domingo, 20 de setembro de 2026

Povos bantos

Bantos é o nome dado aos povos africanos com origem comum, formas de organização cultural e idiomas semelhantes e que habitam a extensa faixa de terra ao sul do Saara, na costa atlântica. O termo banto significa “povo” ou “"seres humanos”. É o plural de muntu, que significa “gente”.

Migrações dos bantos 


Estudos recentes mostram que os povos bantos, que atualmente ocupam diversas regiões da África Central (como a República Democrática do Congo e Angola) e o Norte da África do Sul, inicialmente teriam partido de onde hoje nomeamos como Camarões. Essa migração durou cerca de 2 500 anos.
Durante muito tempo, os estudiosos acreditavam que os bantos povoaram essas regiões porque já conheciam a metalurgia. Mas, recentemente, pesquisadores demonstraram a possibilidade de os bantos terem adquirido esse conhecimento durante o processo de migração, e não antes.

Modo de vida dos bantos

Em geral, os bantos ocupavam terras que estavam disponíveis e formavam al deias. Erguiam casas com varas de madeira e barro socado, cobrindo-as com sapé; o piso era feito de madeira e pedra. Derrubavam e queimavam a mata para formar roças e fazer cercados para a criação de ovelhas, cabras e bois. Pescavam nos riachos e lagos das redondezas usando anzóis e ar pões de ferro. Com lanças e flechas, caçavam antílopes, búfalos e porcos selvagens.
Os bantos estabeleceram contatos com grupos de caçadores e coletores que viviam nas savanas e florestas africanas. As disputas de território entre eles eram frequentes; outras vezes, formavam alianças firmadas por casamentos ou troca de presentes. Quando os recursos naturais se tornavam escassos, os bantos procuravam novas áreas para ocupar, e, naturalmente, acrescentavam à sua cultura novos hábitos, palavras e crenças dos povos nômades com os quais mantinham contato.

A arte dos povos bantos


Uma das características mais conhecidas dos povos bantos é a grande produção de obras de arte, consideradas de excelente qualidade. São esculturas com ancestrais, objetos que representam o poder desempenhado pelo chefe – como tronos e cajados –, além de máscaras. 
As máscaras produzidas pelos povos bantos apresentam grande variedade de formas e podem ser usadas em diferentes cerimônias: agrícolas, funerárias e de iniciação masculina – para celebrar quando os meninos passam da infância para a adolescência. O material mais utilizado pelos artistas na produção das máscaras é a madeira. 
Milhares de obras dos povos bantos podem ser vistas em museus de diversos países europeus. Isso porque os países que dominaram a África no passado se apropriaram de grande parte do patrimônio arqueológico das sociedades africanas.

A CIVILIZAÇÃO NOK

A civilização nok formou-se no oeste da África por volta do século IX a.C. Durante seu apogeu, ocupou áreas que atualmente correspondem ao território de países como Nigéria, Níger, Mali, Costa do Marfim, entre outros.
A região onde viviam os noks era rica em minério de ferro. Os historiadores acreditam que, desde o século VI a.C., seus habitantes já sabiam fabricar objetos desse metal. Eles cavavam pequenos fornos circulares no chão com pouco mais de meio metro de profundidade e ali aqueciam o minério até obter ferro fundido. Esses pequenos fornos serviam também para cozinhar esculturas de terracota.
A civilização nok desapareceu por volta do ano 200 d.C. Alguns historiadores afirmam que os noks foram os ancestrais da cultura iorubá, que se desenvolveu nessa mesma região da África séculos mais tarde e que exerceu grande influência na for mação da população brasileira após o século XVI.



