quarta-feira, 5 de agosto de 2026

O ciclo reprodutivo feminino

O ciclo reprodutivo feminino caracteriza-se pela maturação de um ovócito no ovário (que será liberado) e por uma série de mudanças que ocorrem no endométrio, como forma de preparação do útero para uma eventual gravidez.
A duração do ciclo é variável e diferente para cada mulher, mas comumente dura entre 24 e 35 dias, período que pode ser dividido em quatro fases denominadas: fase menstrual, fase pré-ovulatória, ovulação e fase pós-ovulatória. Vamos considerar um ciclo de 28 dias e conhecer o que ocorre em cada uma dessas fases.

Fase menstrual

Um ciclo é uma sequência de fenômenos que se repetem ao fim de um período de tempo determinado. Por isso, a rigor, ciclos não têm início nem fim. Mas, para facilitar o entendimento do que ocorre no ciclo reprodutivo feminino, vamos considerar que ele começa com a fase menstrual.
Essa fase, também chamada de menstruação, só ocorre quando não há gravidez e dura em média cinco dias. Portanto, vai do 1o ao 5o dia do ciclo. Caracteriza-se pela eliminação do ovócito não fecundado e de parte do endométrio, o que resulta em sangra mento. Todo esse material sai do corpo pela vagina, sendo expulso por meio de contrações fracas do útero. Depois dessa fase, o endométrio apresenta-se menos espesso.

Fase pré-ovulatória 

É o período compreendido entre o fim da menstruação e a ovulação. Nessa fase, o estrogênio secretado pelos ovários estimula o crescimento do endométrio, o qual tem sua espessura aumentada e torna-se mais vascularizado. Alguns ovócitos retomam seu desenvolvimento, e um deles amadurece, ficando pronto para ser fecundado. Em geral, essa fase vai do 6o ao 13o dia do ciclo. A duração dessa fase pode variar entre as mulheres.

Ovulação 

O ovócito maduro é liberado pelo ovário e recolhido pela tuba uterina, no fenômeno da ovulação. Em ciclos de 28 dias, isso geral mente ocorre no 14o dia, ou seja, na metade do ciclo, quando os níveis de LH estão mais altos.

Fase pós-ovulatória 

É o período posterior à ovulação e vai do 15o ao 28o dia do ciclo. Nessa etapa, sob influência do hormônio estrogênio, o endométrio atinge sua espessura máxima e mantém-se assim principalmente pela ação do hormônio progesterona. Essas mudanças no útero preparam o órgão para abrigar um novo ser humano, se houver gravidez. Nesse caso, o ciclo se interrompe: o endométrio não é eliminado e a fase menstrual não ocorre. Caso contrário, na ausência de gravidez, o ciclo prossegue.


INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (ISTs)


As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) – antes denominadas doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) – são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos. Essas infecções são transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual (oral, vaginal ou anal) sem o uso de preservativos entre pessoas que estejam contaminadas. A transmissão de algumas ISTs pode acontecer, ainda, da mãe para o bebê durante a gestação, o parto ou a amamentação, caso a mãe esteja contaminada.
As ISTs podem se manifestar por meio de feridas, corrimentos ou verrugas no ânus ou nos órgãos genitais. Em alguns casos, feridas e manchas aparecem em outras partes do corpo, como palma das mãos, olhos e língua. Por isso, qualquer alteração nos órgãos genitais ou em outras partes do corpo deve ser relatada a um médico imediatamente, pois apenas um profissional da área da saúde tem condições de fazer o diagnóstico correto e prescrever o tratamento adequado. Entre as ISTs, podemos citar a infecção pelo HIV, a sífilis, a gonorreia e a tricomoníase.

