecimentos necessários para manter as cidades funcionando. Por isso, foram criadas maneiras de registrar essas informações e esses conhecimentos com os primeiros sistemas de escrita, por volta de 4000 a.C., na região da Mesopotâmia, no Oriente Médio.
No início, a escrita serviu para facilitar a contabilidade, controlar a circulação de produtos e fiscalizar pagamentos. Os sinais utilizados eram pictogramas que imitavam a forma dos elementos que representavam. Com o passar do tempo, esses símbolos foram simplificados e passaram a expressar ideias. 
Por ser feito usando uma goiva com ponta em forma de cunha, esse tipo de escrita ficou conhecido como cuneiforme. Logo ele passou a ser usado também em textos religiosos, contratos, declarações reais e poemas.
Aprender a escrever e a decodificar esses sinais era tarefa de es pecialistas, os chamados escribas. Um escriba precisava estudar por muitos anos para aprender a ler e escrever.

Revolução Agrícola

À medida que os grupos humanos dominavam a agricultura, obtinham relativo controle sobre a produção alimentar. Garantiam a comida do dia a dia e estocavam o excedente para os períodos mais difíceis, como o inverno. Com o trabalho no campo e a estocagem de alimentos, as pessoas passaram a viver de maneira fixa em um lugar, sem se deslocar de uma região para outra em busca de comida. Em uma palavra, elas se tornaram sedentárias.
Muitos historiadores chamam de Revolução Agrícola essa passagem da vida nômade dos caçadores-coletores para a vida sedentária dos agricultores. 
Pouco a pouco, as comunidades começaram a crescer e novas técnicas agrícolas foram desenvolvidas, como as experiências com enxertos para obter alimentos de melhor qualidade. Ao mesmo tempo, em certas regiões, os seres humanos aprenderam a domesticar animais, como ovelhas, cabras, porcos e cavalos, que passaram a ser utilizados como fonte de leite, lã, esterco, carne e como meio de transporte (por exemplo, o cavalo).
O relativo aumento na quantidade de alimentos propiciou às pessoas maior tempo para executar outras tarefas em suas comunidades. Algumas delas especializaram-se, criando a figura do artesão, que, entre outras atividades, se dedicava a fabricar recipientes de cerâmica para armazenar ou cozinhar alimentos. Outros membros da comunidade passaram a se ocupar da construção de casas e da confecção de vestuário.
Desse modo, antigos grupos nômades davam lugar, pouco a pouco, a sociedades complexas, ou seja, comunidades com uma organização social na qual funções como a de artesão, agricultor, sacerdote e outras eram exercidas por diferentes pessoas.

América indígena

Ao longo do tempo, os povos originários que viviam no continente americano receberam diversos nomes por parte dos estudiosos. Vejamos alguns deles:
• pré-colombianos – termo que tem como referência a chegada do navegador e explorador genovês Cristóvão Colombo à América;
• nativos – termo que designa aqueles que nascem e vivem em um local;
• índios – termo que se popularizou por conta de um equívoco de Colombo, que não sabia que havia encontrado um novo continente, acreditando ter chegado às Índias.

Todos esses nomes são convenções criadas para se referir a mais de 3 mil povos diferentes que viviam na América antes da chegada dos europeus no século XV. Apesar dessa diversidade, atualmente esses povos preferem termos como povos originários ou indígenas para se auto identificar, lutar por seus direitos e valorizar suas culturas.
O povoamento da América ocorreu há cerca de 11 mil a 50 mil anos. Desde então, diversos povos habitaram o território ao longo do tempo. Eles se organizaram de diferentes maneiras: de pequenos grupos até sociedades bastante complexas que chegaram a formar reinos e impérios. 
Há muito tempo, o continente americano é habitado por diversos povos. Entre eles, podemos destacar os olmecas, os maias, os astecas, os incas e os tupis-guaranis.
Atualmente, estudiosos analisam a possível trajetória e o modo de vida desses povos. De acordo com pesquisas, por volta de 5 mil anos atrás, grupos humanos já desenvolviam a agricultura na região da Mesoamérica, por exemplo, com o cultivo de espécies como o milho.
O desenvolvimento da agricultura favoreceu a criação de aldeias sedentárias e o aumento populacional na Mesoamérica e na região dos Andes, por volta de 1500 a.C. Milho, feijão, abóbora, pimenta e algodão foram algumas das espécies cultivadas mais importantes dessa época. Esses primeiros aldeões também fabricavam tecidos e produziam objetos de cerâmica, entre outras atividades.