A IMPORTÂNCIA DO NILO PARA OS EGÍPCIOS

O Saara é o maior deserto do mundo. Suas areias atravessam dez países e dividem o continente africano em duas partes. Ao norte do deserto estão países como Egito, Líbia, Tunísia. Já o sul abriga Angola, Congo, Quênia, África do Sul etc. Banhado pelo Mediterrâneo, o norte da África foi o berço da civilização egípcia.
A história dos antigos egípcios está profundamente ligada ao Rio Nilo. Por volta de 8500 a.C., havia diversas pequenas comunidades instaladas às suas margens. Todos os anos, o Nilo transbordava por causa das chuvas em sua nascente. Com a cheia, o húmus trazido pelo rio era depositado em suas margens. As pequenas comunidades aproveitavam a fertilidade do solo e plantavam principalmente cereais, linho e leguminosas.
Por volta de 4000 a.C., os moradores desses pequenos vilarejos – chamados nomos – desenvolveram conhecimentos em engenharia e começaram a construir diques para estocar água. Dessa maneira, as comunidades podiam transportar a água para irrigar regiões mais distantes e armazená-la para períodos de seca.
Durante o século XX, o país investiu na construção de barragens para evitar os danos provocados pelas cheias do Rio Nilo e para melhor utilizar os recursos oferecidos por esse único rio do país. Tal investimento viabilizou o desenvolvimento do cultivo de trigo, arroz, milho, cana-de-açúcar e algodão, além da produção de energia de origem hidráulica.

Rio Nilo, no Egito, em fotografia atual.

Grande parte do território do Egito Antigo localizava-se no Deserto do Saara. Essa área é ocupada desde o Período Neolítico e suas primeiras cidades se formaram cerca de 5000 anos atrás.
O único rio existente no Egito é o Nilo, que nasce na região central da África e deságua no Mediterrâneo. Ao se aproximar do Mediterrâneo, o Nilo se abre como um leque e forma o Delta do Nilo. Essa região é chamada assim desde a Antiguidade, porque ali o curso das águas lembra o formato da letra grega “delta” (Δ).
As características climáticas da região permitiram a preservação de centenas de sítios arqueológicos no local. O estudo de vestígios arqueológicos, como pirâmides, tumbas, textos e pinturas, permitiu aos historia dores conhecer a importância desse rio, com seu ciclo de cheias e vazantes, para a atividade agrícola e o desenvolvimento, há cerca de 5 mil anos, de uma das primeiras civilizações conhecidas: a civilização egípcia antiga.
Desde o Período Neolítico, o Vale do Rio Nilo e as áreas próximas ao delta atraíam muitos moradores por causa das condições favoráveis para a agricultura. Na Antiguidade, o Vale do Nilo também proporcionava o relacionamento e as trocas culturais e econômicas com povos de outras regiões da África, como os cuxitas, que habitavam a Núbia, no Sul do Egito.
Os produtos que os egípcios compravam de outras regiões chegavam pelos mares Mediterrâneo e Vermelho. Esses mares, assim como a Península do Sinai, serviram como portas de entrada para povos invasores, como hicsos, assírios, babilônios e persas.

As cheias do Nilo 


Entre os meses de junho e setembro, em decorrência das chuvas, o nível das águas do Nilo subia cerca de 16 metros, invadia as margens e deixava as terras úmidas.
As enchentes atingiam todo o curso do Nilo e, algumas vezes, destruíam plantações e moradias. Para evitar esses danos, os egípcios mediam o nível da água com o uso de grandes réguas de madeira finca das no solo; assim, calculavam a velocidade com que as águas subiam, o que os ajudava a prever quando poderia ocorrer nova enchente. Além disso, para melhor utilizar a água, construíram canais de irrigação, barragens e grandes reservatórios.
Entre outubro e junho, o rio voltava ao nível normal; nesse período, as terras fertilizadas pelo lodo trazido pela água eram semeadas e, posteriormente, a colheita era realizada.
Atualmente, o Rio Nilo fornece água potável a 280 milhões de pessoas de onze países. Porém, a construção da hidrelétrica Grande Renascença Etíope, na Etiópia, tem ameaçado o ciclo de cheias e vazantes do rio e gerado conflito entre os governos de países da região, preocupados com a falta de água para abastecimento de sua população que ainda depende da atividade agrícola realizada nas margens férteis do rio.