Infecção pelo HIV

HIV é a sigla em inglês para o vírus da imunodeficiência humana, causador da aids. Esse vírus afeta o sistema imunitário, responsável pela defesa do organismo contra doenças.
Ter o HIV não significa que a pessoa tem aids. Aids é o estágio mais avançado da doença, quando os vírus atacam as células de defesa da pessoa, deixando seu organismo vulnerável para outras infecções oportunistas, como a pneumonia e a tuberculose.
Essas infecções são chamadas oportunistas pois, em uma situação normal, seriam facilmente combatidas pelo sistema imune. Porém, como os vírus HIV atacam as células de defesa, eles deixam o organismo vulnerável e propenso a infecções.
As pessoas que vivem com HIV são chamadas soropositivos e elas podem viver muitos anos sem apresentar quaisquer sintomas e sem desenvolver a doença. Mas, mesmo sem manifestarem a aids, essas pessoas podem transmitir o vírus a outros indivíduos por meio de relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação quando não tomam as devidas medidas de prevenção.
Os sintomas variam dependendo do estágio da doença. No início, eles se assemelham aos sintomas de uma gripe, como febre e mal-estar. Por isso, a doença pode passar despercebida. Em fases mais avançadas, os portadores da doença podem apresentar febre, diarreia, suores noturnos e emagrecimento. O sistema imunitário enfraquece e permite a infecção por doenças oportunistas.
Ainda não há uma cura para a infecção por HIV. O tratamento é feito com um coquetel de medicamentos, chamado terapia antirretroviral.
As pessoas com HIV ou com aids têm os mesmos direitos das outras pessoas, incluindo o direito à educação, ao trabalho, o acesso à saúde e os direitos sexuais e reprodutivos. Para que cuidem de sua família e evitem transmitir a doença, é fundamental que os portadores do HIV tenham acesso a diagnóstico e tratamento adequados.
Para evitar o contágio pelo HIV, é recomendado que pessoas com vida sexual ativa façam uso de preservativo nas relações sexuais. Também se recomenda exames médicos periódicos.

Sífilis 

A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum. Além do contato sexual, a transmissão pode ocorrer por transfusão sanguínea e de mãe para filho durante a gestação, através da placenta. 
Os sintomas são lesões endurecidas e pouco dolorosas nos órgãos genitais, que podem desaparecer naturalmente depois de algumas semanas. Porém, surgem pontos vermelhos na pele em diversas partes do corpo, como palma das mãos e planta dos pés. Pode haver febre e dores no corpo. Em estágios mais avançados da doença, há agravamento das lesões na pele e os sistemas nervoso, cardiovascular e urinário são atingidos, levando o indivíduo à morte.
O tratamento deve ser feito logo no início dos primeiros sintomas e do diagnóstico para que a doença não se agrave. Em alguns casos, os sintomas demoram a aparecer e o indivíduo não sabe que está infectado, podendo transmitir a bactéria a outras pessoas por meio de relações sexuais desprotegidas. Por isso, é recomendado que pessoas com vida sexual ativa façam exames médicos periodicamente. A prevenção é fazer uso do preservativo nas relações sexuais e evitar o contato sexual com pessoas contaminadas.

Gonorreia 

A gonorreia é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, que afeta a uretra e as vias genitais. A trans missão ocorre por meio de contato sexual com parceiros contaminados e também de mãe contaminada para filho durante o parto. 
Os principais sintomas são ardor na uretra e secreção purulenta e surgem poucos dias após o contágio. Em algumas mulheres, os sintomas são menos evidentes, o que dificulta a identificação da infecção e a procura pelo tratamento adequado. Nesses casos, a doença pode se agravar, comprometendo as tubas uterinas e causando infertilidade (dificuldade em ter filhos). A mãe infectada pode contaminar o filho no momento do parto. No bebê, a infecção pode ocasionar cegueira. 
A pessoa infectada deve procurar um médico para o tratamento específico e abster-se de relações sexuais até a cura completa da infecção para evitar a disseminação da doença. A prevenção é evitar o contato sexual com pessoas contaminadas e fazer uso do preservativo nas relações sexuais.

Tricomoníase 

A tricomoníase é causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. Nas mulheres, o principal sintoma é o corrimento vaginal e a ardência ao urinar, e nos homens é o corrimento pela uretra. Em geral, muitos homens são portadores assintomáticos, ou seja, não apresentam sintomas da infecção. 
O tratamento é feito por meio de medicamentos específicos prescritos pelo médico. As pessoas infectadas devem evitar relações sexuais até que estejam completamente curadas. A prevenção é evitar o contato sexual com pessoas contaminadas e fazer uso do preservativo nas relações sexuais.