Os primeiros povos ameríndios


Os primeiros grupos que se estabeleceram na América, chamados de paleoíndios, são os ancestrais dos povos indígenas americanos. Eles deram origem a diversas etnias, com língua, costumes e organização social diferentes. Os instrumentos utilizados pelos habitantes do Alasca, como o arpão ou as agulhas de marfim, eram muito diferentes dos usados pelos grupos que viviam na região da Patagônia. Havia, porém, semelhanças nos modos de vida desses primeiros habitantes da América, principalmente entre comunidades que mantinham contato umas com as outras. De modo geral, elas eram formadas por pequenos grupos nômades que praticavam a caça, a pesca e a coleta de vegetais e frutos.
Ao se deslocar, esses grupos transmitiram conhecimentos de certas práticas para outros que viviam na América. Um desses conhecimentos envolvia a técnica para fazer artefatos de pedra, como pontas de lanças e flechas. Além da pedra, esses povos empregavam outros materiais, como ossos e pele de animais, madeira e fibras vegetais, para construir abrigos e instrumentos de trabalho.
Alguns povos deixaram de ser nômades e, com o tempo, deram origem a sociedades complexas. O processo de sedentarização desses povos apresentou variações locais, mas esteve relacionado à domesticação de animais e ao início da agricultura, que ocorreram por volta de 7 mil anos atrás. 
Os primeiros vegetais cultivados na América foram o feijão, a abóbora, o tomate, o algodão e especialmente o milho, que se tornou a base alimentar de muitos povos. Em diversas partes do continente, também teve destaque o cultivo da batata e da mandioca.
Os geoglifos são vestígios da ocupação humana em determinada região. Na fronteira entre Brasil e Bolívia, há mais de duzentos deles, espalhados por 248 quilômetros, for mando uma rede de avenidas e valas que datam de 200 a.C. até o século XIII. Estima-se que a área tenha abrigado até 60 mil pessoas.

Mesoamericanos e andinos 


Os olmecas, os maias e os astecas viviam em uma região chamada Mesoamérica, que corresponde à parte sul do México e a países como Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Costa Rica, Nicarágua e Panamá. Já os incas viviam nas regiões andinas da América do Sul, entre a Cordilheira dos Andes e o litoral do Oceano Pacífico. 

SOCIEDADES DA MESOAMÉRICA 


Os primeiros centros cerimoniais da Mesoamérica surgiram nas áreas próximas à costa do Golfo do México por volta do ano 1200 a.C. Seus fundadores foram os olmecas. Os centros olmecas exerceram sua influência na região até por volta de 400 a.C. Nesses centros, artesãos olmecas produziam estatuetas e cerâmicas de uso cerimonial que foram encontradas ou copiadas em muitas outras regiões da Mesoamérica.
Quando o domínio olmeca e de seu principal centro político, La Venta, entrou em colapso na Mesoamérica, os zapotecas, culturalmente próximos dos olmecas, começaram a construir seus centros político-cerimoniais. O principal deles foi Monte Albán. O sítio arqueológico em que estão os seus vestígios, situado no Vale de Oaxaca, no México, é considerado patrimônio mundial pela Unesco. 
Monte Albán, além das construções típicas dos centros cerimoniais, como praças, templos e pirâmides, contava também com áreas de residência permanente das elites dirigentes e com bairros onde eram realizados trabalhos especializados, como a fabricação de certos produtos.
Em Monte Albán foram encontrados alguns dos mais antigos vestígios de escrita das Américas. São grafismos inscritos em monumentos de pedra, relacionados possivelmente a rituais religiosos, que datam de aproximadamente 500 a.C. 
Contudo, os pesquisadores acreditam que a escrita zapoteca pode ser ainda mais antiga, pois provavelmente também foram usados outros suportes para ela, como madeira ou peles de animal, que não foram preservados pelo tempo. De acordo com hipóteses arqueológicas, essa escrita seria usada para diferentes fins religiosos e administrativos, e poucos privilegiados daquela sociedade a dominariam.