Os faraós e seus poderes

Os egípcios e os mesopotâmicos foram os primeiros povos a erguer templos grandiosos. Alguns podem ser vistos até hoje, como o zigurate babilônico, na cidade de Ur, e as pirâmides do Egito antigo, localizadas no planalto de Gizé.
O esforço coletivo para levantar templos tão monumentais tem uma explicação. No Egito antigo, os governantes eram considerados deuses e foram sepultados nas pirâmides, e os reis eram chamados de faraós, que significava “grande casa” – uma referência ao palácio real, onde eles moravam.
Lentamente, os faraós acumularam poder e passaram a criar leis e impostos; a controlar o exército, a produção agrícola e o uso da água; e a determinar a construção de obras públicas, como templos e canais de irrigação.
O faraó era cultuado por toda a população e era considerado um deus vivo. Filho de Hórus, deus do Céu, o faraó – acreditavam os egípcios – era capaz de controlar as forças da natureza, como as cheias do rio Nilo e as boas colheitas.
Essa forma de governo, em que as ordens do governante são consideradas ordens divinas, é denominada monarquia teocrática
Os faraós tinham várias esposas, e essa grande família morava em palácios e convivia com outras famílias influentes, a nobreza. 
As pirâmides, túmulos dos faraós e da sua família, eram construídas com blocos de pedra; quanto maior e mais luxuosas, maior era o poder do faraó que mandara erguê-las. Pinturas e textos sobre a vida e os feitos dos mortos decoravam esses locais. 
Quando um faraó era sepultado, seus escravos o colocavam no túmulo alimentos, animais de estimação e objetos pessoais, pois acreditavam que tudo isso seria necessário para a vida após a morte.
Tutancâmon foi um dos faraós mais famosos. Filho do faraó Amenofis IV, assumiu o trono em 1332 a.C., quando ainda era uma criança de 9 anos. Aprendeu a ler e a escrever e teve aulas de várias matérias. Casou-se aos 10 anos, prática comum naquela época.

Afresco de cerca de 1338 a.C. encontrado na tumba de Tutancâmon, que está representado ao centro da imagem, segurando um cetro, ao lado de sua esposa, Anquesenamon.

A vida e o reinado de Tutancâmon foram curtos, pois ele morreu aos 19 anos de idade. Por que, então, Tutancâmon ficou famoso? Porque junto de seu túmulo, descoberto em 1922, ao sul da cidade do Cairo, os arqueólogos encontraram vários tesouros. 
A tumba de Tutancâmon era composta de um corredor e quatro salas. Em uma delas, chamada de câmara mortuária, estava seu caixão (sarcófago), feito de ouro maciço e decorado com figuras de deuses egípcios. Os arqueólogos também descobriram milhares de outras peças, como está tuas de deuses, vasos, joias, baús e armas.
O título de faraó foi conservado nas mãos de poucas famílias ou dinastias importantes. Os filhos sucediam aos pais por várias gerações até que, por alguma razão – guerras, revoltas, etc. –, a família ou dinastia reinante fosse substituída por outra. O Egito antigo teve 31 dinastias desde a unificação, em 3200 a.C., até o ano 343 a.C.

As pirâmides de Gizé, Cairo, Egito. Alguns povos antigos construíram grandes templos religiosos que levaram muitos anos para ficar prontos. Feitos de blocos de pedra ou de tijolos muito pesados, era preciso um enorme número de trabalhadores para construí-los. Cerca de 30 mil trabalhadores atuaram na construção das pirâmides de Gizé. A maior delas tem a altura de um prédio de 49 andares, com várias passagens internas, galerias e quartos secretos para abrigar tesouros e túmulos. Dois milhões de blocos de pedra calcária, de várias toneladas cada um, foram utilizados em sua construção.

Sociedade e poder no Antigo Egito

Os grupos sociais do Egito antigo dividiam-se principalmente de acordo com o trabalho ou função social que cada um desempenhava. A maioria da população egípcia era composta de camponeses, seguidos pelos diferentes artesãos. 
No Antigo Egito as chances de ascensão social eram mínimas. Quase sempre o indivíduo nascia e morria pertencendo ao mesmo grupo social.
Alguns historiadores consideram que também havia escravos. Porém, eles não eram numerosos e não constituíam a principal mão de obra dessa sociedade.
No topo da hierarquia social encontravam-se o faraó e membros de sua família. Logo abaixo, vinham sacerdotes, chefes militares e funcionários do governo. Vamos conhecer alguns aspectos da sociedade egípcia.
 