OVULAÇÃO E FECUNDAÇÃO

Após a puberdade, os hormônios secretados pela hipófise estimulam, a cada mês, o amadurecimento dos gametas femininos. Os ovócitos se desenvolvem nos ovários em meio a um conjunto de células chamado folículo. Quando o gameta feminino está no estágio de ovócito secundário, o folículo se rompe e libera o gameta, no processo chamado ovulação.
O organismo feminino, a partir da puberdade, passa a liberar geralmente um ovócito secundário por mês. O ovócito é transportado do ovário até o útero pelas tubas uterinas. Se ele encontrar espermatozoides durante esse trajeto, pode ocorrer a fecundação.
Ovócito sendo fecundado por um espermatozoide. Microscopia eletrônica; colorida artificialmente. Imagem ampliada em 620 vezes.

Assim que o espermatozoide penetra no ovócito, o gameta feminino passa a se chamar óvulo. O óvulo fecundado dá origem ao zigoto, primeira célula do futuro bebê. O zigoto se divide em duas células, depois em quatro e assim por diante. Esse conjunto de células – já chamado embrião – continua o trajeto até o útero e se fixa na parede uterina, processo denominado nidação. 
É no útero que o embrião se aloja, recebe alimento e se desenvolve. Você pode estar se perguntando como os espermatozoides, gametas masculinos, chegam até as tubas uterinas da mulher. Esse processo pode se dar de forma natural, quando um homem e uma mulher mantêm relações sexuais sem proteção e sem o uso de métodos contraceptivos.
Na relação sexual, o pênis é introduzido na vagina da mulher e, durante a ejaculação, lança o sêmen no interior do corpo feminino. O sêmen contém espermatozoides, que são células com flagelos, capazes de se movimentar. Eles nadam em direção ao útero e atingem as tubas uterinas, local em que geralmente ocorre a fecundação.
O encontro dos gametas femininos e masculinos também pode ocorrer por métodos laboratoriais, quando o casal opta por fazer uma inseminação artificial ou fertilização in vitro.



PARTO

A gravidez se conclui com o parto, evento em que tanto o bebê quanto a placenta saem do organismo materno. O parto pode ocorrer de maneira normal (natural) ou ser realizado por meio de uma cirurgia denominada parto cesárea.
Geralmente, ao final das 38 semanas, o bebê já está pronto para nascer. No parto natural, o corpo da mulher se prepara para permitir a saída do bebê pelo canal da vagina. A musculatura do útero começa a contrair e relaxar, o âmnio se rompe, e o líquido amniótico sai pela vagina. O rompimento da bolsa amniótica é sinal de que o parto teve início. A intensidade e a frequência das contrações uterinas aumentam até levar à expulsão do bebê pelo canal da vagina. 
No parto normal, ocorrem inicialmente contrações uterinas, estimuladas pela ocitocina e outros hormônios, que promovem a abertura do colo do útero, seguidas de contrações que expulsam o bebê para o ambiente externo, pela vagina da mãe.  Esse processo tem duração variável e pode demorar algumas horas.
Em determinadas situações, o parto natural pode apresentar risco para a vida da mãe ou do bebê. Nesses casos, o parto pode ser feito por um procedimento cirúrgico chamado cesariana. Nele, faz-se um corte através do abdômen e do útero maternos, por onde o bebê é retirado.  Esse tipo de parto é recomendado apenas nos casos em que existam complicações que impeçam a saída natural do bebê pela vagina ou quando há riscos para a mãe ou para o bebê.
Após o nascimento, o cordão umbilical do bebê é cortado e amarrado pelo médico (o bebê não sente dor nesse procedimento). Depois de alguns dias, o pedaço de cordão umbilical que ficou no corpo do bebê seca e cai, deixando uma marca, que é o umbigo.