O mundo dos maias 


A sociedade maia desenvolveu-se na área que corresponde hoje ao sul do atual México, à Guatemala, a Belize, a Honduras e à parte leste de El Salvador. O auge dessa civilização estendeu-se de 250 até o ano 900 da era cristã. 
Os maias viviam em cidades governadas por chefes com poder hereditário. O chefe de cada cidade exercia funções políticas e religiosas, e era auxiliado por um conselho composto de líderes tribais, nobres guerreiros e sacerdotes. Esse grupo formava a elite maia e detinha a posse das terras. Quem cultivava essas terras eram os camponeses, que viviam em moradias rústicas, e tinham direito apenas a uma parte do que produziam.
Essa sociedade hierarquizada pode ter sido, segundo muitos estudiosos, resultado da influência do povo olmeca, que se relacionou com os maias principalmente por meio de trocas comerciais. As relações comerciais também ocorriam entre as várias cidades maias. O principal produto comercializado era o tecido. 
Embora o comércio fosse uma atividade econômica bastante importante, a agricultura constituía a base da economia maia. O principal produto cultivado era o milho, tão relevante que, segundo os mitos maias, foi utilizado pelos deuses como matéria-prima para criar o homem. Os maias também produziam cacau, algodão, feijão, pimenta, abóbora, mamão e abacate. Além disso, criavam cães (para a caça e a alimentação), perus e abelhas, e praticavam a pesca. 
O conjunto arquitetônico maia é bastante exuberante e revela a relação entre arte, astronomia e religião. Além disso, grandes templos e palácios eram construí dos para inspirar respeito e admiração.

Matemática e astronomia 


Desde o início da história maia, os sacerdotes procuravam entender os movimentos dos corpos celestes como uma forma de explicar os desígnios dos deuses. Por isso, os sacerdotes maias também eram matemáticos e astrônomos.
Em relação ao desenvolvimento dos conhecimentos matemáticos, os maias criaram um símbolo para representar o zero e o utilizavam em cálculos matemáticos. Além disso, eles conheciam o movimento do Sol, da Lua e de Vênus e os eclipses solares e lunares; e criaram dois calendários, que utilizavam simultaneamente: um sagrado, de 260 dias (astrológico), e outro não religioso, de 365 dias (solar). Graças a esses calendários, os sacerdotes conseguiam indicar as épocas propícias para o preparo do campo, a semeadura e a colheita.
O declínio das cidades maias Os maias construíram e mantiveram suas cidades até aproximadamente o ano 900, quando começaram a entrar em declínio. Não se sabe ao certo o motivo desse processo, mas há algumas hipóteses, como o surgimento de epidemias, guerras internas, invasões de outros povos, entre outras.
Estudos recentes sugerem, ainda, que esse declínio pode estar relacionado a causas ambientais. O uso de técnicas agrícolas rudimentares teria levado ao esgotamento do solo, o que diminuiu a produtividade das lavouras e, consequentemente, a oferta de alimentos. 
Outro estudo aponta uma prolongada estiagem como a causa do declínio dessas cidades. Muitas delas, como Tikal, foram planejadas para armazenar água da chuva para uma população de até 10 mil habitantes por um período de 18 meses.
O longo período de seca restringiu o acesso da população à água e, assim, teria contribuído para diminuir a autoridade dos governantes das cidades, já que o controle dos reservatórios e o fornecimento de água para a população eram atribuições importantes desses líderes.

POVOS ANDINOS 


Os mais antigos centros políticos e cerimoniais dos Andes com edifícios monumentais em pedra foram construídos na costa desértica do centro e do norte do atual Peru. Nesses centros, havia pirâmides, plataformas, praças e conjuntos residenciais habitados pelas elites dirigentes.
A antiguidade desses locais tem surpreendido os estudiosos, especialmente Caral, centro político urbano datado de aproximadamente 2500 a.C. O sítio arqueológico de Caral abriga seis pirâmides, um anfiteatro circular e um setor residencial, além de canais de irrigação. As escavações no local indicaram que havia plantações de goiaba, ají (um tipo de pimenta), abóbora, feijão e abacate. Foi possível concluir, também, que seus habitantes consumiam peixes e mariscos, vindos do litoral.
Um dado que intriga os arqueólogos é o fato de não terem sido encontrados no sítio de Caral objetos de cerâmica para armazenamento ou cozimento de ali mentos. Para eles, isso indica que, naquela sociedade, a produção e o armazenamento de alimentos não era feito em grande escala, e que a coleta e as trocas comer ciais feitas com cidades próximas eram tão importantes para a economia como a atividade agrícola.