O faraó


O ponto mais alto da escala social era ocupado pelo faraó. Além de rei, ele era considerado um deus vivo que tinha poderes para controlar as forças da natureza e proteger a sociedade.
Os egípcios acreditavam, por exemplo, que as cheias do Nilo e as boas colheitas dependiam do poder do faraó. A crença de que ele era uma divindade sofreu variações no decorrer da história do Egito antigo, sendo às vezes fortalecida e, em outras, enfraquecida.
O faraó exercia controle de boa parte das terras e das atividades econômicas no Egito antigo, auxiliado por nobres, sacerdotes e funcionários do governo.
No Egito, desde o mais humilde camponês até o poderoso faraó acreditavam na existência de uma vida após a morte. Por isso, vários faraós ordenaram a construção de imensos túmulos, as pirâmides. Para o faraó, mandar erguer uma pirâmide era uma forma de garantir sua “casa da eternidade”, local onde esperava continuar desfrutando dos prazeres terrenos.
Para os egípcios, o faraó era mais do que um ser de origem divina:  era o próprio deus. Ele era o governante máximo, o comandante militar e o juiz supremo do Egito. Além disso, era considerado o dono de todas as terras egípcias; por isso, recebia impostos (pagos em produto), acumulando assim enorme riqueza.

Representação do faraó Ramsés II (1290 a.C.-1224 a.C.) em sua carruagem durante uma batalha.

Os faraós construíam para si túmulos  magníficos, como as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos, edificadas por faraós do Antigo Império que tinham esses nomes e eram parentes entre si.

Os altos funcionários e os sacerdotes


Entre os altos funcionários do governo egípcio, estavam o vizir e o escriba.
O vizir (tjati) também era um importante funcionário do governo. Ele era o chefe da administração e da justiça, comandando uma enorme quantidade de funcionários, como administradores locais, juízes e supervisores das obras públicas.
O vizir era a maior autoridade do Egito depois do faraó; ele comandava a polícia, a justiça e a arrecadação de impostos em todo o Império.

  Relevo da tumba do vizir egípcio Ramose (1364 a.C.-1347 a.C.).

Os escribas eram funcionários do governo que sabiam ler, escrever e contar. Eles geralmente trabalhavam nos palácios e nos templos copiando decretos do governo, contabilizando a saída e a entrada de mercadorias, anotando o pagamento das taxas e escrevendo obras literárias e religiosas.

Representação de um escriba em relevo egípcio. Museu do Louvre, Paris.

Os escribas, por sua vez, também ocupavam posição de destaque; eles trabalhavam para o Estado, para os templos religiosos e para o Exército. Para exercer a profissão de escriba, a pessoa precisava estudar desde a idade de cinco anos em uma escola especial, onde aprendia cálculo, leitura e escrita. De posse desses conhecimentos, os escribas faziam o controle de toda a vida econômica do Egito: as áreas cultivadas, os rebanhos, o volume da colheita, os impostos arrecadados etc.

Escriba principal dos arquivos reais de Saqqara. Antigo Império, 6a dinastia (2345 a.C.-2181 a.C.). 

Já os sacerdotes executavam os serviços religiosos e administravam os templos, que geralmente eram muito ricos por causa da população, que fazia oferendas e pagava impostos para esses templos.
Os sacerdotes conduziam as cerimônias religiosas, administravam os templos e recebiam as oferendas dos fiéis. Por isso, detinham muitas riquezas e exerciam forte influência política.
Escultura em granito representando um sacerdote. 26a dinastia (664 a.C.-525 a.C.).