GRAVIDEZ

Caso ocorra a fecundação, os níveis de estrógeno e progesterona são mantidos, o que evita a eliminação do endométrio. Assim, a parede uterina permanece espessa e cheia de vasos sanguíneos, sendo um ambiente apropriado para a fixação e o desenvolvimento do embrião. Podemos dizer, então, que a ausência de menstruação pode ser um dos primeiros sinais de uma gravidez.

Fecundação 


A ocorrência da gestação depende do encontro dos gametas masculino e feminino na fecundação. Durante o ato sexual, ao ejacular, um homem pode introduzir milhões de espermatozoides no interior da vagina de uma mulher, os quais se locomovem até as tubas uterinas. Se a mulher estiver em seu período fértil, os espermatozoides podem encontrar um ovócito. Geralmente, apenas um espermatozoide é capaz de penetrar o ovócito. Da união dos gametas, forma-se um zigoto. 

No útero, o embrião se desenvolve. 


A gestação humana dura cerca de 38 a 40 semanas, ou aproximadamente nove meses. Durante esse tempo, ocorrem muitas mudanças no corpo da mulher e no embrião, que se desenvolve até formar um bebê.
O embrião se desenvolve dentro do âmnio, uma bolsa cheia de líquido amniótico, que tem por função protegê-lo de impactos mecânicos. Logo nas primeiras semanas de gravidez, forma-se, em volta do âmnio, a placenta, estrutura composta de tecidos maternos e fetais, pela qual ocorre a comunicação nutricional entre mãe e filho. O alimento e o gás oxigênio passam do sangue da mãe para o do filho, e excreções e gás carbônico passam do filho para a mãe. O embrião está ligado à placenta pelo cordão umbilical, estrutura tubular em que há duas artérias que levam o sangue do embrião até a placenta e uma veia que traz o sangue que circulou na placenta de volta para o embrião.
No fim da oitava semana depois da fecundação, os principais órgãos do embrião já estão formados e sua aparência já é reconhecidamente humana. Ele passa a ser chamado feto e ainda é bem pequeno, com cerca de 2,5 centímetros de comprimento. No decorrer das semanas, o feto cresce e se desenvolve bastante até estar pronto para nascer.

Gestação 


O zigoto sofre inúmeras divisões por mitose e, em condições normais, segue em direção ao útero. Essas divisões celulares se iniciam de 24 a 30 horas após a fecundação; cerca de 3 a 4 dias depois, o conjunto de células formado passa a ser chamado mórula. 
Modificações nas células e na estrutura da mórula podem ser observadas a partir do 5o dia após a fecundação. Esse estágio do desenvolvimento é chamado blastocisto. Cerca de 6 dias após a fecundação, o blastocisto implanta-se no útero, dando início à gestação. 
A gestação é o nome dado à condição em que um (ou mais de um) embrião, abrigado no útero, desenvolve-se até a formação de um novo indivíduo. A gestação humana dura, em média, 38 semanas. A partir da 9a semana de gestação, o embrião passa a ser chamado feto.

Depois da implantação no endométrio, as células do embrião começam a formar grupos, que darão origem a tecidos e órgãos. Também são formadas estruturas localizadas externamente ao embrião e que serão importantes para a sua proteção e nutrição, como: 
• Saco vitelínico: estrutura que fornece nutrientes ao embrião até o desenvolvimento do cordão umbilical. 
• Córion: envolve o embrião, possibilitando trocas gasosas com o corpo da mãe. 
• Âmnio: membrana que envolve o embrião e contém o líquido amniótico, uma mistura de água, sais minerais, gorduras e proteínas. Mergulhado nele, o embrião cresce protegido de choques mecânicos.
A partir da 3a semana do desenvolvimento, inicia-se a for mação do sistema nervoso e da notocorda, que será, posteriormente, substituída pela coluna vertebral. Ao fim da 4a semana, o coração já bate e bombeia sangue por vasos sanguíneos simples.
A placenta, órgão que permite as trocas gasosas e de nutrientes entre o bebê e a mãe, começa a funcionar e vai lentamente substituindo o saco vitelínico e o córion, que deixam de ter função. 
A placenta conecta o bebê e a mãe por meio do cordão umbilical, uma estrutura constituída de vasos sanguíneos que fazem o transporte de nutrientes, gases e outras substâncias. Com oito semanas, já estão presentes o encéfalo, os intestinos, o fígado, o pâncreas, o nariz, os olhos e os membros.
A partir da 12a semana, inicia-se a ossificação, principalmente dos ossos do crânio, do fêmur e do úmero. Na 14a semana, é possível observar o movimento dos olhos. Os órgãos genitais começam a se formar, tornando possível a identificação do sexo do bebê por imagens de ultrassom. 
Entre a 15a e a 17a semana, o feto começa a fazer movimentos que podem ser sentidos pela mãe. Entre a 20a e a 24a semana, o feto ganha massa e acumula uma camada de gordura, que vai fornecer a ele energia e calor após o nascimento. Ao final da 24a semana, unhas e cabelos estão presentes.
Até a 29a semana, os pulmões do feto são capazes de realizar trocas gasosas. Entre a 35a e a 38a semana, o feto cresce em velocidade reduzida. Com 38 semanas, o bebê tem, em média, 50 cm de comprimento e massa de 3,4 kg e está pronto para o nascimento.