ASTECAS E INCAS 


Até o século XV, as diferentes sociedades americanas desenvolveram-se sem contato com sociedades de outros continentes. A partir de 1492, contudo, essa realidade mudou. Naquela data, navegantes europeus, em busca de terras e riquezas, aportaram em uma ilha do Caribe. Logo, novas expedições, patrocinadas pelo governo da Espanha, atingiram as regiões da Mesoamérica e dos Andes. 
Àquela época, na Mesoamérica havia uma sociedade que dominava muitos dos povos da região: o Império Asteca. Sua formação havia começado no início do século XIV, quando os mexicas (povo asteca) se instalaram em terras próximas ao lago salgado Texcoco, no atual Vale do México. 
Guerreiros e conquistadores, os astecas dominaram cidades e povos vizinhos, o que resultou na formação de um grande império que reunia ao todo mais de 25 milhões de pessoas. Em 1521, sua capital, Tenochtitlán, foi tomada pelos espanhóis, o que simbolizou o fim do Império asteca. Posteriormente, não só os astecas, mas diversos povos da Mesoamérica seriam dizimados ou submetidos aos espanhóis.
Na região dos Andes, os espanhóis encontraram outro império. O Império Inca havia se consolidado no século XIII, por meio das conquistas militares, e integrava uma imensa área que compreendia os atuais territórios do Equador, do Peru e da Bolívia, ao norte, e do Chile e da Argentina, ao sul. Estimativas indicam que os incas dominavam uma população de 7 milhões de pessoas, pertencentes a mais de 100 grupos étnicos distintos. 
Em 1532, os espanhóis chegaram à região e aproveitaram-se da insatisfação de vários desses povos contra a dominação inca e das disputas políticas locais para conquistar o território e submeter toda a população que ali vivia.

Os Tupi-guarani 


Até o começo do século XVI, ninguém chamava de Brasil as terras que hoje formam nosso país. Essas terras eram habitadas há milhares de anos por povos indígenas que tinham uma rica cultura e desenvolviam atividades como a caça, a pesca, a coleta de alimentos, a agricultura e o artesanato.
Entre os povos que viviam no território do atual Brasil, estão os Tupi-guarani. Há indícios de que esses povos iniciaram um movimento de migração do sul da Floresta Amazônica em direção ao litoral por volta de 500 d.C. Eles buscavam a mitológica “Terra sem Mal”, um lugar onde havia fartura e não se morria. 
Como vários povos em diferentes espaços e tempos históricos, os Tupi-guarani buscavam um mundo imaginário onde a existência seria mais feliz e plena para todos.

Localização dos povos indígenas 


Apesar de terem certa unidade linguística e cultural, os Tupi-guarani não formavam um único povo. Eles se subdividiam em grupos que falavam línguas diferentes, mas parecidas entre si, como Carijó, Tupiniquim, Tupinambá, Potiguar, Guarani etc.
Segundo alguns pesquisadores, havia uma população de aproximadamente 1 milhão de Tupi-guarani antes do contato com os europeus. Essa população ocupava longos trechos do litoral e do interior, acompanhando o vale dos rios. 
Havia também outros povos no território brasileiro. Os Tupi-guarani chamavam esses povos de tapuias, os “inimigos” que falavam outras línguas. Eram Cariri, Aimoré, Tremembé etc.

Sociedades Tupi-guarani


Os Tupi-guarani estavam divididos em diversos grupos. Cada um desses grupos abrangia um conjunto de aldeias que, em geral, reuniam entre 500 e 2 mil pessoas. Eles moravam em casas coletivas feitas de madeira e cobertas com palha. Essas aldeias eram lideradas por chefes e conselheiros, como os pajés e os caraíbas, que tinham funções religiosas.
Os Tupi-guarani podiam deslocar suas aldeias para novos locais quando havia desgaste do solo, diminuição de animais de caça, disputas internas entre grupos rivais ou quando ocorria a morte de um líder.
A guerra era um aspecto fundamental das culturas Tupi-guarani, sendo praticada pelos homens. Eles guerreavam com outros povos e também entre eles. Entre os objetivos da guerra, estava o domínio dos locais mais apropriados à lavoura, caça e pesca. Havia também o objetivo de capturar inimigos para praticar a antropofagia ritual. Entre os Tupi-guarani não havia a prática de escravizar os vencidos ou exigir deles o pagamento de tributos.
Para realizar os rituais antropofágicos, eles cuidavam bem de seus prisioneiros por dias ou meses. Depois, o prisioneiro era executado, geralmente na época da colheita. Nessa ocasião, pessoas de outras aldeias eram convidadas a participar do ritual. 
Ao praticar a antropofagia, os indígenas acreditavam que assumiriam as qualidades do guerreiro sacrificado. Faziam o mesmo com a onça, animal que admiravam e te miam. Isso explica por que eles não comiam animais como o bicho-preguiça, que era considerado lento e indefeso, algo que ninguém desejava ser.


POVOS DO MEDITERRÂNEO

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