Artesãos, comerciantes e militares


No Egito antigo, havia diferentes tipos de artesãos, como barqueiros, tecelões, padeiros e cervejeiros. Havia também artesãos que se especializavam em atividades como mumificar corpos e decorar túmulos, pintando ou esculpindo.
Os artesãos que produziam artigos considerados de luxo trabalhavam, quase sempre, em oficinas de templos ou de palácios das cidades. Eles produziam esculturas em pedra e em madeira, peças de ourivesaria, vasos de alabastro ou faiança, tecidos finos, etc.
Além dos artesãos urbanos, existiam aqueles que trabalhavam em oficinas nos campos, produzindo tecidos, artigos de couro, vasilhas de cerâmica, entre outros objetos.

Sarcófagos egípcios que se encontram atualmente no Museu Britânico em Londres.

Os artesãos egípcios (carpinteiros, ferreiros, joalheiros) eram conhecidos no mundo antigo. Com a madeira, faziam brinquedos, móveis, barcos etc.; com adobe, areia e pedra, construíam casas e os palácios; com o ferro, confeccionavam
armas, instrumentos de trabalho e carros de guerra; com o papiro, produziam o papel e uma variedade de outros objetos; com os metais, faziam joias e ornamentos.
Nos períodos de maior prosperidade, como no Novo Império, o comércio interno e externo cresceu, possibilitando o aumento da riqueza dos comerciantes. 
Com as guerras de conquista durante o Novo Império, os militares do Egito antigo também conseguiram riqueza e prestígio; muitos deles lutavam por concessões de terra ou por parte dos saques realizados durante essas guerras.

Os camponeses e os escravizados


Os camponeses, chamados no Egito antigo de felás, constituíam a maioria da população e tinham uma vida muito difícil; nas propriedades agrícolas eles faziam todo tipo de serviço (arar, plantar, colher, abrir canais, construir e consertar) e, em troca, recebiam apenas uma pequena parte do que plantavam. E ainda tinham de pagar um imposto em produto (cereais), que era recolhido aos armazéns do faraó. Além disso, eram obrigados a trabalhar em obras do governo, como abertura de estradas, limpeza de canais e transporte de pedras usadas na construção de túmulos, templos e palácios.
Cultivavam principalmente trigo (usado para fazer pães), cevada (para o preparo da cerveja), linho (para fazer tecidos), legumes, verduras e uvas (para fazer vinho). Também criavam bois, carneiros, cabras, porcos e, posteriormente, cavalos.
Além dessas atividades, eles também caçavam e pescavam. No entanto, a carne era um alimento de luxo para a maior parte da população. Os mais pobres só comiam carne em ocasiões especiais.
No final do período das cheias do rio Nilo, os camponeses aravam e semeavam a terra, trabalhando em duplas. Enquanto um revolvia a terra usando ara dos e enxadas, o outro lançava as sementes.
Para colher os cereais, eles utilizavam instrumentos de madeira, pedra ou metal. Depois de separar as cascas, armazenavam os grãos em celeiros.
De acordo com alguns historiadores, os camponeses egípcios viviam em regime de servidão coletiva. Isso porque provavelmente a maioria deles estava ligada à terra que cultivava e era obrigada a entregar parte dos cereais, do linho e dos rebanhos como imposto ao governo. Além disso, era frequentemente convocada para trabalhar em obras públicas, como a construção de palácios, templos e pirâmides.

Cena agrícola em pintura mural egípcia, 18a dinastia (c.1567 a.C.-1320 a.C.). 

A prática de escravizar pessoas é antiga e existiu em diversas sociedades. De modo geral, chamamos de escravo aquele que está sob o domínio de um senhor. Este senhor pode utilizar o trabalho do escravo sem remunerá-lo, pode vendê-lo ou alugá-lo.
Os escravizados constituíam a minoria da população e eram, geralmente, prisioneiros de guerra. Eles faziam os trabalhos mais pesados e perigosos em minas, pedreiras e nas grandes obras públicas.
Na Mesopotâmia e no Egito antigo, havia pequena quantidade de escravos que, por isso, não representavam a principal fonte de mão de obra. Esses escravos tinham uma vida bem diferente da dos escravos da Grécia e de Roma.
Alguns historiadores afirmam que os escravos da Mesopotâmia e do Egito podiam, em certas condições, ter alguns bens, casar-se com pessoas livres e até prestar testemunhos em tribunais.
No Egito antigo, os escravos eram, sobretudo, prisioneiros de guerra que realizavam desde tarefas domésticas até trabalhos em construções públicas, minas e pedreiras.