A gestação de gêmeos 


Em geral, em cada gestação, apenas um embrião se desenvolve no útero materno. Entretanto, há casos de gravidez múltipla, quando se formam dois ou mais embriões. Os gêmeos monozigóticos, ou gêmeos idênticos, são formados de um único zigoto que, após as primeiras divisões celulares, dá origem a dois grupos de células independentes. Cada uma delas gera um embrião que origina um dos gêmeos. Nesse caso, ambos compartilham a mesma placenta. Eles têm o mesmo sexo, são fisicamente muito semelhantes e geneticamente idênticos. 
Os gêmeos dizigóticos, ou gêmeos fraternos, são formados a partir de duas fecundações distintas. Dois ovócitos são fecundados, cada um por um espermatozoide diferente, originando dois zigotos, que se desenvolvem em duas placentas. Os gêmeos dizigóticos podem ser de sexos iguais ou diferentes e ser tão semelhantes quanto dois irmãos de gestações diferentes seriam, pois são geneticamente diferentes.

Amamentação 


A amamentação, também chamada de aleitamento materno, deve ser iniciada logo após o nascimento. No entanto, durante as primeiras mamadas, o bebê não suga propriamente o leite, mas uma substância chamada colostro, que é rica em anticorpos e, portanto, protege o bebê contra várias doenças. Assim como o leite materno, o colostro é produzido pelas glândulas mamárias. 
Após alguns dias, o colostro é substituído pelo leite materno, um alimento completo para o bebê, pois, além de anticorpos, contém toda a água e todos os nutrientes de que o recém-nascido precisa para crescer e se desenvolver. 
A produção de leite materno é estimulada pelo hormônio prolactina e promovida pela sucção que o bebê realiza ao mamar. A ejeção do leite, por sua vez, é estimulada pelo hormônio ocitocina. Quanto mais o bebê mamar, maior será a produção de leite. 
 A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o leite materno seja o único alimento do bebê nos primeiros 6 meses de vida, pois contém os nutrientes ideais para que ele se mantenha saudável, além de evitar infecções gastrointestinais graves. Após esse período, outros alimentos podem ser introduzidos, mas é indicado que a amamentação continue até os 2 anos de idade.
A amamentação também fortalece o vínculo entre a mãe e o bebê, facilitado pelo contato pele a pele e olhos nos olhos. Além disso, amamentar contribui para a retração do útero, reduzindo o risco de hemorragias após o parto. Assim, a amamentação é importante não apenas para o bebê, mas também traz benefícios para a mãe.
 

