O rio Nilo é o maior rio do continente africano e um dos mais
extensos do mundo, abrangendo países como Uganda, Tanzânia, Ruanda, Quênia, República Democrática do Congo, Burundi, Sudão, Sudão do Sul, Etiópia e Egito atuais. No Egito, está
localizado o delta do rio Nilo, que deságua no mar Mediterrâneo. O Nilo recebe diferentes nomes nas localidades por onde
passa. Ao longo da história, também foi denominado de diversas
formas.
Os nomes dados pelos povos da África Antiga geralmente as
sociavam o Nilo a alguma divindade. Essa característica cultural
evidencia a importância das águas desse rio e das terras fertilizadas por ele para a sobrevivência das comunidades. Inicialmente, ele foi associado ao deus Hapi, considerado um dos criadores
do mundo. Os pontos cardeais também eram determinados pela
posição da nascente do rio. Por isso, a maioria desses povos se
orientava tendo por base o sul, onde nasce o rio e, segundo os
mitos, onde surgiu todo o Universo.
À medida que a mitologia se tornava mais complexa, o Nilo foi
relacionado a um dos principais deuses da cultura egípcia antiga:
Osíris, senhor da fertilidade e da morte. O fato de o rio cortar
uma área de deserto e de suas margens serem uma das únicas
áreas férteis da região contribuiu para que associações como
essa fossem feitas.
Vista de Cartum, capital do atual
Sudão. A cidade é entrecortada por
dois afluentes do rio Nilo (o Nilo
Branco e o Nilo Azul) e pelo Nilo
principal. Na imagem, é possível
notar a intensa urbanização das
margens do rio Nilo principal.
O Saara é o maior deserto do mundo. Suas areias atravessam dez países e dividem o continente africano em duas partes. Ao norte do deserto estão países como Egito, Líbia, Tunísia. Já o sul abriga Angola, Congo, Quênia, África do Sul etc. Banhado pelo Mediterrâneo, o norte da África foi o berço da civilização egípcia.
A história dos antigos egípcios está profundamente ligada ao Rio Nilo. Por volta de 8500 a.C., havia diversas pequenas comunidades instaladas às suas margens. Todos os anos, o Nilo transbordava por causa das chuvas em sua nascente. Com a cheia, o húmus trazido pelo rio era depositado em suas margens. As pequenas comunidades aproveitavam a fertilidade do solo e plantavam principalmente cereais, linho e leguminosas.
Por volta de 4000 a.C., os moradores desses pequenos vilarejos – chamados nomos – desenvolveram conhecimentos em engenharia e começaram a construir diques para estocar água. Dessa maneira, as comunidades podiam transportar a água para irrigar regiões mais distantes e armazená-la para períodos de seca.
Durante o século XX, o país investiu na construção de barragens para evitar os danos provocados pelas cheias do Rio Nilo e para melhor utilizar os recursos oferecidos por esse único rio do país. Tal investimento viabilizou o desenvolvimento do cultivo de trigo, arroz, milho, cana-de-açúcar e algodão, além da produção de energia de origem hidráulica.
Rio Nilo, no Egito, em fotografia atual.
Grande parte do território do Egito Antigo localizava-se no Deserto do Saara.
Essa área é ocupada desde o Período Neolítico e suas primeiras cidades se formaram cerca de 5000 anos atrás.
O único rio existente no Egito é o Nilo, que nasce na região central da África e deságua no Mediterrâneo. Ao se aproximar do Mediterrâneo, o Nilo se abre como um leque e forma o Delta do Nilo.
Essa região é chamada assim desde a Antiguidade, porque ali o
curso das águas lembra o formato da letra grega “delta” (Δ).
As características climáticas da região permitiram a preservação de centenas de sítios arqueológicos no local. O estudo de vestígios arqueológicos, como pirâmides, tumbas, textos e pinturas, permitiu aos historia dores conhecer a importância desse rio, com seu ciclo de cheias e vazantes, para a atividade agrícola e o desenvolvimento, há cerca de 5 mil anos, de uma das primeiras civilizações conhecidas: a civilização
egípcia antiga.