Mulheres no Egito antigo 


Segundo o historiador e escritor francês Christian Jacq, as mulheres desempenhavam importantes papéis sociais e políticos no Egito antigo. Nessa sociedade, o sistema jurídico garantia igualdade de condições ao homem e à mulher.
Assim, no Egito antigo, houve mulheres faraós, sacerdotisas, funcionárias do governo, artesãs, camponesas. É certo que os faraós egípcios, na grande maioria, foram homens, mas algumas mulheres também governaram com esse título. 
Uma delas foi Hatshepsut, que reinou durante cerca de duas décadas no século XV a.C. Sob o governo dessa faraó, foram construídas e restauradas edificações em várias partes do Egito. 
Seu reinado foi considerado pacífico e próspero. Além de Hatshepsut, outra faraó famosa foi Cleópatra, que governou entre 51 a.C. e 30 a.C., época em que o Egito era dominado pelos romanos. 

A escrita egípcia

A escrita surgiu no Egito por volta de 3000 a.C. Para escrever, os egípcios usavam caracteres chamados hieróglifos; a escrita hieroglífica era usada geralmente em textos oficiais e sagrados, gravados em pedra.
Além dessa escrita, os egípcios desenvolveram duas outras: a escrita hierática, utilizada principalmente pelos sacerdotes, e a escrita demótica, usada basicamente em cartas.

Fragmento do rolo de papiro conhecido como Livro dos mortos, peça localizada no Museu Nacional Egípcio, Cairo, produzida entre os séculos XVI a.C. e XI a.C.

A escrita egípcia é, junto com a dos sumérios, uma das mais antigas do mundo, e ambas utilizavam sinais pictográficos. Os sinais egípcios ficaram conhecidos como hieróglifos (escrita sagrada), por isso é chamada escrita hieroglífica.
Na escrita hieroglífica havia em torno de 6 900 caracteres, que, dependendo da combinação, formavam um significado diferente. Não exprimiam sons, portanto, como o nosso alfabeto.
Os hieróglifos foram inventados na época da unificação do Alto e do Baixo Egito, por volta de 3200 a.C. Eram inicialmente escavados ou pintados em pedra, nas paredes de monumentos e em templos religiosos. Posteriormente, por volta de 3000 a.C., os egípcios desenvolveram o papiro, uma espécie de papel feito de uma planta de mesmo nome encontrada nos pântanos da região. Para escrever nos papiros, os egípcios utilizavam pincéis de junco e tintas de cores preta e vermelha.
Para registros do cotidiano, negócios e questões administrativas, foi desenvolvida uma escrita mais simples, conhecida como hierática, que vigorou por mais de 2 mil anos. O domínio da escrita era um conhecimento hereditário, ou seja, passado de uma geração para a outra, e estava restrito a um grupo pequeno de pessoas, formado pelos membros da família do faraó, sacerdotes e escribas.
Cabia aos escribas controlar tudo o que era produzido no Egito, cuidar dos projetos de construção de obras públicas – como diques, canais de irrigação, palácios e templos –, administrar a mão de obra e fazer os cálculos dos impostos que os pasto res e agricultores deveriam pagar. A população em geral, por sua vez, fazia uso da oralidade para transmitir de uma geração a outra suas histórias, seus mitos e suas crenças, mantendo viva, dessa maneira, a tradição oral do povo egípcio.
Foi o francês Champollion quem conseguiu descobrir o segredo das escritas egípcias. Para isso, ele dedicou onze anos de sua vida ao estudo de um documento conhecido como Pedra de Roseta. 
A Pedra de Roseta, um bloco de basalto encontrado pelos soldados do general francês Napoleão Bonaparte, no Rio Nilo, em 1799, continha o mesmo texto em três escritas diferentes: em grego, na escrita hieroglífica e na escrita demótica. Comparando a palavra Ptolomeu (nome de um faraó) nessas três escritas, em 1822, Champollion conseguiu desvendar as escritas do Egito antigo.