MENSTRUAÇÃO

Todo mês, o corpo da mulher em idade reprodutiva se prepara para a fecundação e uma possível gravidez. A parede interna do útero, chamada endométrio, cresce, adquire mais células e vasos sanguíneos e se prepara para abrigar o embrião. Porém, nem sempre a fecundação ocorre. Nesses casos, o endométrio se rompe e parte dele é eliminada pela vagina, com o ovócito não fecundado e o sangue proveniente do rompimento dos vasos sanguíneos uterinos, processo denominado menstruação
Todo esse conjunto de acontecimentos, que se repete mensalmente, recebe o nome de ciclo menstrual. A menstruação é um acontecimento normal na vida da mulher. Conhecer como ocorre o ciclo menstrual coopera para a manutenção da saúde.
O ciclo menstrual é regulado por hormônios, dura em média de 28 a 30 dias e compreende alterações nos ovários e no útero. Como vimos, além do estrógeno e da progesterona, há ainda hormônios liberados pela hipófise.
Em linhas gerais, os hormônios hipofisários fazem um ovócito se desenvolver até o estágio de ovócito secundário. Em seguida, essa célula se solta do ovário e é lançada na tuba uterina – é a chamada ovulação. Assim que ela acontece, há um aumento dos níveis de estrógeno e de progesterona, hormônios produzidos nos ovários, que se encarregam do desenvolvimento do endométrio, preparando o útero para receber um possível embrião.
Se não houver fecundação, os níveis de hormônios diminuem e a menstruação ocorre. O primeiro dia da menstruação marca o início do ciclo menstrual. A menstruação dura em média de três a sete dias. A ovulação costuma acontecer 14 dias antes do primeiro dia da menstruação. Assim, em um ciclo de 28 dias, a ovulação é por volta do 14o dia. Porém, nos primeiros anos de menstruação, é comum a duração do ciclo ser irregular, variando de 21 a 38 dias. 
Algumas mulheres, mesmo depois de adultas, por razões diversas, apresentam ciclo irregular. Os dias próximos da ovulação são chamados período fértil e, neles, as chances de gravidez são maiores caso ocorram relações sexuais sem proteção. O período fértil compreende três dias antes e três dias depois da ovulação.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

REPRODUÇÃO E SEXO

Para a Biologia, sexo se refere às características físicas, fisiológicas e genéticas de um organismo que permitem distingui-lo entre macho e fêmea. 
Contudo, na linguagem cotidiana, a expressão “fazer sexo” geralmente se refere à interação entre indivíduos que envolve contato com os órgãos genitais, com ou sem o intuito reprodutivo. Nesse último caso, o termo científico é cópula ou relação sexual. 
A reprodução é uma característica dos seres vivos. É pela reprodução que as espécies se mantêm na Terra. Na espécie humana, na maioria das vezes, a reprodução envolve relações sexuais, que abrangem diversos outros fatores, além da capacidade de gerar descendentes. 
Entre esses fatores, podemos citar a sexualidade, a afetividade, o prazer, os sentimentos, as emoções, entre muitos outros. Sendo assim, reprodução não é o mesmo que sexo, embora esses dois conceitos estejam relacionados com sexualidade. 
A sexualidade vai além do que estuda a Biologia, pois diz respeito ao comportamento humano e ao de outros animais. Ela é uma característica inerente à vida e à saúde física, social e emocional e se expressa desde cedo, estando presente em todas as fases da vida. No ser humano, a sexualidade engloba o corpo e questões genéticas, afetivas e sociais e é construída ao longo da vida do indivíduo. Ela é influenciada por sua história, cultura, sentimentos e afetos, sendo própria de cada pessoa.
A sexualidade independe da potencialidade reprodutiva. Se sexo é a expressão biológica que define um conjunto de características anatômicas e funcionais, levando basicamente a dois caminhos – machos ou fêmeas –, a sexualidade é algo muito mais amplo. 
Cada sociedade tem conjuntos de regras que constituem parâmetros fundamentais que influenciam o comporta mento sexual e a expressão da sexualidade dos indivíduos.
Nas últimas décadas, tem-se falado muito sobre sexualidade. Percebe-se que há, frequentemente, uma idealização da vida sexual, dando a falsa impressão de que existe uma fórmula única de viver plenamente a sexualidade, um padrão sexual, um modelo rígido ao qual todas as pessoas devem se adaptar. Em nossa cultura, por vezes, há uma tendência de reduzir a sexualidade à sua função reprodutiva e concentrá-la no aspecto genital, sem levar em conta a importância dos sentimentos e das emoções dos envolvidos. 
Isso pode causar preconceito de alguns em relação a quem está fora dos estereótipos sexuais. Cada um pode viver bem, e plenamente, de seu jeito e conforme sua orientação sexual. O importante é fazê-lo com responsabilidade e ter direito à informação e espaço para expressar suas opiniões.
A descoberta da sexualidade vem acompanhada de sensações e emoções diferentes. Os hormônios sexuais têm papel fundamental nas mudanças que tornam o corpo apto à reprodução.
Biologicamente, a sexualidade é regulada por processos hormonais relacionados ao sistema nervoso. Os órgãos dos sentidos também desempenham papel importante na estimulação sexual. As expressões corporais, isto é, os olhares, gestos e movimentos, são meios de enviar mensagens.
Para a espécie humana, a sexualidade e o ato sexual estão ligados também à emoção e ao prazer. Por isso, é importante considerarmos que, na atração entre parceiros, há – além da produção hormonal – um conjunto de estímulos que afeta a ambos. 
A procura do parceiro ou da parceira na natureza, sua escolha e aceitação são um complexo processo de reconhecimento de qualidades, em geral físicas ou comportamentais. Esse reconhecimento é a fase inicial do relacionamento sexual. 
Viver a sexualidade é um direito de cada indivíduo. Há diferentes modos de sentir, expressar e se identificar em relação à sexualidade. A discriminação e o preconceito em nada contribuem para o crescimento pessoal e a convivência na sociedade.