Desde o Período Neolítico, o Vale do Rio Nilo e as áreas próximas ao delta atraíam muitos moradores por causa das condições
favoráveis para a agricultura. Na Antiguidade, o Vale do Nilo também proporcionava o relacionamento e as trocas culturais e econômicas com povos de outras regiões da África, como os cuxitas,
que habitavam a Núbia, no Sul do Egito.
Os produtos que os egípcios compravam de outras regiões chegavam pelos mares Mediterrâneo e Vermelho. Esses mares, assim
como a Península do Sinai, serviram como portas de entrada para
povos invasores, como hicsos, assírios, babilônios e persas.
As cheias do Nilo
Entre os meses de junho e setembro, em decorrência das chuvas, o nível das águas do Nilo subia cerca de 16 metros, invadia as
margens e deixava as terras úmidas.
As enchentes atingiam todo o curso do Nilo e, algumas vezes,
destruíam plantações e moradias. Para evitar esses danos, os egípcios
mediam o nível da água com o uso de grandes réguas de madeira finca
das no solo; assim, calculavam a velocidade com que as águas subiam,
o que os ajudava a prever quando poderia ocorrer nova enchente. Além
disso, para melhor utilizar a água, construíram canais de irrigação, barragens e
grandes reservatórios.
Entre outubro e junho, o rio voltava ao nível normal; nesse período, as terras
fertilizadas pelo lodo trazido pela água eram semeadas e, posteriormente, a
colheita era realizada.
Atualmente, o Rio Nilo fornece água potável a 280 milhões de
pessoas de onze países. Porém, a construção da hidrelétrica Grande
Renascença Etíope, na Etiópia, tem ameaçado o ciclo de cheias e
vazantes do rio e gerado conflito entre os governos de países da
região, preocupados com a falta de água para abastecimento de sua
população que ainda depende da atividade agrícola realizada nas
margens férteis do rio.
A FORMAÇÃO DOS PRIMEIROS ESTADOS
Na região do delta e ao longo do vale do Nilo, foram encontrados sítios arqueológicos neolíticos de diversas sociedades. As
mais antigas se estabeleceram entre 6000 a.C. e 5000 a.C., como
revelaram indícios de cultivo de grãos e da elaboração de cerâmicas e de objetos de cobre.
As principais teorias apontam que as primeiras aldeias assentadas às margens do rio Nilo eram de povos que vieram do Oriente
Médio, pois foram encontrados vestígios de espécies vegetais nativas dessa região e não de outras partes do continente africano,
além de vestígios das técnicas e das tecnologias agrícolas empregadas por esses povos. Esses indícios indicam que as populações
que passaram a habitar o vale do Nilo conheciam manejos hidráulicos comumente utilizados na Pérsia e na península Arábica.
As comunidades desenvolviam a agricultura às margens
do Nilo adaptando-se às cheias – épocas de chuva, em que as
águas do rio subiam e alagavam as margens – e às vazantes –
épocas de estiagem com a consequente diminuição do nível do
rio. Nas épocas de alagamento, essas comunidades tinham a
preocupação de proteger as plantações e de armazenar a água
em diques para utilizá-la nos períodos em que o recurso não
era abundante. Nas épocas de seca, quando as águas do Nilo
baixavam, aproveitavam os solos fertilizados por nutrientes
depositados nas margens do rio para fazer o cultivo.
Com o passar do tempo, em um processo que levou séculos, essas comunidades começaram a se organizar em reinos,
chamados nomos. Cada nomo tinha um governante, o nomarca.
Por volta de 3400 a.C., os nomos estavam agrupados entre as
regiões do Baixo Egito (próximo ao delta do rio Nilo, ao norte do
continente) e do Alto Egito (trecho continental do rio Nilo, ao sul).
O processo de unificação dos dois agrupamentos deu origem ao
Império Egípcio Antigo.