A religiosidade egípcia


A religiosidade e era um traço fundamental da sociedade egípcia.
Os egípcios eram politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses. Entre os mais conhecidos, estavam: Amon-Rá, criador do Universo e de todos os deuses; Osíris, deus da vida após a morte; Ísis, irmã e esposa de Osíris; e Hórus, o filho deles. Seus deuses eram representados com forma humana, como Osíris; com forma humana e animal, como Hórus (corpo de homem e cabeça de falcão); ou somente com a forma animal.
Cada cidade egípcia adorava seu próprio deus. Os templos erguidos em homenagem a esses deuses contavam com grande número de sacerdotes e sacerdotisas. Cabia a eles organizar tarefas como cuidar das divindades, oferecer-lhes comida, organizar festividades em sua honra e escrever ou copiar os textos sagrados.

Deuses e templos


Geralmente, cada cidade tinha um deus principal que era cultuado em um templo. Entre os templos mais conhecidos estão os de Luxor e de Karnak, próximos a Tebas, antiga capital egípcia.
O templo de Karnak era dedicado à principal divindade egípcia: Amon-Rá, o deus Sol, cultuado em todo o Egito, a quem eram dedicadas as conquistas militares. Para a maioria da população também era importante o culto a Osíris (deus dos mortos e da ressurreição), Ísis (deusa da vida, esposa e irmã de Osíris) e Hórus (deus do céu e dos faraós, filho de Ísis e Osíris).
Os antigos egípcios prestavam homenagens aos deuses e dedicavam-lhes tributos ou oferendas. Acreditando que os deuses tinham desejos parecidos com os dos humanos, os egípcios ofereciam-lhes presentes como bebidas, comidas e festas.
Os egípcios acreditavam na existência de uma vida após a morte e que toda pessoa, ao morrer, era julgada no Tribunal de Osíris.
O deus Anúbis, divindade representada com corpo humano e cabeça de chacal, apresentava o morto ao tribunal. Colocava em um dos pratos de uma balança o coração e, no outro prato, uma pena. Se o coração fosse mais pesado que a pena, o morto estaria condenado a ser comido por Ammit, animal sagrado cujo corpo era uma mistura de leão, hipopótamo e crocodilo. Caso contrário, iria para o outro mundo.

Escultura de madeira pintada representando a deusa Ísis, 323 a.C.-30 a.C. Deusa da maternidade e protetora da natureza, ela era uma das divindades mais populares do Egito antigo. 

Em caso de absolvição, a alma podia reocupar o corpo ao qual pertencera. Mas, para isso, diziam os egípcios, era necessário que o corpo estivesse conservado.
Isso explica por que os egípcios desenvolveram técnicas de mumificação. A múmia era colocada num sarcófago; este era posto em uma urna funerária e conduzido até o túmulo. Lá, costumavam-se deixar vários objetos, como joias, armas, alimentos, que, posteriormente, segundo acreditavam os egípcios, teriam grande utilidade para o morto.
A riqueza e a variedade dos objetos dependiam das condições de cada um. No túmulo do faraó Tutancâmon, por exemplo, havia um aposento repleto de objetos de luxo, muitos deles feitos de ouro: cadeiras, carros, armas, barcos, armários, poltronas, bastões, colares, estátuas, aparelhos de mesa, objetos pessoais etc. Sua mobília era composta por mais de 5 mil objetos.
A tumba de Tutancâmon e o tesouro nela contido foram encontrados intactos, em novembro de 1922, pelo arqueólogo inglês Howard Carter. Ele nos conta que o dia mais emocionante foi quando, ao abrir a porta da câmara mortuária, avistou três sarcófagos representando Tutancâmon, um dentro do outro, mostrando o belo rosto do faraó; o mais interior era de ouro puro. Neste último, estava a múmia do faraó coberta com uma máscara de ouro e lápis-lazúli.

Broche representando o deus Hórus. 18a dinastia (1567 a.C.-1320 a.C.).