ADOLESCÊNCIA: PERÍODO DE MUDANÇAS


Externamente, o corpo biologicamente masculino apresenta o pênis, e o feminino, a vulva. As características sexuais que os indivíduos apresentam desde o nascimento são chamadas características sexuais primárias. 
Durante a adolescência – período de transição entre a infância e a vida adulta –, ambos os sexos passam por grandes mudanças físicas, que são desencadeadas por hormônios. A produção desses hormônios, que estava inibida na infância, ocorre devido a estímulos do hipotálamo (região do cérebro com função reguladora de processos metabólicos) na hipófise (glândula do sistema nervoso). 
Esses hormônios atuam sobre as gônadas. Nos indivíduos do sexo masculino, as gônadas são os testículos e, nos indivíduos do sexo feminino, são os ovários.
Nos testículos, algumas células são estimuladas para produzirem espermatozoides (gametas masculinos), ao mesmo tempo em que é estimulada a produção de testosterona, hormônio sexual responsável pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias masculinas (mudança da voz e aparecimento de pelos nas axilas, na região pubiana e no rosto). 
Nos ovários, é estimulado o amadurecimento de certas células que contêm os ovócitos (gametas femininos) e que vão produzir estrógeno, hormônio sexual responsável pelo desenvolvimento das características sexuais secundárias femininas (alargamento dos quadris, desenvolvimento das mamas e aparecimento de pelos nas axilas e na região pubiana). Ao mesmo tempo, outro hormônio hipofisário vai induzir a liberação dos gametas femininos amadurecidos, o que ocasiona a produção de mais estrógeno e de outro hormônio sexual, chamado progesterona, relacionado com o ciclo menstrual, que será estudado adiante.
O início da adolescência é conhecido por puberdade e não tem idade certa para acontecer. Ela costuma acontecer entre os 10 e 14 anos de idade e, nesse período, ocorre o amadurecimento dos órgãos sexuais e o corpo se torna fisiologicamente apto para a reprodução. 
Além das mudanças físicas, ocasionadas principalmente pelos hormônios, os adolescentes também passam por grandes mudanças comportamentais, que englobam alterações psicológicas e emocionais. As mudanças comportamentais têm influência cultural e social. É comum que nessa fase os adolescentes tenham a necessidade de independência e comecem a explorar seus sentimentos e seu corpo, iniciando o interesse sexual.

MÉTODOS CONTRACEPTIVOS E DE PREVENÇÃO

Como vimos, a reprodução humana envolve, além da capacidade de gerar descendentes, diversos outros fatores, como a sexualidade, a afetividad...