Diferentes ângulos da máscara mortuária de ouro de Tutancâmon (c. 1341 a.C.- 1323 a.C.).

A cena que vemos está pintada em um papiro do Livro dos mortos (c. 1300 a.C.) e retrata o julgamento do coração de um escriba de nome Hunefer. Ele é levado pela mão por Anúbis (deus dos mortos) até a balança da justiça. Lá, seu coração é colocado num dos pratos e, no outro, é posta a pena da verdade e da justiça. O coração deveria ser mais leve que a pena para que a pessoa fosse absolvida.

Mumificação


Os egípcios acreditavam na vida após a morte; para eles, a energia vital ká poderia voltar ao corpo, caso ele fosse preservado, depois da morte. No reino do deus Osíris, um dos mais famosos da mitologia egípcia, os mortos seriam julgados e, se fossem absolvidos, poderiam retornar a seus próprios corpos. Por isso, havia uma preocupação em conservar o corpo após a morte, o que contribuiu para o desenvolvimento de técnicas de mumificação.

Ilustração produzida na atualidade representando o processo de mumificação egípcio.

A mumificação era um processo em que o corpo de um morto era transformado em múmia, isto é, em um cadáver conservado. Para isso, retiravam-se partes internas do organismo, desidratava-se o corpo e nele eram introduzidas substâncias que combatiam a decomposição. 
Havia vários tipos de mumificação. Alguns eram mais simples e baratos; outros mais caros e duradouros. A escolha do tipo de mumificação dependia das possibilidades de cada família para pagar o artesão que fazia esse trabalho. Eles encomendavam tudo ainda em vida, inclusive a tumba onde seriam enterrados. Alguns construíram pirâmides para esse fim.
Ao realizar mumificações, os egípcios desenvolveram também estudos sobre o corpo humano que resultaram em conhecimentos médicos, como a criação de fórmulas químicas para diminuir a dor (analgésicos), tratamento dos dentes e técnicas cirúrgicas.

Pirâmides 


A crença na vida após a morte também esteve relacionada com a construção de sofisticadas tumbas, o que exigiu conhecimentos avançados de Matemática e Engenharia. As tumbas egípcias mais conhecidas são as pirâmides.
Na região de Gizé (próxima ao Cairo, a atual capital egípcia) estão localizadas as pirâmides dos faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos. A maior delas é a de Quéops, com cerca de 150 metros de altura, o que corresponde a um prédio de mais ou menos 50 andares. A menor é a de Miquerinos. 
Para a construção dessas pirâmides, foram utilizados blocos de pedra resistentes, como o granito ou o basalto. Calcula-se que na pirâmide de Quéops foram utilizados mais de 2 milhões de blocos de pedra. 
À frente dessas três pirâmides, foi construída a Esfinge de Gizé. A esfinge é uma enorme escultura que tem por volta de 20 metros de altura e representa uma ca beça humana em corpo de leão. Acreditava-se que ela era guardiã das pirâmides.

O templo de Abu Simbel foi construído por ordem do faraó Ramsés II. Possui quatro estátuas representando o próprio faraó. 


A reforma de Akhenaton


Durante o Novo Império, o faraó Amenófis IV promoveu uma reforma religiosa radical: aboliu o culto a vários deuses e implantou o culto a um só deus, o deus Aton, simbolizado pelo disco solar.
Amenófis IV mudou seu nome para Akhenaton, servidor de Aton, e fundou uma nova capital. Adotando o culto a um único deus, Akhenaton visava, entre outras coisas, limitar o poder dos sacerdotes que administravam os templos dedicados aos numerosos deuses egípcios.

Relevo que representa o faraó Akhenaton e sua esposa adorando o deus Aton, c. 1340 a.C.



Sua reforma religiosa, porém, não prosperou, por causa da força dos sacerdotes e da enorme popularidade dos deuses egípcios. Com a morte do faraó reformador, restabeleceu-se o politeísmo no Egito.


POVOS DO MEDITERRÂNEO

O Mediterrâneo está intimamente ligado à história da Europa, da África e da Ásia. Algumas civilizações se desenvolveram às suas margens. Lo...